Residência Hacker: participantes falam sobre os projetos criados; assista

Discutindo questões urbanas como ocupação do espaço público, afeto, segurança e enchentes, os residentes do programa Red Bull Basement criaram quatro projetos bem diversos nos últimos meses. Abaixo, eles falam um pouco sobre, assista:

Vídeo: Fernanda Ligabue

>Saiba mais sobre o projeto Pontos Cegos de SP
>Conheça os Balanços InterAfetivos
>Veja como foi criada a Sala Bolha
>Saiba mais sobre o Pluvi.On

A 2ª edição da Residência do Red Bull Basement ocorreu de agosto a outubro, com os selecionados recebendo apoio para utilizar a infraestrutura de makerspace do Red Bull Station, onde trabalharam em seus protótipos junto a um grupo de mentores e assistiram a aulas elaboradas especialmente para a produção de seus projetos. Saiba mais -> redbullbasement.com.br/index.php/o-projeto

Residência Hacker: Conheça o projeto Pontos Cegos de SP

No último mês, a mineira Sara Lana tem saído diversas noites pela cidade vestindo um capacete cheio de sensores. O projeto da engenheira elétrica com formação transdisciplinar em artes é detectar os pontos não filmados de São Paulo, lugares que escapam da vigilância das câmeras de segurança que hoje em dia dominam o espaço urbano. Pontos Cegos de SP vem sendo desenvolvido nos últimos dois meses durante a Residência Hacker do Red Bull Basement.

“No ano passado, fiz um estudo de caminhadas pela cidade por um viés sonoro com um parceiro meu chamado Marcelo XY. Procuramos vias de escape por esse viés. E então começamos a conversar muito sobre câmeras, algo que gera uma inquietação grande em mim, porque eu sempre adorei ver as imagens, mas ao mesmo tempo me sentia muito invadida ao me ver em gravações em portarias de prédio, por exemplo. Conversamos muito sobre isso e começamos a pensar na questão dos pontos cegos e das rotas de fuga, não só pelo viés acústico mas também visual”, conta Sara.

Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

“Acho muito séria a questão da vigilância. As câmeras públicas têm uma questão delicada que envolvem muito a influência do Estado na vida do cidadão, a coisa da liberdade civil, mas as câmeras privadas talvez me assustem mais porque as públicas a gente consegue acessar os dados, já as privadas não, e isso é algo que está se multiplicando — você não sabe quem te vê, por quanto tempo as imagens são armazenadas. E sinto que é um consenso de solução de segurança pública o uso de câmeras, e que é uma solução mais reativa do que preventiva, que afasta a gente de uma discussão real sobre o assunto”, coloca ela. “Vindo pra cá, achei que seria legal criar uma ferramenta capaz de detectar onde estão as câmeras, fazer um mapeamento”.

O QUE É O PROJETO?
O sistema de detectar as câmeras de vigilância da cidade feito por Sara é constituído por um capacete com sensores e um mapa que reúne os dados captados por esse capacete.

“Não é trivial detector de câmera, tem várias pessoas tentando achar soluções pra isso e não conseguem. Então eu fui pra uma solução que é a detecção de infravermelhos: todas as câmeras fabricadas hoje têm um sistema de visão noturna, então quando anoitece elas ligam o infravermelho. Daí eu bolei um capacete com um microcontrolador, que manipula os dados, e com sensores que operam exatamente na banda de frequência eletromagnética dessas câmeras”, explica a engenheira.

Na prática, funciona assim: “Quando o capacete detecta uma câmera ele acende um LED, olha no GPS qual a coordenada do local e grava no cartão SD. Aí eu volto, descarrego o cartão e ele sobe automaticamente para um mapa que está sendo construído no meu site. E minha intenção a longo prazo é cobrir todo o hipercentro de São Paulo”, conta ela.

mapa-sara

Quem se interessar pela ideia pode colaborar: no site da residente, há todas as informações de como construir o capacete, e as pessoas podem compartilhar a localização dos pontos filmados da cidade via Telegram, ajudando Sara a construir esse mapa acima, que mostra os locais onde há câmeras e as vias “cegas” em meio a eles.

“O capacete é interessante porque ele chama a atenção, mas te dá essa consciência do momento exato em que você está sendo filmado. Eu tenho vontade de sair andando com esse capacete mundo afora agora”, diz ela.

Quem quiser saber mais sobre o projeto, a apresentação dele é nesta noite no auditório do Red Bull Station.

(Por Adriana Terra)

Residência Hacker: Conheça o projeto Balanços InterAfetivos

Pensando em mobiliário urbano e tecnologia, e conectando isso a ideia de ocupação do espaço público e humanização da vida nas cidades, a dupla Lina Lopes e Giovanna Casimiro desenvolveu durante a residência do Red Bull Basement o projeto Balanços InterAfetivos.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação / Giovanna Casimiro e Lina Lopes

O QUE É O PROJETO?
Trata-se de um balanço duplo, facilmente replicável, com sensores que acendem ao serem tocados. O objetivo é que ele seja instalado em lugares meio esquecidos nas cidades, e que duas pessoas dividam o mesmo assento para gerar iluminação.

A ideia veio de uma iniciativa passada da dupla, que coordena o espaço Lilo na zona oeste da cidade. O trabalho anterior consistia em um boneco com luzes acionadas pelo toque humano, colocado em uma escadaria escura da Vila Madalena. A função da luz no balanço, no entanto, tem menos a ver com a ideia de segurança e mais com a ideia de afetividade.

“A gente mora em um país em que a iluminação é associada a questão de segurança, mas nesse caso a ideia não é essa. A ideia foi mais juntar duas pessoas num mesmo banco para acender o sensor, e colocar esse balanço no centro da cidade, porque o centro é um lugar de passagem, um lugar meio frio”, conta Lina.

Fase anterior do balanço, com redes, apresentado por Giovanna | Foto: Divulgação / Marcelo Paixão
Fase anterior do balanço, com redes, apresentado por Giovanna | Foto: Divulgação | Marcelo Paixão/Red Bull Content Pool

“Resolvemos usar pallets em vez de redes [como no protótipo acima]. A ideia das redes carregava essa coisa da conexão, da rede física e rede humana, mas a conexão fica simbolizada na coisa humana da dupla ter que sentar junta no banco para acender as luzes. O desafio foi pensar num mobiliário urbano, em design e também em tecnologia”, explica ela.

“A função iluminadora dos balanços ajuda na construção do conceito de iluminar a cidade com afeto. Afinal, o que se propõe é que os toques gerem luz, em uma analogia ao calor humano” — Lina Lopes e Giovanna Casimiro

Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

Quem quiser ver de perto, além da apresentação na próxima terça (4), a dupla fará uma sessão demonstrativa de aplicação do balanço neste sábado (1º/out) no Vale do Anhangabau, das 17h às 20h.

(Por Adriana Terra)

Red Bull Basement anuncia selecionados para sua 2ª edição; confira

Samantha Gimenez Fluture (São Caetano do Sul/SP), Pedro Henrique Fonseca (São Bernardo do Campo/SP), Ricardo Coelho (Belo Horizonte/MG), Diogo Tolezano (SP), Pedro Luiz Godoy Filho (SP) e Ufuk Serkan Yıldırım (Batman, Turquia) são os selecionados para a 2ª edição da residência Red Bull Basement, que ocorre entre 6 de agosto e 7 de outubro próximos. O programa dá suporte ao desenvolvimento de projetos experimentais que buscam melhorar a cidade por meio da tecnologia.

Neste ano, são cinco projetos e seis residentes escolhidos. Durante o período de imersão no prédio do Red Bull Station, os participantes terão à sua disposição um makerspace com equipamentos para prototipagem e uma agenda paralela com palestras e workshops. Ao fim do processo, eles devem apresentar o projeto proposto na inscrição desenvolvido.

Makerspace em dia de oficina | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Makerspace em dia de oficina | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

Diferente do ano passado, os participantes dessa vez não terão apenas um curador, mas sete mentores de diferentes áreas com a função de atender a todos os momentos de execução de seus projetos: os designers Andrei Speridião e Wesley Lee, a arquiteta Heloísa Neves (We Fab), o especialista em movimento maker Fabien Eychenne, o engenheiro mecânico Fernando Orsatti, Thiago Avancini (Creative Technologist do Google) e o programador Afonso Coutinho (Wolksen e Garoa Hacker Clube) estão na equipe.

Na seleção, que buscou iniciativas envolvendo programação e eletrônica, estão ideias que visam solucionar problemas e/ou propor uma interação lúdica com a cidade. Abaixo, saiba um pouco mais sobre os selecionados e confira os dois projetos suplentes:

SELECIONADOS DA 2ª RESIDÊNCIA DO RED BULL BASEMENT

1. Samanta Gimenez Fluture (São Caetano do Sul/SP)
Projeto: Moskito Livre
Descrição: Kit de dispositivos que usam tecnologia livre e de baixo custo para combater o mosquito da dengue em dois estágios: na criação de ovos em água parada (gerando sua oxigenação) e no uso de repente eletrônico vestível (prevenindo picadas).

2. Pedro Henrique Fonseca Bertoleti (São Bernardo do Campo/SP)
Projeto: Monitoramento de água com IoT
Descrição: Monitoramento inteligente de consumo e vazão de água via internet, objetivando uso consciente por meio de meta de consumo por período.

3. Ricardo Coelho Almeida (Belo Horizonte/MG)
Projeto: Sala-bolha
Descrição: As salas-bolhas são ambientes infláveis a serem montados em espaços públicos para serem utilizados como espaço para reuniões, aulas, palestras e afins por qualquer pessoa com tal demanda.

4. Diogo Tolezano Pires e Pedro Luiz Godoy Filho (São Paulo)
Projeto: Pluvi.On
Descrição: Plataforma open source que disponibiliza informações meteorológicas hiperlocais e usa inteligência artificial para gerar insights tanto para a população (risco de enchentes/ duração da chuva) como para os negócios da cidade (vários setores são impactados por essa informação, como seguradoras, construção civil, varejo, agricultura).

5. Ufuk Serkan Yıldırım (Batman – Turquia)
Projeto: Light me up
Descrição: O projeto pretende resolver o engarrafamentos evitáveis causados por semáforos. A solução é otimizar os intervalos de tempo de semáforos com base nas densidades de carro.

SUPLENTES
6. Sara Lana Gonçalves da Costa (Belo Horizonte)
Projeto: Pontos Cegos, Surdos e Mudos de SP
Descrição: Criar uma ferramenta de mapeamento e rastreamento de pontos cegos, surdos e mudos de centros urbanos, não atingidos por câmeras de segurança e com maior e menor incidência de ruídos audíveis.

7. Giovanna Casimiro e Lina Lopes (São Paulo)
Projeto: Balanços InterAfetivos
Descrição: Mobiliário urbano interativo para unir pessoas e iluminar a cidade.