Red Bull Station recebe Festival de Cultura Maker em outubro

Depois do 2º Festival Red Bull Basement, que reuniu em um sábado diversas palestras e apresentações discutindo tecnologia e cidades no Red Bull Station, em outubro é a vez do FAZ – Festival de Cultura Maker tomar conta de todo o prédio por três dias.

Apresentação de projeto durante o Festival Red Bull Basement | Foto: Marcelo Paixão
Apresentação de projeto durante o Festival Red Bull Basement deste ano | Foto: Marcelo Paixão

O movimento maker tem como base a ideia de que todo mundo — seja profissional ou não — pode construir, consertar e modificar os mais diversos tipos de objetos e projetos usando as tecnologias disponíveis e o conhecimento compartilhado.

Com oficinas, debates e mostras de projetos, tudo organizado por temas que acolherão de iniciantes a especialistas, o FAZ é inspirado pela crescente comunidade de criadores brasileira e pela Maker Faire, maior evento desse universo. A ideia é construir um legado relevante para o Brasil, coroando uma série de encontros sobre o assunto realizados no Red Bull Station no 1º trimestre, muitos dentro do programa Red Bull Basement.

A agenda do festival está sendo construída de forma colaborativa junto a representantes dos principais fablabs e espaços hacker e maker de São Paulo, como Garoa Hacker Clube, Garagem Fab Lab, Rede Fab Lab Brasil, Estúdio Lilo e Oficina Lab.

Mão na massa no Festival Red Bull Basement | Foto: Fábio Piva
Mão na massa no Festival Red Bull Basement | Foto: Fábio Piva

Haverá ainda outras atividades definidas por meio de um chamado aberto, que acontecerá de 5 a 16 de setembro  — informaremos como participar por aqui. A programação completa será divulgada no início de outubro.

PROGRAME-SE:
FAZ – Festival de Cultura Maker | De 14 a 16 de outubro no Red Bull Station

Palestra na íntegra: movimento maker e IoT, com Luís Leão

O que é IoT, quais as definições do conceito e o que é possível fazer com ele?

Convidado pelo Red Bull Basement a falar sobre Internet das Coisas — termo utilizado para descrever um paradigma no qual objetos físicos estão conectados em rede e podem ser acessados online –, o engenheiro de inovação Luís Leão mostra como usar a tecnologia para otimizar a rotina.

“A grande dificuldade não é colocar as coisas na internet, mas dar sentido para elas estarem ali”, diz ele. Assista abaixo:

Prazo para o Red Bull Basement termina neste domingo (26); inscreva-se

Estão abertas as inscrições para a segunda edição do Red Bull Basement. Neste ano, o programa será realizado de 6 agosto a 7 de outubro e mais uma vez irá apoiar o desenvolvimento de projetos experimentais que buscam melhorias urbanas por meio da tecnologia.

Programadores, hackers e desenvolvedores de software poderão se inscrever pelo site www.redbullbasement.com.br até 26 de junho. Os cinco selecionados serão anunciados em 11 de julho.

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VJ Pixel na primeira edição da residência | Foto: Fabio Piva / Red Bull Content Pool

Os residentes terão à sua disposição um makerspace com equipamentos para prototipagem dos projetos, que deverão ser apresentados no fim da residência, além de uma agenda paralela com palestras e workshops sobre o tema.

Diferente do ano passado, em sua segunda edição, os residentes não terão apenas um curador e sim sete mentores de áreas diferentes escolhidos a dedo para atenderem aos diferentes momentos do projeto.

Outra diferença de sua primeira edição é que agora os selecionados devem apresentar uma ideia ou protótipo inicial em sua inscrição para a residência.

Três curiosidades sobre a Vinil Brasil, a nova fábrica de discos brasileira

Imagine a situação: 18 toneladas de prensas de discos de uma antiga gravadora são encontradas em um ferro-velho em São Paulo. Deterioradas, elas têm de ser reformadas em um processo longo. O trabalho é pesado, mas quem tomou a iniciativa de resgatá-las é gente aficionada por discos, interessada em produzir vinis e fazer a música de toda uma cena circular.

Essa é, por alto, a trama que dá origem à Vinil Brasil, nova fábrica de discos brasileira, uma das duas a operar no momento no país (até seu surgimento, apenas a Polysom estava em atividade), instalada em um galpão no bairro paulistano da Barra Funda.

Para saber mais detalhes desta história, batemos um papo com Michel Nath, músico e produtor que encabeça o projeto. Michel participa nesta terça-feira de palestra no Pulsø, junto ao mestre dos sintetizadores Arhur Joly, para falar sobre a cultura do faça-você-mesmo na música. Abaixo, já dá para perceber o quanto essa ideologia foi importante na criação da Vinil Brasil.

As prensas da Vinil Brasil | Foto: Divulgação
As prensas da Vinil Brasil | Foto: Divulgação

1.A ORIGEM: Michel queria prensar seu próprio disco
“O lance da fábrica surgiu de uma necessidade que eu e toda uma cena tem de materializar nossos trabalhos musicais com qualidade, eficiência, de uma maneira mais justa e acessível. Meu disco ‘SolarSoul’ foi um processo muito longo. Fazer um vinil não é algo fácil nem barato, e eu ainda tive que esperar um ano por ele. Nesse processo de espera conversei com várias pessoas, e cada uma me deu uma justificativa de que não era viável montar uma fábrica — e as justificativas eram plausíveis: as prensas não existiam, comprar de fora é uma grana absurda. Daí, quando meus discos estavam começando a chegar aqui [eles foram prensados fora], o importador encontrou essas máquinas num ferro-velho, as adquiriu e não tinha a grana para comprar todas, e eu acabei entrando nessa história. O trato que fiz com ele era que quem segurasse a onda de reformar as máquinas tinha prioridade, e eu toquei isso junto com o Luís [Luís Carlos Bueno, técnico que trabalhou em manutenção geral por 20 anos na gravadora RCA], que é a pessoa que tem o conhecimento mesmo de montar”, explica Michel.

2.AS PRENSAS: do ferro-velho para um processo longo de reforma
“As máquinas eram da Continental e ficaram 20 anos paradas — quando o prédio da gravadora teve que ser demolido, elas foram enviadas para um ferro-velho, onde ficaram por um ano. Nesse período as encontramos”, diz Michel. “Elas chegaram aqui totalmente detonadas. O Luís tinha trabalhado com outro modelo de máquina na RCA e precisamos de sete meses até conseguir entender o ciclo da prensa, reformar a primeira, planejar um novo controle. Criamos uma placa que controla todas as funções. Com esse painel digital a gente vai poder mensurar tudo, ter um boletim diário, uma ciência mesmo da prensagem, saber os parâmetros que funcionam. E isso a gente criou do zero. A cortadeira que refila os discos a gente criou do zero. A parte da prensagem funciona tão bem que não tem o que fazer, só reformar”, explica.

Michel Nath e a capa de seu disco "SolarSoul", que o incentivou a montar a fábrica
Michel Nath e a capa de seu disco “SolarSoul”, que o incentivou a montar a fábrica

3.A IDEIA: uma fábrica além do hype, de músicos para músicos
“A gente prioriza antes de mais nada a música. É uma fábrica de músicos e amantes da música para músicos e amantes da música. Queremos deixar um legado musical. A gente já tem uma demanda grande de pedidos, mas estamos primando por uma qualidade, uma excelência, pra que discos bem feitos saíam daqui. A gente não vai abrir pro público enquanto não tiver com essa qualidade. Não somos oportunistas de mercado que pescamos uma tendência — a cultura tem que ser mais longeva, porque quando a moda do vinil passar a gente vai ter a cultura do disco em São Paulo, a produção crescendo”, finaliza Michel.

(Por Adriana Terra)