Os Brasis em São Paulo realiza mostra e intervenções urbanas em novembro

Foto: Os Brasis em SP
Nega Duda | Foto: Os Brasis em SP

Realizado como um festival, em junho passado, e como uma residência artística que ocorreu ao longo dos últimos cinco meses, Os Brasis em São Paulo — projeto que busca revelar as histórias de mestres de cultura que vivem na capital paulista — resulta em uma exposição que ocorre de 22 a 30 de novembro no Red Bull Station.

Mestre ou Mestra de cultura brasileira é um termo usado para os chamados patrimônios vivos de cultura — termo do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. São bordadeiras, cozinheiras, rendeiras, construtores de instrumentos, músicos de folguedos (maracatu, samba de roda).

Foto: Os Brasis em SP
Carlão do Peruche | Foto: Os Brasis em SP

Os Brasis em São Paulo propôs dar visibilidade a essa sabedoria por meio de um processo de oficinas de arte, narrativa e pesquisa que aconteceu de junho a outubro deste ano, buscando contar as histórias de Carlão do Peruche (mestre de jongo e da velha guarda do samba paulistano), Graça Reis (referência de cultura maranhense no Morro do Querosene), Nega Duda (referência do samba de roda do Recôncavo Baiano) e o educador cultural e espiritual índigena Pedro Macena.

O trabalho teve participação de cerca de 25 pessoas, oito delas escolhidas via chamado aberto, orientadas por facilitadores da rede Brasis durante o projeto.

O educador indígena Guarany Pedro Macena | Foto: Os Brasis em SP
O educador indígena Guarany Pedro Macena | Foto: Os Brasis em SP

“O principal objetivo do projeto artístico é revelar a história de mestras e mestres que moram em São Paulo e transitam pela cidade de forma invisível, sem que a sua contribuição para a cultura seja conhecida”, conta a pesquisadora Mayra Fonseca, que idealizou o festival. “A intenção é celebrar essas pessoas como importantes agentes de cultura brasileira e aproximar espaços da cidade que pouco os conhecem”.

Além da exposição, o projeto realiza intervenções urbanas a partir do dia 16 deste mês, distribuindo pela cidade de São Paulo lambe-lambes formando grandes instalações, cada uma delas ligada ao site do projeto, onde serão publicadas as histórias desses personagens.

Foto: Os Brasis em SP
Graça Reis | Foto: Os Brasis em SP

Os Brasis em São Paulo é iniciativa da rede de conteúdo Brasis (www.brasis.vc), com apoio da plataforma Red Bull Amaphiko.

Exposição “Sobre-Com-Viver”
De 22 a 30/nov em todo o prédio
*22 de novembro às 20h – Abertura da exposição e roda de conversa

Os Brasis em SP convida a revelar mestres de cultura na capital paulista

Com a ideia de estimular o conhecimento do Brasil e do brasileiro, revelando mestres de cultura muitas vezes invisíveis no dia a dia da cidade, o festival Os Brasis em SP vai levar rodas de conversa, oficinas e uma exposição, entre junho e novembro deste ano, ao Red Bull Station.

Projetado pela rede de conteúdo Brasis (www.brasis.vc) e apoiado pela plataforma Red Bull Amaphiko, o festival começa com um ciclo de debates aberto ao público no dia 18 de junho, um sábado, segue até outubro com uma programação fechada de oficinas e termina em novembro com uma exposição que irá contar as histórias de quatro mestres de cultura brasileira que vivem em São Paulo, criada ao longo deste percurso.

Se você já participou de alguma ação em projetos sobre cultura brasileira, tem experiência em redação ou fotografia ou se tem algum trabalho em artes visuais, pode se inscrever por este link até 30 de maio para fazer parte do grupo que irá ajudar a revelar os mestres escolhidos pelo projeto. Nove pessoas serão selecionadas com base em avaliação de experiência e portifólio.

Para entender melhor a rede Brasis, o festival e a importância de debater arte e cultura brasileira em uma cidade como São Paulo, conversamos com a Mayra Fonseca, fundadora e principal responsável pelo projeto. Vem se inspirar para conhecer mais sobre “nossas outras histórias”:

Mayra, queria que você explicasse um pouquinho o que é o Brasis.
O Brasis é fruto de um caminho meu nessa história de pesquisa de culturas cotidianas do brasileiro de outra forma. Tentar entender que no nosso repertório de vida tem boas experiências pra gente criar qualquer coisa: palestras de arte, projetos de inovação, repensar a forma como a gente come. Inclusive eu acredito que boa parte desse Brasil que a gente não vê tem soluções pro Brasil que a gente vive. Acho que em toda estante de livros de design tinha que ter Câmara Cascudo. E isso é muito a minha trajetória de vida: eu sou comunicóloga e antropóloga, e eu nasci do lado do Vale do Jequitinhonha, sou neta de Apinajés.

O objetivo do Brasis é estimular o conhecimento de Brasil pra que a gente fale mais da gente, pra que a gente veja o que a gente tem: ferramentas, repertório, pessoas. O Brasis veio dessa vontade de trocar esse olhar sobre o brasileiro, porque eu acredito que aqui tem essa potência.

A gente precisa falar sobre diversidade, e com pessoas diversas. O Brasis é um projeto que eu iniciei, mas ele é hoje feito em rede, somos 13 pessoas com formações diferentes. A gente faz projetos de educação, conteúdo e dá oficinas.

E como veio a ideia do festival?
Quando a gente viaja, esse outro Brasil fica mais visível no próprio contexto regional. Se você vai ao Norte, você se relaciona com o carimbó de alguma forma, se vai a Pernambuco se relaciona com o maracatu. Mas em São Paulo parece que isso não se vê — o que é contraditório, porque é um lugar de encontro. A elite cultural artística não tem noção de que essas pessoas, esses mestres, existem aqui. Falar sobre os Brasis em SP é justamente pra colocar visíveis esses mestres. Esse projeto vem tentar romper essa fronteira do que é sabedoria e arte em São Paulo.

A gente tem um rei do congo que é porteiro em um prédio, por exemplo. Essas pessoas transitam pela cidade sem a gente saber que elas são fonte de conhecimento. A gente abre a rede para construir esses conteúdos, é um projeto no qual quem aprende é a gente.

O projeto é a contação das histórias como um projeto de arte, tendo o Raul Zito (fotógrafo, artista plástico e músico) e o Roni Hirsch (designer, cenógrafo e artista à frente do Estúdio do Morro, no Morro do Querosene) coordenando esta parte [Mayra é uma das mentoras, ao lado deles, no processo].

Como vai ser a programação aberta?
Dia 18 de junho pela tarde será aberto, teremos um ciclo de conversas com outras pessoas que têm projetos com mestres de culturas brasileiras e com mestres que vão falar do seu fazer. A ideia é convidar a cidade para ir ao Red Bull Station falar sobre outras nossas histórias.

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Saiba mais sobre o projeto e acompanhe nas redes sociais. Em breve, a programação aberta completa será divulgada.