Veja como foi a abertura de “Construção de Valores” e “Aceita?”

Inaugurando nossa programação de 2017, no último sábado (4) ocorreu a abertura das exposições “Construção de Valores”, de André Komatsu, e “Aceita?”, de Moisés Patrício, com apresentação do bloco afro feminino Ilú Obá de Min.

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A instalação de Komatsu ocupa a Galeria Principal do prédio. Nela, o artista apresenta um conjunto de mais de 700 mil cópias, entre imagens e verbetes de dicionário, empilhadas em 62 torres rigorosamente organizadas no espaço. As imagens foram extraídas de meios de comunicação, e dentre os verbetes se encontram palavras como ordem, poder, estrutura, sistema, território e estado. Ventiladores ligados no entorno dessas “edificações” desestabilizam as pilhas, rearticulando imagens e verbetes em novos conjuntos, nos convocando a refletir sobre as estruturas que moldam a sociedade. Leia aqui entrevista com o artista.

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“Aceita?” fica na Galeria Transitória e é uma série que Moisés Patrício vem desenvolvendo desde 2013 para as redes sociais. Artista negro, morador da periferia de São Paulo e praticante do candomblé, Patrício produz religiosamente uma imagem por dia como forma de documentar o seu cotidiano e refletir sobre a sua condição na cidade. As imagens são meticulosamente projetadas e têm a mão aberta do artista como oferenda principal, sempre relacionada a frases que escuta ou a objetos que Patrício encontra em seu trajeto pela cidade. No vídeo abaixo, o artista fala sobre o trabalho.

Veja na galeria a seguir fotos da abertura, que encerrou com uma apresentação do Ilú Obá de Min. As mostras ficam até 4 de março em cartaz por aqui e, assim como toda a programação do espaço, têm entrada gratuita.

Fotos: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

André Komatsu fala sobre a instalação “Construção de Valores”

Com abertura neste sábado (4/fev), a instalação “Construção de Valores”, do artista paulistano André Komatsu, ocupa a Galeria Principal do Red Bull Station até março. O trabalho, que já foi exibido na Ucrânia, em Veneza (em uma colateral da Bienal), Portugal e na Eslovênia (30ª Bienal de Artes Gráficas da Ljubljana), será apresentado pela primeira vez no Brasil.

“Quando fui convidado para esse projeto, eu fiquei pensando muito nesse trabalho. Primeiro porque eu nunca tinha apresentado ele aqui no Brasil. E, segundo, porque fui pensando em toda a confusão política que a gente anda vivendo e achei que seria um trabalho bem pertinente para essa situação”, diz o artista.

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“Construção de Valores” apresenta um conjunto de mais de 700 mil cópias, entre imagens e verbetes de dicionário, empilhadas em 62 torres rigorosamente organizadas no espaço. As imagens foram extraídas de meios de comunicação, e dentre os verbetes se encontram palavras como ordem, poder, estrutura, sistema, território e estado. Na instalação, ventiladores industriais posicionados em volta dessas torres as desestabilizam, rearticulando imagens e verbetes em novos conjuntos, nos convocando a refletir sobre as estruturas que moldam a sociedade e a intensidade das dinâmicas que operam no intervalo entre projeto e realidade.

André conta que passou dois anos coletando na internet as imagens — fotos “de distúrbios, desordens políticias, econômicas, naturais e sociais”, explica. “A princípio eu não sabia o que fazer com elas, aí veio essa oportunidade de fazer [a instalação] na Ucrânia a primeira vez. Essas imagens estão relacionadas com outras palavras que coletei no dicionário, palavras-conceito, vários tópicos que podem definir a ideia de um sistema de uma maneira geral”.

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“A partir disso, eu formulei o trabalho configurando-o em uma espécie de edificação para cada bloco de informação, tanto imagem quanto palavras, e essas informações são colocadas de maneira hierárquica, vertical, sendo que cada pilha tem uma altura diferente, e elas ficam concentradas em um centro, configurando quase uma cidadela. Daí o trabalho meio que se enuncia e se auto-sabota quando são posicionados ventiladores no entorno, criando uma desordem natural, silenciosa, desconstruindo um pouco essa hierarquia, bagunçando esses papéis. Criando dentro de uma sala completamente dura, verticalizada, um segundo momento que é essa horizontalização da informação e dos dados”, explica ele.

“É um trabalho que, na verdade, não tenta colocar nada de novo, não tenta fechar muito também, porque eu acredito que a gente viva numa sociedade que acaba ditando muito as certezas, esse tempo contemporâneo da certeza do mundo, da verdade. E o trabalho tenta mais criar uma dúvida, ou uma outra possibilidade, e entender o sistema que a gente vive”.

A instalação tem abertura neste sábado, das 11h às 19h, junto a exposição “Aceita?”, de Moisés Patrício. O evento contará ainda com apresentação do bloco afro Ilú Obá de Min às 17h30 no local. Os trabalhos podem ser visitados até 4 de março.

(Por Adriana Terra)