Veja como foi a abertura de “Construção de Valores” e “Aceita?”

Inaugurando nossa programação de 2017, no último sábado (4) ocorreu a abertura das exposições “Construção de Valores”, de André Komatsu, e “Aceita?”, de Moisés Patrício, com apresentação do bloco afro feminino Ilú Obá de Min.

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A instalação de Komatsu ocupa a Galeria Principal do prédio. Nela, o artista apresenta um conjunto de mais de 700 mil cópias, entre imagens e verbetes de dicionário, empilhadas em 62 torres rigorosamente organizadas no espaço. As imagens foram extraídas de meios de comunicação, e dentre os verbetes se encontram palavras como ordem, poder, estrutura, sistema, território e estado. Ventiladores ligados no entorno dessas “edificações” desestabilizam as pilhas, rearticulando imagens e verbetes em novos conjuntos, nos convocando a refletir sobre as estruturas que moldam a sociedade. Leia aqui entrevista com o artista.

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“Aceita?” fica na Galeria Transitória e é uma série que Moisés Patrício vem desenvolvendo desde 2013 para as redes sociais. Artista negro, morador da periferia de São Paulo e praticante do candomblé, Patrício produz religiosamente uma imagem por dia como forma de documentar o seu cotidiano e refletir sobre a sua condição na cidade. As imagens são meticulosamente projetadas e têm a mão aberta do artista como oferenda principal, sempre relacionada a frases que escuta ou a objetos que Patrício encontra em seu trajeto pela cidade. No vídeo abaixo, o artista fala sobre o trabalho.

Veja na galeria a seguir fotos da abertura, que encerrou com uma apresentação do Ilú Obá de Min. As mostras ficam até 4 de março em cartaz por aqui e, assim como toda a programação do espaço, têm entrada gratuita.

Fotos: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

Diferentes trajetórias se encontram na mostra da 12ª Residência Artística

Desde o último dia 2 de julho está em cartaz a exposição da 12ª Residência Artística do Red Bull Station, apresentando os trabalhos desenvolvidos pelos seis residentes durante o período em que ocuparam os ateliês do prédio, entre maio e junho passados.

Abaixo, eles falam um pouco sobre o processo e as obras criadas, assista:

Vídeo: Filmes para Bailar | Trilha original: Aeromoças e Tenistas Russas e Jovem Palerosi

***Mostra prorrogada até 13/8.

Para o curador Fernando Velázquez, a proposta é falar das artes visuais de uma forma ampla. “O encontro de artistas de diferentes trajetórias causa uma discussão interessante e levanta o debate sobre o que é arte”, diz ele.

Diferente de edições anteriores, nas quais os artistas permaneciam quatro meses no espaço, nesta edição a estadia foi de 50 dias. “Esta restrição espaço-temporal conforma o primeiro índice para o diálogo com as obras e os processos apresentados”, explica Velázquez.

Giuliano Obici com seu fone de concreto diante da "enchente" de monitores | Foto: Lost Art / Red Bull Content Pool
Giuliano Obici diante da “enchente” de monitores | Foto: Lost Art / Red Bull Content Pool

Dois dos residentes trabalharam com a ideia dos rios que passam sob o prédio: o paranaense Giuliano Obici construiu uma instalação provocando uma “enchente” audiovisual com monitores, parte do projeto que ele chamou de “Intensidades Brutalistas”, influenciado pelo seu reencontro com o centro de São Paulo. Já a mineira Carolina Cordeiro aproximou sua experiência com rios no Norte do Brasil com os soterrados córregos paulistanos, pensando em processos de cura — a obra foi desenvolvida após a artista ter criado uma série inspirada na atual conjuntura política do país, misturando fotografias jornalísticas e espelhos, em exposição em um dos ateliês.

Detail view of artist Carolina Cordeiro's "Untitled" artwork in the Main Gallery at Red Bull Station’s 12th Artistic Residency Exhibit in Sao Paulo (Brazil) on july 2, 2016.
Os vidrinhos de ‘líquidos de cura’ do PA inspiraram obra de Carolina Cordeiro | Foto: Lost Art / Red Bull Content Pool

O alemão Anton Steenbock exibe, na Galeria Transitória (2º andar do prédio), uma intervenção que é parte de seu projeto Da Silva Brokers, criando uma exposição de artistas fictícios. Além deste trabalho, ele mostra uma instalação na qual as tensões do mercado financeiro são evidenciadas, exposta na Galeria Principal, no térreo. Enquanto isso, Janaína Miranda (DF) desenvolveu um trabalho partindo da relação entre nomes e objetos, catalogando frutas e suas curiosas etiquetas, e reunindo em uma publicação fotografias de galerias de presidentes descobertas em pesquisas online.

O suíço Luca Forcucci mostra um manifesto que se conecta com sua pesquisa acerca do trabalho do poeta Blaise Cendrars, seu conterrâneo que fez um percurso pelo interior do Brasil ao lado de modernistas na década de 1920 (trajeto que Luca refez, em partes, nos últimos anos). Além desta obra, ele apresenta um site-specific em um dos ateliês que procura traduzir a paisagem sonora do entorno em imagens — o som costuma ser o ponto de partida do processo criativo do artista.

Artist Luca Forcucci's installation "Utopialand" in the Main Gallery at Red Bull Station’s 12th Artistic Residency Exhibit in Sao Paulo (Brazil) on july 2, 2016.
“Utopialand”, de Luca Forcucci, colagem com textos de Oswald de Andrade baseada nas inspirações de Cendrars | Foto: Lost Art / Red Bull Content Pool

Já o paulistano Raphael Escobar investigou, ao longo da residência, como fabricar cachaça ao estilo da Maria-Louca, bebida criada nas penitenciárias com processos elaborados de fermentação e destilação. Ele construiu, então, um alambique caseiro e disponibiliza a pinga criada ali, divulgando entre populações de rua onde conseguir a bebida de graça. O trabalho se conecta com pesquisa na qual o artista procura destacar situações do cotidiano que evidenciam as estruturas de poder na cidade — arte-educador, ele investiga como a criação de redes de solidariedade e afeto, sobretudo em torno de grupos em estado de vulnerabilidade social, pode ajudar na inclusão.

A exposição tem entrada gratuita, como toda a programação do Red Bull Station, e ocupa as duas galerias (Principal e Transitória) e alguns dos ateliês do prédio. A visitação pode ser feita de terça a sexta, das 11h às 20h, e aos sábados, das 11h às 19h, até 13 de agosto (a mostra, que iria até dia 30/7, foi prorrogada).

Em “Diário do Busão”, artista traz à tona discursos de alunos em visitas culturais

Exposição "Diários do Busão", de Diogo de Moraes | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Exposição “Diário do Busão”, de Diogo de Moraes | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

“Ao entrar no ambiente expositivo, a professora ordena ao grupo: ‘Mãos para trás!’”.

“A garota pergunta: ‘Por que tudo é branco?’”.

“Professora: ‘Lá no Instituto Tomie Ohtake não vai poder tocar em nada’. Aluna: ‘Nem no chão? E como é que a gente vai andar por lá?’”.

Essas são algumas das situações que o artista Diogo de Moraes apresenta na exposição “Diário do Busão: Visitas Escolares a Instituições Culturais”, série de registros e transcrições que busca amplificar “outros discursos” no universo da arte e da educação. A mostra fica de 11 a 25 de junho em cartaz na Galeria Transitória do Red Bull Station.

Em um projeto que é parte de seu mestrado, o artista vem acompanhando visitas de estudantes da rede pública a museus e instituições culturais. A mostra traz um recorte desse processo, com desenhos e escritos baseados em imersões feitas há cerca de um ano.

Exposição "Diários do Busão", de Diogo de Moraes | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Exposição “Diário do Busão”, de Diogo de Moraes | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

Apresentando reações de estudantes diante das falas de professores, dos códigos sociais das instituições e das próprias obras, Diogo coloca em questão a forma como se dá a política de acesso cultural.

“A ideia do projeto é criar uma certa fricção entre a perspectiva da democratização calcada na difusão — pensando num lema, a ‘distribuição para muitos do que é produzido por poucos’ — e a da democracia cultural, que aí daria para pensar nesse lema de uma forma modulada, a ‘distribuição para muitos do que é produzido por muitos’. E então entram esses códigos, essas linguagens menos veiculadas pelas instituições de arte”, diz.

O projeto tem base na própria experiência do artista, que já trabalhou com mediação e hoje lida com pesquisa e programação cultural.

Detalhe de um dos registros da mostra | Foto: Felipe Gabriel
Detalhe de um dos registros da mostra | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

“É notável ao acompanhar esses grupos de estudantes como isso acaba emergindo no momento de encontro entre essa produção tida como legítima e aquilo que esses adolescentes manifestam que faz parte do seu referencial. Minha intenção ao fazer esse trabalho, em hipótese alguma, é reorientar essas formas de comportamento pra que elas sejam enquadradas no que as instituições têm a oferecer, como se precisassem ser redirecionadas. Meu lance no trabalho é me abster disso, justamente tentar dar vazão e conferir alguma linguagem pro que aparece de menos encontrado com a expectativa institucional”, explica.

Na mostra, os locais visitados são listados, mas as escolas de origem dos alunos aparecem com nomes fictícios, a fim de não expor os professores. Os desenhos são feitos com base em fotografias aleatórias encontradas em pesquisas na Internet usando termos anotados durante as visitas. Diogo leva apenas um caderninho e vai escrevendo o que lhe chama a atenção.

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“‘Diário do Busão’ tem a pretensão de funcionar menos como uma obra e mais como um agenciamento. Tem um músico que admiro, Lívio Tragtenberg, que diz que os sambistas fazem um tráfico cultural. O trabalho pega um pouco carona nessa concepção, tenta produzir essas aberturas em que outros discursos podem aparecer. Nesse caso o dos escolares, público que — tendo em vista a forma de financiamento e de justificar socialmente a importância dos projetos — muitas vezes assume um papel chave, mesmo não estando a par disso”, coloca.

“Embora os departamentos educativos levantem a bandeira do diálogo, em que medida esses diálogos, que de fato acontecem, voltam pra instituição? Ao identificar essa lacuna, esse descuido ou esse desinteresse pelos discursos dos públicos que tento fazer essa provocação”, resume o artista.

Detalhe de um dos registros da mostra | Foto: Felipe Gabriel
Detalhe de um dos registros da mostra | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

Veja o serviço completo da exposição e, aqui, conheça mais sobre o trabalho de Diogo.

(Por Adriana Terra)

Conheça os selecionados para a 12ª Residência Artística

Carol Cordeiro (MG), Giuliano Obici (PR; vive no RJ), Janaina Miranda (DF), Raphael Escobar (SP) e os estrangeiros Anton Steenbok (Alemanha; vive no RJ) e Luca Forcucci (Suíça) serão os novos ocupantes dos ateliês do Red Bull Station a partir de 11 de maio.

Selecionados dentre 1.093 inscritos, eles estarão imersos no programa até 1º de julho de 2016, em uma espécie de laboratório onde poderão adquirir experiências e potencializar suas criações.

::Veja como foi a 11ª edição

Fernando Velázquez, assim como no último ano, é quem assina a direção artística do espaço. Além dele, o artista Divino Sobral e a curadora Marta Mestre compõem o júri responsável pela escolha da nova turma.

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A artista Janaína Wagner trabalha em seu ateliê na 11ª Residência | Foto: Lost Art / Red Bull Content Pool

Além do programa de residência em si, também estão previstos no cronograma dos participantes studio visits, palestras, workshops, exposições e outras atividades.

Veja abaixo a nota do júri sobre a seleção e conheça o corpo de curadores que escolheu os artistas para a residência.

Nota do júri

No processo de seleção para a 12ª Residencia Artística do Red Bull Station, o júri levou em consideração a amplitude das pesquisas apresentadas pelos artistas com base nos portifólios e na possibilidade de expansão das mesmas durante o período de residência.

Pontuou-se a inquietação poética, comprometida com os problemas do mundo contemporâneo, a capacidade de dialogar com a paisagem geográfica, política e social da residência e, na medida do possível, a diversidade geográfica brasileira.

Procurou-se também evitar qualquer tipo de hierarquização relativamente às mídias seleccionadas, valorizando a capacidade de realizar cruzamentos entre diferentes áreas disciplinares, especulando sobre a potencialidade para experimentação com diferentes materiais, tecnologias e procedimentos.

Por último, com o objetivo de compor um grupo heterogêneo e com potencialidade para realizar trocas, atentou-se para a seleção de artistas em diferentes estágios do percurso.

Fernando Velázquez, Divino Sobral, Marta Mestre

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Fernando Velázquez, curador e diretor artístico do Red Bull Station – De Montevidéu, Uruguai, Velázquez é artista multidisciplinar. Suas obras incluem vídeos, instalações e objetos interativos, e performances audiovisuais. Doutorando em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, Mestre em Moda, Cultura e Arte pelo Senac-SP, participa de exposições no Brasil e no exterior com destaque para a Emoção Art.ficial Bienal de Arte e Tecnologia (Brasil, 2012), Bienal de Cerveira (Portugal, 2013 e 2011), Mapping Festival (Suiça, 2011), WRO Biennale (Polônia 2011), On_off (Brasil, 2011), Bienal do Mercosul (Brasil, 2009), Bienal de Tessalônica (Grécia, 2009), Bienal Ventosul (2009), e o Pocket Film Festival no Centro Pompidou (Paris, 2007). Obteve dentre outros o Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia (Brasil, 2009), Mídias Locativas Arte.Mov (Brasil, 2008), “2008, Culturas” e o Vida Artificial (ambos na Espanha, 2008). Foi curador do Motomix 2007, Papermind Brasil, Dorkbot São Paulo e do Projeto !wr?. Professor da PUC_SP, vive e trabalha em São Paulo.

Divino Sobral de Sousa – O artista visual e desenhista nasceu em Goiânia, em 1966. Autodidata, desenvolve trabalhos como pesquisador e curador independente. Escreve textos críticos publicados no Brasil e no exterior. Sua obra, que transita entre desenho, pintura, escritura, objeto, escultura, instalação e performance, reúne elementos de sua memória pessoal entrelaçados com a mitologia – como um modo de estabelecer metáforas de um controle imaginário do tempo e do espaço – e com a história – quase como uma reconstituição da estética medieval. Em suas instalações, incorpora cordões fiados a partir de cabelos com os quais tece redes; livros que imobiliza (fossiliza) pela imersão em cera; roupas que são ora oxidadas, ora bordadas, formando estampas que parecem reproduzir textos sobre o tecido; e, algumas vezes, incorpora suas narrativas textuais que se inscrevem como desenhos.

Marta Mestre (Portugal, 1980) – A portuguesa radicada no Rio de Janeiro é graduada em História da Arte, com mestrado em Cultura e Comunicação. Coordenou e programou o Centro de Artes de Sines (Portugal, 2005-08) e foi curadora assistente do MAM-Rio. Como crítica de arte, publicou nas revistas ArteyParte, Dardo, RawArt, Arte Capital, Concinittas, Kaleidoscope e Buala. Iniciou a curadoria em 2005 (seleção): “Ngola Bar – Kiluanji Kia Henda” (2007); “A situação está tensa mas sob controlo” (Artecontempo, Lisboa, 2008); “Estado de Atenção” (Casa da Cerca, Almada, 2019); “Terceira Metade: Atlantico Sul” (MAM-Rio, 2011), “Se tudo é humano, tudo é perigoso” (Laboratório Curatorial, SPArte, SP, 2012), “Arquivo Aberto: 1983-97” (Centro Sérgio Porto, Rio de Janeiro, 2012), “Deus não Surfa” (Rio de Janeiro, 2013), “Mundos Cruzados” (MAM-Rio, 2014), “Lourival Cuquinha: territórios e expansões” (MAM-Rio, 2014), “Resistir ao passado, ignorar o futuro e a incapacidade de conter o presente”, de Vijai Patchineelam (MAM-Rio, 2014), “Ações, estratégias e situações” (MAM-Rio, 2015); algumas em colaboração. Foi uma das curadoras (2010-2012) da editora portuguesa Ymago que publica Rancière, Didi-Huberman, Belting e Warburg, e uma das dinamizadoras de Ações Curatoriais, encontro de curadores e artistas realizado em Florianópolis, no ano de 2014.

Giselle Beiguelman fala sobre arte, cidade e tecnologia

A artista e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), Giselle Beiguelman vem ao Red Bull Station nesta quarta-feira (18) falar sobre urbanismo open source, uma proposta de transformação urbana mais colaborativa e aberta, com o uso das redes.

A artista  digital e professora da FAU-USP Giselle Beiguelman
A artista digital e professora da FAU-USP Giselle Beiguelman

A palestra integra a programação paralela da Residência do Red Bull Basement, programa de produção, pesquisa e difusão de projetos que exploram formas colaborativas de experimentação com mídias digitais e tem curadoria de Gisela Domschke. 

Aproveitando a sua visita, fizemos quatro perguntas sobre temas que permeiam arte contemporânea, espaço urbano e tecnologia.

São Paulo parece viver um momento de querer se reapropriar de sua cidade. O que mudou dos últimos tempos para cá?
Fizemos o download da internet, como disse o André Lemos. E isso nos permitiu tomar conta da arquiterface, eu diria. A rede somos nós. O desafio agora é aprender o “Do it Yourself  With the Others”, bem mais difícil que o individualista “DIY” (Do it Yourself, Faça você mesmo). 

Na sua visão, como as tecnologias digitais podem reinventar a forma de se viver na cidade hoje?
As cidades contemporâneas foram expandidas pelas tecnologias digitais. Elas permitiram a ocupação de fachadas com telas e acesso, via aplicativos, a informações que vão do fluxo do trânsito ao mapeamento de remoções decorrentes de obras públicas. Se, ao longo dos anos 1990, os especialistas discutiam como apropriar-se das redes para tornar a cidade mais interativa, hoje, com a capilarização da tecnologia, a aposta é em como utilizá-las para interferir no cotidiano das cidades.

A discussão sobre “cidades inteligentes” cede, assim, espaço para a de cidadania, reinventando as formas de ocupar as ruas e as próprias noções de política urbana. Não se trata mais de apenas planejar e regrar o espaço coletivo, mas, sim, de como mobilizar para que essas regras sejam fluidas o suficiente para constituir e reconstituir o uso comum, conforme as necessidades do momento.

Como você vê a cultura hacker?
Na perspectiva de André Gorz que em O Imaterial definiu os hackers como os “dissidentes do capitalismo digitalismo”, aqueles que são capazes de operar na sua infraestrutura e redirecionar os seus vetores e processos.

Você participa da mostra Arquinterface, que tem obras digitais projetadas a céu aberto, no prédio da Fiesp. Na sua opinião, a arte em locais públicos como esse pode servir como um gatilho para uma nova percepção do espaço urbano?
Com certeza. O espaço urbano  é um espaço de interconexão das redes on e off-line e de suas dimensões políticas, estéticas e socioculturais. Isso nos faz entender as cidades como expandidas e espaços emergentes e de emergência. Nesse contexto, a arquinterface torna-se um lugar não de interação com telas, mas com os dados no espaço público, um lugar de participação mediada e de configuração de um novo território de partilha simbólica e de percepção dos fluxos contemporâneos.

Saiba mais sobre a palestra que acontece hoje, às 20h, no Red Bull Station. Entrada livre