“Habitar”, de Thiago Bortolozzo, debate espaço público, moradia e arquitetura

Trabalho de Thiago Bortolozzo, o site-specific “Habitar” ocupa a Galeria Principal até o dia 7 de outubro, propondo uma reflexão sobre espaço público, moradia no centro das grandes cidades e relações entre arquitetura popular e convencional. O trabalho une estudo sobre o prédio do Red Bull Station feito pelo artista com questões que já fazem parte de sua pesquisa.

“Esse projeto surgiu a partir de um estudo que eu comecei sobre o que envolve esse prédio hoje e o que ele era antigamente. Com a revitalização há uma vontade de trazer vida para esse espaço e para a região, só que toda a circulação de pessoas no entorno dele atualmente é dada pelas passarelas, por lugares nas alturas, porque não tem mais condições de passar pela [avenida] 23 [de Maio]“, coloca.

“Daí surge minha ideia de criar uma intervenção que levasse em consideração essas questões históricas, sociais e também formais”, explica Bortolozzo, que usou como elemento para discutir esses temas a casa da palafita, fazendo referência também aos rios que correm sob o prédio (Saracura, Japurá-Bixiga e Itororó), hoje cobertos pelas avenidas 23 de Maio e Nove de Julho, vias que mudaram muito a cara da região desde a sua criação.

Para quem não conhece a história do prédio: localizado em um edifício de 1926 tombado como patrimônio histórico na praça da Bandeira, centro de São Paulo, o Red Bull Station ocupa a antiga subestação de energia Riachuelo, desativada em 2004. Após um processo de revitalização, ele reabriu as portas ao público em 2013.

Bortolozzo desenvolve trabalhos que tensionam questões da arquitetura e espaço urbano com foco nas relações políticas, sociais e históricas. O artista nasceu em Campinas e se formou em Artes Plásticas na USP, além de ter estudado na Berlin Weissensee School of Art, na Alemanha. Atualmente, desenvolve sua pesquisa de mestrado em poéticas visuais na Unicamp. Saiba mais: https://thiagobortolozzo.com.

Rodrigo Sassi exibe obra com referências arquitetônicas e urbanas

De 15 de agosto a 17 de outubro o artista paulistano Rodrigo Sassi ocupa a galeria principal do Red Bull Station com uma escultura de grandes proporções criada com materiais descartados de construção civil. A instalação, intitulada Tudo aquilo que eu lhe disse antes mas nem eu sabia, traz referências arquitetônicas e do cenário urbano que caracterizam a produção do artista.

Neste site-specific, obra pensada e desenvolvida para o local, Sassi cria sua própria arquitetura e atribui um novo significado aos materiais de descarte. “Eu me aproprio de elementos usados para construir a cidade e construo algo novo, dando algo como uma sobrevida a esse material que já vem cheio de significados e marcas”, explica.

Foto: Hick Duarte / Red Bull Content Pool
Foto: Hick Duarte / Red Bull Content Pool

Esta relação entre arte e cidade está presente desde o início de sua trajetória artística, marcada pelo desenvolvimento e prática de intervenções urbanas. Com o passar dos anos, Rodrigo Sassi trouxe para dentro do ateliê essa pesquisa, que se transformou em referência estética e conceitual. “Nasci aqui e São Paulo está em mim. O interessante da intervenção é que ela atinge as pessoas direto, sem intermédio de um crítico ou de um texto”, conta. “O público olha a obra com uma visão própria e pode refletir e atuar como quiser porque o trabalho não é mais teu, ele é da cidade.”

Além de madeira reutilizada, a escultura de 12 metros de comprimento por dois metros e meio de altura é composta por carretéis de cabo de energia, concreto, cabos de aço, metal e luzes num processo que durou quase três meses. “São materiais que foram coletados no meu entorno e que falam sobre a cidade, sobre algo que está em volta de todos”, diz.

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O artista Rodrigo Sassi. Foto: Hick Duarte / Red Bull Content Pool

O trabalho conta ainda com um sistema de iluminação, algo até então inédito em sua obra, que mostra as sombras emitidas como elementos complementares na composição, remetendo a uma edificação que é estruturada para posteriormente serem aplicados os sistemas prediais (elétrico, hidráulico e luminotécnico).

Quanto a técnica, ele conta que a instalação foi construída a partir da releitura do processo de criação fôrmas de concreto armado, transformando as chapas de madeira descartada. A finalização com o concreto dá o acabamento e legitima a funcionalidade do trabalho de marcenaria, que é abrigar, moldar e dar movimento à escultura.

A exposição tem entrada gratuita e está aberta a visitação de terça a sexta das 11h às 20h e aos sábados das 11h às 19h.

Ryoichi Kurokawa

Ryoichi Kurokawa, Japão, 1978, vive e trabalha em Berlim. Trabalha principalmente com instalações, gravações e concertos. No seu trabalho se propõe a esculpir o tempo através do cruzamento de gravações de campo com processos digitais reconstruindo arquitetonicamente o fenômeno audiovisual. O seu trabalho foi apresentado em festivais internacionais e museus como a Tate Modern, a Bienal de Vença, Transmediale e Sonar. Em 2010, recebeu o prêmio Golden Nica do Prix Ars Electronica, na categoria Música Digital & Arte Sonora.

Sua obra Rheo: 5 horizons, de 2010, está exposta na Adrenalina – a imagem em movimento no século XXI,. Consiste em uma instalação audiovisual inspirada na paisagem, na perspectiva do movimento, para criar uma experiência sinestésica de som e imagem. A obra, que obteve o prêmio Golden Nica do Ars Electronica em 2010, é composta por cinco monitores HD e cinco canais de áudio que funcionam de forma independente. As imagens produzidas digitalmente estão minuciosamente sincronizadas com gravações de campo, que associadas de forma minimalista revelam uma construção espacial complexa e de requintada beleza arquitetônica. O contraponto entre som e imagem e natureza e tecnologia, promovem uma escultura mutável e fluída. Rheo, que significa fluxo em grego, reflete sobre os ciclos vida como uma corrente de tempo e espaço que desafia os limites da percepção humana.

Ryoichi Kurokawa | Rheo: 5 horizons, 2010 (still frame)
Ryoichi Kurokawa | Rheo: 5 horizons, 2010 (still frame)

Rheo: 5 horizons – 2010
Instalação e 5 canais, 8’ loop
2010

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Ricardo Carioba

Ricardo Carioba  é artista plástico, vive e trabalha em São Paulo. Carioba produz instalações com uso da arquitetura, explorando as linguagens de vídeo, som e sistemas de iluminação. Também realiza fotografias e desenhos gráficos. Em seus trabalhos, explora elementos mínimos da linguagem visual e sonora, para muitas vezes perturbar os hábitos de nossa sensibilidade. Muitos de seus trabalhos foram desenvolvidos a partir de leis ou conceitos da física, e da utilização de luz para revelar algumas características do espaço – presentes, mas normalmente invisíveis. Explora de formas diferentes os intervalos, o vazio que define o espaço. Perturba os hábitos linguísticos e sensíveis, a fim de quebrar seus condicionamentos e tornar possível o nascimento de diferentes formas de pensar e de sentir.

O artista está presente na exposição Adrenalina – a imagem em movimento no século XXI com instalação audiovisual Abra, de 2009. 

Ricardo Carioba | Abra, 2009 (still frame)
Ricardo Carioba | abra, 2009 (still frame)

abra,
instalação de áudio estéreo e vídeo em quatro canais
57’ em loop, 150 x 800 cm
2009

Lucas Bambozzi

Lucas Bambozzi artista e pesquisador em novas mídias produz trabalhos em vídeo, instalações e meios interativos. Seus trabalhos já foram exibidos em mais de 40 países, em organizações como o Moma (EUA), ZKM, Frankfurter Kunstverein (Alemanha), Arco Expanded Box (Espanha), ŠKUC gallery (Eslovenia), Museum of Modern and Contemporary Art (Rijeka, Croácia), WRO Media Art Biennale (Polônia), Centro Georges Pompidou (França), Bienal de La Habana (Cuba), ISEA Ruhr (Alemanha), ZERO1 Biennial (EUA), Ars Eletrônica (Áustria – com menção honrosa em 2010 e 2013), Bienal de Artes Mediales (Chile), Bienal da Imagem em Movimento (Argentina), 25ª Bienal de São Paulo dentre outras. Participou de festivais como o Videobrasil, É Tudo Verdade, FILE, Festival do Rio BR, Sundance e Slamdance (EUA), Impakt (Holanda), FID Marseille, Share (Itália), XX Videoformes (França), Emoção Art.Ficial, On_OFF e vários outros. Foi um dos criadores do Festival arte.mov (2006-2012), do Projeto Multitude (2014) e do Labmovel (2012-2015). É professor na FAAP, em São Paulo.

Na mostra Adrenalina – a imagem em movimento no século XXI o artista expõe a obra Curto Circuito [Último Suspiro], de 2014, uma instalação com 10 TVs de tubo e vídeos dessincronizados.

TVs que pulsam uma imagem “entranhada”, efeito colateral de sua condição eletrônica pré-digital. Retrato de precariedades e da obsolescência voraz nas tecnologias de imagens, emitem um “último suspiro” de raio catódico. Há algo de incômodo nesse refluxo, talvez por sermos testemunhas de uma arqueologia que opera em nosso presente. O lixo eletrônico causa fascínio e espanto. Há algo de aterrorizante em especular sobre o acúmulo de produtos industrializados que passam, em poucos anos, a não ter valor algum. Especula-se sobre o consumo, sobre o fluxo dos produtos, sobre o fim das coisas. Para onde vão as coisas que não queremos mais? O conjunto de TVs parece conflitante no espaço expositivo, mas ao mesmo tempo parece estar em estranha harmonia com o ambiente – algumas TVs parecem não funcionar há anos. Então, em algum momento, percebemos que algo ainda acontece nesse arsenal sucateado, enxerga-se um faiscar elétrico, as telas emitem lampejos, ouve-se uma pequena descarga, um possível curto-circuito.

Lucas Bambozzi | Curto Circuito [Último Suspiro], 2014
Lucas Bambozzi | Curto Circuito [Último Suspiro], 2014

Curto Circuito [Último Suspiro], 2014
Instalação, TVs de tubo e vídeos dessincronizados
2014

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