9 lugares em SP onde o Carnaval não tem fim

O espírito carnavalesco parece ter tomado conta de vez da cidade. Neste ano, mais de 400 blocos sairão nas ruas de São Paulo entre 29 de janeiro e 14 de fevereiro. Mas por trás de toda a folia que movimenta o carnaval, há uma mistura de ritmos, danças e tradições que acontecem não apenas em fevereiro – ou, dependendo do ano, março. Pensando nisso, selecionamos alguns projetos, festas e estabelecimentos em São Paulo que celebram a cultura brasileira o ano inteiro:

Ilú Obá de Min

Integrantes do Ilú Obá de Min (Foto: Felipe Gabriel)
Integrantes do Ilú Obá de Min (Foto: Felipe Gabriel)

Para quem não sabe, o Ilú Obá de Min não é apenas um bloco, trata-se de uma associação que fomenta e resgata as culturas afro-brasileira e africana e desenvolve atividades para o fortalecimento individual e coletivo da mulher. A instituição oferece em sua sede, no centro da cidade, oficinas de percussão , aulas de dança afro, danças brasileiras, dentre outras atividades.

Grupo Madeira de Lei (Samba do Bixiga)

Quem nunca viu o samba amanhecer vai no Bixiga pra ver. O tradicional e boêmio bairro do Bixiga, no coração de São Paulo, tem um lugar na história do samba. Além de ser o lar de uma das maiores escolas da capital – a Vai-Vai -, a região é reduto de sambistas toda sexta-feira a partir das 19h, quando o Grupo Madeira de Lei se encontra para tocar Rua Treze de Maio, em frente a Paróquia Nossa Senhora Achiropita.

Festa do Santo Forte

A Santo Forte foi idealizada em 2005 pelo DJ e pesquisador musical Tutu Moraes quando ele percebeu uma carência nas noites paulistanas de festas voltadas para a música popular brasileira. Hoje, a Santo Forte é consagrada como uma das melhores festas alternativas da cidade, reunindo milhares de fãs preparados para dançar noite adentro a mistura de ritmos brasileiros garimpados por Tutu.  

Samba da Vela

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Samba da Vela (Foto: divulgação)

A Comunidade Samba da Vela é uma roda de samba em torno de uma vela – o show começa quando ela é acesa e termina quando ela se apaga. Fundada há 16 anos e com a cantora Beth Carvalho como madrinha, a roda é referência quando se trata de samba paulistano e responsável por revelar novos compositores do gênero. Os encontros acontecem toda segunda-feira, às 20h45, em Santo Amaro (Zona Sul), reunindo músicos e simpatizantes de todas as idades.

Grupo de Maracatu do Bloco de Pedra

O Bloco de Pedra é um grupo de Maracatu de Baque Virado composto pelos alunos do Projeto Calo na Mão. Seus músicos e dançarinos apresentam uma formação contemporânea desta manifestação cultural afro-brasileira que existe há mais de 200 anos. Os ensaios são abertos ao público e acontecem aos sábados, a partir das 15h, na Escola Estadual Profº António Alves Cruz, em Pinheiros (Zona Oeste).

Pilantragi

O DJ e promoter Rodrigo Bento, da Pilantragi
O DJ e promoter Rodrigo Bento, da Pilantragi

Sim, Pilantragi também não é apenas uma festa. Criado em 2012, o coletivo tem o objetivo de difundir a cultura brasileira por meio da música, arte e outras intervenções artísticas. Toda quinta-feira, no Mundo Pensante, o grupo promove uma festa voltada para os fãs da boa música brasileira, comandada pelo DJ Rodrigo Bento. Em 2013, a Pilantragi ganhou seu próprio bloco de carnaval, que desfila no bairro de Perdizes, na Zona Oeste.

Ó do Borogodó

O animado boteco da animada Vila Madalena (Zona Oeste) é parada obrigatória para quem gosta de samba – “e quem não gosta de samba, bom sujeito não é.” – O local abre todos os dias da semana e conta com uma programação de shows de MPB, rodas de samba e de choro.

Roda de Choro da Contemporânea

Na verdade, a Contemporânea é uma loja de instrumentos musicais localizada na Sta. Ifigênia, região central. Fundada em 1948, a loja é ponto de encontro de músicos e fãs de choro desde a década de 60. É lá onde acontece uma das principais rodas de choro da cidade, aos sábados, das 9h às 14h.

Vila Madalena

Mas se bater saudade daquela farra de carnaval, com gente nas ruas, muita brasilidade e um clima bem folião, há o célebre boêmio bairro da Vila Madalena. A maioria dos estabelecimentos abre de terça a domingo, mas é durante o final de semana que a área se torna uma verdadeira festa a céu aberto – é só dar uma volta e encontrar seu “bloco”.

AfroTranscendence tem inscrições abertas até 21 de setembro

O Red Bull Station recebe a primeira edição do AfroTranscendence, programa de imersão em processos criativos para promover a cultura afro-brasileira contemporânea, que acontece dias 8, 9 e 10 de outubro.

Criado pelo NoBrasil, plataforma de pesquisa e experimentos curatoriais, o objetivo do evento é estimular a troca de conhecimento gerando novas conexões, possibilidades e olhares a partir da união de saberes tradicionais e contemporâneos das culturas negras espalhadas pelo mundo.

Paulo Nazareth - Sem titulo, da serie Objetos para Tampar o Sol de Seus Olhos. Foto: divulgação
Paulo Nazareth – Sem titulo, da serie “Objetos para Tampar o Sol de Seus Olhos”. Foto: divulgação

O processo seletivo contemplará 20 pessoas que participarão gratuitamente de palestras, laboratórios, workshops e vivências artísticas. A proposta é trabalhar as tecnologias e saberes da cultura afro-brasileira com questões contemporâneas. Entre os temas abordados estão a memória e a ancestralidade, articulação em rede, local X global, diáspora wi-fi, além de discussões ligadas ao uso de mídias digitais e do espaço urbano.

A programação inclui ainda atividades abertas ao público, como palestras, video-conferências e exibição de filmes, e será divulgada dia 21 de setembro.

Na lista de mentores, estão nomes como Mãe Beth de Oxum, símbolo da cultura pernambucana que falará sobre o Coco da Umbigada, o mineiro Paulo Nazareth, um dos mais importantes artistas brasileiros da atualidade, e o músico Tiganá Santana, que falará sobre sua pesquisa em uma “palestra cantada”.

As inscrições podem ser feitas pelo site do NoBrasil até 21 de setembro.