“Brinquedos são meu universo de inspiração criativa”, diz Jorge Crowe

Nascido em Mendoza, o argentino Jorge Crowe construiu sua trajetória na intersecção das artes visuais com a educação e a tecnologia. Tendo o universo do código aberto e do faça você mesmo como base, ele se apresenta na noite desta sexta-feira (14) no FAZ.

Foto: www.jcrowe.xyz
Foto: www.jcrowe.xyz

Diretor de um espaço chamado Laboratorio de Juguete, no qual ensina eletrônica básica e reutilização de tecnologia obsoleta, Jorge também é professor no mestrado em Artes Eletrônicas da universidade UNTREF, em Buenos Aires.

Em “Ludotecnia”, o artista faz uma performance audiovisual que está em constante mutação e que tem como essência o uso de brinquedos para a criação da imagem e do som em tempo real. O argentino ainda apresenta no FAZ, no domingo, um projeto no qual propõe questionamentos sobre a cena maker atual.

Batemos um papo com ele para saber mais sobre os dois projetos.

Seu trabalho converge tecnologia, arte, educação. Quando e como o interesse nestes temas surgiu na sua vida?
Ensinar é uma tradição de família. Minha mãe é professora, minha tia, meu tio, meus primos… É algo que rolou espontaneamente. Eu trabalho no ensino formal e informal desde os meus 23 anos (há 16 anos!). Uma vez que, para muitos artistas o ensino é muitas vezes a única fonte estável de renda, eu me considero muito sortudo de gostar tanto de ensinar. É uma área que também estimula muito meu trabalho artístico. A intersecção da tecnologia com a arte vem desde a infância também, eu sempre amei matemática, biologia, química, bem como desenho ou ouvir música. Estava prestes a estudar física e, no último minuto, me decidi por artes visuais.

Você poderia comentar um pouco sobre “Ludotecnia”: quando o espetáculo nasceu, qual é a essência do trabalho e se ele já foi apresentado no Brasil. E também a conexão desse projeto com o Laboratorio de Juguete…
“Ludotecnia” é uma performance audiovisual ao vivo que vem sendo realizada há vários anos. Como é um processo em desenvolvimento constante, nunca para de mudar. Sua essência é o uso de brinquedos e objetos para a construção de som e imagem em tempo real. Um espaço híbrido no cruzamento da música, da cultura VHS e do teatro de objetos e marionetes. Tenho a sorte de tê-la apresentado no Brasil em duas ocasiões: em Ubatuba, no Tropixel Festival; e em Belo Horizonte, na abertura da Gambiólogos 2.0, convidado pelo Gambiologia, coletivo que admiro muito. Mas, como eu disse anteriormente, é uma forma mutante, então a apresentação desta sexta-feira será totalmente nova, de certa forma.

A relação com o projeto Laboratorio de Juguete é grande por conta desta fusão que falamos entre a prática artística e o ensino. Sendo o Laboratorio meu espaço de divulgação e desenvolvimento da eletrônica, muitos dispositivos que eu uso [na apresentação] foram desenvolvidos lá — e até mesmo foram tema de vários workshops. Os brinquedos são meu universo de inspiração criativa. Quase uma obsessão.

Foto: www.jcrowe.xyz
Foto: www.jcrowe.xyz

Além do “Ludotecnia”, você vai apresentar um projeto no sábado que discute a “bolha maker”. Como vê esta cena atualmente?
A partir da democratização da prática da eletrônica e da programação, graças à internet, houve um enorme e crescente interesse em mergulhar nestas disciplinas. Ao longo dos anos, vimos surgir plataformas e criações que tiveram grande impacto em todo o mundo e, claro, elas se tornaram um bom negócio. Isso chamou a atenção de investidores e empresas que começaram a inflar o mundo do “faça você mesmo” com pretensões de lucro. Por um lado, esta popularidade foi positiva em termos de divulgação, mas a esta altura a cultura do fazer está um pouco sufocada pelo empreendedorismo, pelas start-ups, crowdfunding, hackathons e mil novas palavras e tecnicismos que a transformaram numa moda e tendem a distorcer as origens comunitárias e contraculturais dessas práticas. É inevitável, e não necessariamente negativo de todo, mas não acho que devemos abraçar esta tendência sem questionamentos. A apresentação terá mais perguntas do que respostas, mas procura problematizar esse fetichismo tecnológico que nos distancia de ações críticas e reflexivas.

LUDOTECNIA
14/out a partir das 21h30 no FAZ
Entrada gratuita; retirada de senhas a partir das 19h — saiba mais aqui
Red Bull Station – praça da Bandeira, 137 – São Paulo/SP

(Por Adriana Terra)

Veja a programação gastronômica do FAZ

A programação de comidinhas do FAZ está tão diversa quanto o evento, com bikes de comida na laje do prédio servindo de sanduíche de pernil a bruschettas e wraps. Na sexta-feira à noite, a Cafeteria servirá ainda hambúrguer (com opção vegana), coxinhas, cachorro quente com guacamole e focaccia.

Veja abaixo a programação completa:

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LAJE (sábado e domingo)
Graxá Food Bike (sanduíche de pernil) – facebook.com/graxafood
Bruschetteria (bruschettas) – facebook.com/nabikebruschetteria
Smore’s (sanduiche de cookie) – facebook.com/smoresbrasiloficial
Pegleve (wraps saudáveis) – facebook.com/PegLeve-1004925592862103

CAFETERIA

Para comer
Coxinha de mandioquinha, carne seca e catupiry R$ 8
Coxinha de batata doce, espinafre e queijo de cabra R$ 8
Coxinha de inhame, shitake e gengibre R$ 8 (vegano)

Foto: Tadeu Brunelli
Foto: Tadeu Brunelli

Somente na sexta-feira
Empada (vegetariana ou frango) R$ 6
Focaccia de abobrinha, tomate e tapenade R$ 14 (vegano)
Hamburguer vegano, homus, broto de feijão e hortelã R$ 22 (vegano)
Hamburguer de fraldinha, cheddar, cebola crocante, verdes e tomate confit R$ 22
Cachorro quente com guacamole e taco R$ 15
Brigadeiro R$ 4
Cupcake R$ 6 (com opção vegana)

Para beber
Red Bull R$5

Red Bull Station Cocktails (com álcool R$ 17)
Moscow Bull – Vodka, xarope de de gengibre, limão, angostura, Red Bull Energy Drink
Cranberry Spritz – Aperol, laranja, Red Bull Cranberry
Mojito Lime – Rum, hortelã, limão, Red Bull Lime
Red Bull Iced Tea – Vodka, gin, rum, cointreau, limão, Red Bull Energy Drink
Sbagliato – Vermute Rosso, bitter, laranja, Red Bull Blueberry

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Red Bull Twist R$ 10 (sem álcool)
Uva Twist – Uvas Niágara, limão, manjericão, Red Bull Cranberry
Gengibre Twist – Xaropoe de gengibre, limão, angostura, Red Bull Energy Drink
Mojito Lime – Rum, hortelã, limao, Red Bull Lime

Soft drinks:
Água R$ 5
Refrigerante R$ 5
Café expresso R$ 4,50
Sucos R$ 7 (Limão, hortelã, gengibre e açúcar de coco OU frutas vermelhas com manjericão e baunilha)

Cervejas (long neck):
Miller R$ 9
Oak Bier R$ 15
Capitu (310ml) R$16

Doses:
Absolut R$ 15
Jameson R$ 15
Gin Beefeater R$ 15
Cachaça R$ 10

Conheça os projetos selecionados para mostra no FAZ – Festival de Cultura Maker

Além de uma série de oficinas, apresentação de espaços hacker e de inovação, programação gastronômica, palestra e show, o Red Bull Station vai receber também uma mostra de projetos maker durante o FAZ.

Foram 21 selecionados via convocatória aberta, que se deu em setembro, para exibir suas ideias, produtos ou protótipos no sábado (15) e no domingo (16) de festival.

Confira abaixo os projetos escolhidos e seus autores — em caso de impossibilidade de apresentação de algum durante o evento, serão convocados suplentes.

Abrigo de Emergência (Kevin Alves de Carvalho)
Bangboo (Coletivo Máquina Tudo)
COBeer (Wagner Lucio)
Cloud Garden (Rafael Arevalo)
Colabora Comparte e Crie (Colectivo Dinámico Lab)
Cozinha Pirata Móvel Sol de Noite (Ingrid Rocio Cuestas Sguerra)
Dechavadores Elétricos Grinder (Juliano Lopes dos Santos)
Eletroartesanato (um lugar onde resguardar-se até que exploda a bolha maker) (Jorge Crowe)
Hackaton Paulista -Mobiliários Urbanos Portáteis (Maria Augusta Bueno)
Hornero Migratório (Francisco Lapetina)
HyperSax – Saxofone Extendido por meio de Eletrônica (Gustavo Nishihara)
ILUME – Instalação Open Source (Igor Abreu)
LambeBuceta (Karen Tiemi Franzese Kawagoe)
LCLE – Hardware Livre para WetLabs (Bruno Rafael Arico, Eduardo Padilha Antonio e Rita Wu)
Microduíno – Everyone is an Inventor (Gustavo Chien)
midiGita (Artur Vasconcelos Cordeiro)
Togotoy (Giulia Yosue Kawakami Pereira e Vitor Yamashita Akamine)
Recicladora de Filamentos 3D de Mesa (Francisco Martins Carabetta)
Robôs de Resgate com Arduíno (Roselito Ferreira Gonçalves)
Tensegrindo Conexões entre Geometria e Corpo (Fabiano Gonçalves)
Universum – Fora da Caixa (Wandré Gouveia do Carmo Ananais)