11ª turma de Residência Artística exibe obras até 21 de novembro

Antônio Ewbank, Janaina Wagner, Júlio Parente, Maura Grimaldi, Martin Reiche e Tomaz Klotzel apresentam em mostra coletiva parte das pesquisas e projetos desenvolvidos durante quatro meses como integrantes do programa de Residência Artística. Aberta ao público no sábado (31 de outubro), a exposição fica em cartaz até 21 de novembro.

Gallery at the 11th Artist Residency Exhibit Opening at Red Bull Station in Sao Paulo, Brazil, on october 31, 2015.

Para o curador e diretor artístico do Red Bull Station, Fernando Velázquez, foram tempos de investigação, produção e intercâmbio intenso. Além do aprofundamento das pesquisas individuais e das trocas entre si, o grupo teve nesse período visita dos curadores Galciani Neves e Christine Melo e dos membros do juri que participaram da seleção: Lucas Bambozzi e Renan Araújo.

Uma novidade nesta edição, foi a convivência com os residentes do Red Bull Basement, programa que incentiva a produção, pesquisa e difusão de iniciativas que exploram o uso criativo e colaborativo de tecnologias digitais.

Julio Parente's "Ha Duvidas Sobre o Futuro?" ("Are there Doubts About the Future?") installation at the 11th Artist Residency Exhibit Opening event at Red Bull Station in Sao Paulo, Brazil on october 31, 2015.
“Há dúvida sobre o futuro?”, de Júlio Parente – Projeção e luz tubular

Com visitação gratuita, a exposição ocupa diferentes espaços do edifício: as galerias principal e transitória, o subsolo e os ateliês dos artistas.

Antônio Ewbank trabalha sempre com parceiros, em parte por gostar do convívio, mas também pelo desafio de lidar com outras perspectivas. A materialização do seu pensamento em obra se apresenta como uma experiência particular, já que o desafio de dar sentido ao conjunto costuma levar ao fracasso. Na coletiva, ele apresenta trabalhos desenvolvidos com o projeto AcE.

"a comida do futuro será a comido do passado", AcE
“a comida do futuro será a comida do passado”, AcE

Por sua vez, Janaina Wagner pesquisa as diversas formas de transformação da natureza decorrentes da ação do homem, no desejo em domesticá-la. A noção de progresso traz consigo um embate entre natureza e civilização que coloca em evidência situações e processos paradoxais, por vezes bizarros, que funcionam como combustível para sua pesquisa. Quanto mais o homem domina a natureza mais se distancia dela e, para a artista, é nessa busca pelo domínio do incomensurável que o ser humano manifesta a sua essência.

"Civilização (bombinhas), de Janina Wagner - carvão, tela de arame e fotografia
“Civilização (bombinhas), de Janina Wagner – carvão, tela de arame e fotografia
"Civilização (casa de pau a pique)", de Janaina Wagner - carvão, carbono e fita crepe sobre tela de algodão
“Civilização (casa de pau a pique)”, de Janaina Wagner – carvão, carbono e fita crepe sobre tela de algodão

Júlio Parente investiga a relação entre natural e artificial em obras em que a representação da natureza é transfigurada por artifícios tecnológicos. Revisitando estéticas passadas com recursos visuais simples aliados à técnica do “vídeo-mapping”, o artista cria ambientes e instalações não narrativas, nas quais desenha experiências sensoriais.

Sua prática tem uma característica multidiciplinar; Júlio transita da cenografia a arte em espaços públicos. “Cheguei com uma bagagem variada, mas sem muita experiência no circuito de galerias e museus. Durante a residência, meu trabalho artístico foi ganhando corpo e comecei a desenvolver uma pesquisa de transformar espaços da galeria em lugares imersivos”, ele conta.

“A arte conceitual tem uma espécie de enigma a ser desvendado, como um jogo de perguntas e respostas que vai além da sensação do trabalho. Não me interesso por isso, e sim pela experiência do espectador, em imergi-lo em uma atmosférica mais onírica, mais poética, sem propor um lugar para chegar- não existe um conceito que irá destrancar a obra”, completa.

"Céu incerto", de Júlio Parente
“Céu incerto”, de Júlio Parente
"Céu oncerto" , de Julio Parente - Instalação multimídia e peça para três televisões
“Céu oncerto” , de Julio Parente – Instalação multimídia e peça para três televisões

Martin Reiche é formado em ciências da computação, possível razão do seu interesse pelo “virtual”, entendido como o fluxo e tráfego de dados. Sua pesquisa indaga a carga conceitual, política e estética deste fenômeno contemporâneo que tem ganhado as mais diversas formas: dos cabos de fibra ótica que atravessam o planeta filtrando e distribuindo informações até as interfaces de controle remoto de veículos de guerra não tripulados.

"BNC B", de Martin Reiche - Instalação escultórica pós-digital
“BNC B”, de Martin Reiche – Instalação escultórica pós-digital
"Scanline I - Aleppo", "Scanline II - Baghdad" , "Scanline III -Tripoli", de Martin Reiche - gravuras sobre vidro, impressão em papel digital
“Scanline I – Aleppo”, “Scanline II – Baghdad” , “Scanline III -Tripoli”, de Martin Reiche – gravuras sobre vidro, impressão em papel digital

Maura Grimaldi deu continuidade a sua investigação acerca da fotografia e da imagem projetada. Em sua produção atual convergem e dialogam três interesses específicos: a conceituação de imagem, o universo da linguagem técnica: os processos envolvidos na sua concepção, produção e reprodução e a imagem como experiência mágica e reveladora

“O período de residência propiciou metodologias de pesquisas diversas para analisar esses três campos e suas práticas, como experimentações químicas em laboratório, construções de maquinários, visitas a centros espirituais importantes no Brasil, produção de materiais fotográficos, gráficos e sonoros, aprofundamento em obras literárias, dentre outros”, afirma a artista.

"Aparições: Painel de Controle / Documentos / Morel / Abadiânia, de Maura Grimaldi - construção de painel de controle para três projetores e sistema de reprodução de imagens em diapositivos.
“Aparições: Painel de Controle / Documentos / Morel / Abadiânia, de Maura Grimaldi – construção de painel de
controle para três projetores e sistema de reprodução de imagens em diapositivos.

 A pesquisa de Tomaz Klotzel se expande na articulação de três tópicos principais: tempo, morte e rito. Interessam-lhe especialmente as diversas maneiras de entender e representar o tempo, seja voltando a lugares da infância ou inventariando a história familiar. Seus rituais introspectivos manifestam camadas de experiência/memória, arqueologia pessoal que busca dar novo sentido a objetos e coisas.

"Meteora", de Tomaz Klotzel - Impressão a jato de tinta a partir de negativos 35mm. Objetos de acervo pessoal. Objetos recolhidos em sítio arqueológico. Cristais, espelhos, lanternas, mancebos adaptados, turmalina negra.
“Meteora”, de Tomaz Klotzel – Impressão a jato de tinta a partir de negativos 35mm. Objetos de acervo pessoal.
Objetos recolhidos em sítio arqueológico. Cristais, espelhos, lanternas, mancebos adaptados, turmalina
negra.
"Meteora", de Tomaz Klotzel
“Meteora”, de Tomaz Klotzel
"Meteora" , de Thomaz Klotzel - instalação
“Meteora” , de Thomaz Klotzel – instalação

FOTOS: LOST ART/ RED BULL CONTENT POOL

Abertura da Galeria Transitória da 11ª Residência Artística e exposição de Rodrigo Sassi

No último sábado (15), o Red Bull Station inaugurou duas exposições simultâneas, a primeira mostra da 11ª turma de Residência Artística e o site-specific “Tudo aquilo que eu lhe disse antes mas nem eu sabia”, do artista paulistano Rodrigo Sassi.

“Tudo aquilo que eu lhe disse antes mas nem eu sabia”, de Rodrigo Sassi,
“Tudo aquilo que eu lhe disse antes mas nem eu sabia”, de Rodrigo Sassi,

A coletiva reúne pesquisas e trabalhos recentes dos seis novos residentes: Antônio Ewbank, Janaina Wagner, Júlio Parente, Maura Grimaldi, Martin Reiche e Tomaz Klotzel. O grupo foi selecionado por meio de edital pelo curador e diretor artístico do Red Bull Station, Fernando Velázquez, e pelos artistas e curadores Lucas Bambozzi e Renan Araújo.

Veja aqui algumas fotos do dia:

SÃO PAULO, SP, BRASIL, 15-08-2015: Aberturas da Galeria Transitória da 11ª Residência Artística na Red Bull Station. (Foto: Lucas Lima/Red Bull)
“a comida do futuro será a comida do passado”, de AcE  (2015) // Foto: Lucas Lima
Foto: Lucas Lima
“A invenção de Morel”, de Maura Grimaldi (2015) // Foto: Lucas Lima
"Aviso de Incêndio (Aqui, Agora)", de Janaina Wagner (2015) // Foto: Lucas Lima
“Aviso de Incêndio (Tobogã Onda de Fogo)”, de Janaina Wagner (2015) // Foto: Lucas Lima
Foto: Lucas Lima
Foto: Lucas Lima
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“intempesta”, de Tomaz Klotzel (2015) // Foto: Lucas Lima
"A confusão das línguas",  de Júlio Parente (2015)
“A confusão das línguas”, de Júlio Parente (2015)
"Ghost I", de Martin Reiche (2015)
“Ghost I”, de Martin Reiche (2015)
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 15-08-2015: Aberturas da Galeria Transitória da 11ª Residência Artística na Red Bull Station. (Foto: Lucas Lima/Red Bull)
Foto: Lucas Lima
"Meteora", de Tomaz Klotzel (2015) // Foto: Lucas Lima
“Meteora”, de Tomaz Klotzel (2015) // Foto: Lucas Lima
“Aviso de Incêndio (Aqui, Agora)”, de Janaina Wagner (2015) // Foto: Lucas Lima
"06 projetos de referência para pesquisa", de Maura Grimaldi (2013-2015)
“06 projetos de referência para pesquisa”, de Maura Grimaldi (2013-2015)
Fotos: Lucas Lima
Foto: Lucas Lima
"A confusão das línguas", de Júlio Parente (2015)
“A confusão das línguas”, de Júlio Parente (2015)
Foto: Lucas Lima
Foto: Lucas Lima
Foto: Lucas Lima
Foto: Lucas Lima
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 15-08-2015: Aberturas da Galeria Transitória da 11ª Residência Artística na Red Bull Station. (Foto: Lucas Lima/Red Bull)
Foto: Lucas Lima

Edital 11ª Residência Artística

Estão abertas as inscrições para a próxima edição da Residência Artística, prevista para acontecer de julho a outubro deste ano. Os seis novos residentes serão selecionados por um juri formado pelos curadores Fernando Velázquez e Renan Araujo, e pelo artista Lucas Bambozzi. O edital se estende até 25 de Abril (23h59 – horário de Brasília) e o resultado será comunicado em 10 de Maio.

Residência Artística do Red Bull Station é uma plataforma permanente que incentiva e apoia a formação e produção de arte contemporânea. Com duração de dezesseis semanas corridas, o projeto conta com duas exposições  – uma no início, na Galeria Transitória, e outra ao final da residência, na galeria principal – e oferece também uma programação paralela, com encontros, palestras, oficinas, leituras de portfólio, ateliê aberto e o acompanhamento do curador Fernando Velázquez. 

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