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Pulsø 2016 lança coletânea com 14 faixas produzidas em um mês; ouça

09jun

por Red Bull Station

Em abril passado, seis grupos reunindo 30 músicos de diferentes cantos do Brasil se encontraram no centro de São Paulo para criar novos sons. Um dos motes do #PULSØ2016, ocupação musical que aconteceu em sua 2ª edição no Red Bull Station, era mesmo encurtar a distância entre regiões e sonoridades.

Rappers de São Paulo que se somaram a um beatmaker de Petrópolis (RJ); artistas de Salvador reunidos pelo integrante do BaianaSystem Filipe Cartaxo; gente de Goiânia, Minas Gerais e Rio — coletivo organizado por Macloys Aquino, do Carne Doce; músicos vindos do Sul e do Norte do Brasil; artistas que trabalham sons menos convencionais dentro do eletrônico: todo mundo conviveu por um mês trocando informações, fazendo shows e produzindo as faixas abaixo.

Teve tecnobrega com vocal hip hop e pegada ragga casando muito bem, fruto de uma conexão feita na rua: os paraenses do Pulsø conheceram o MC Caiuby num papo de bar na rua Augusta. Teve rap jazz, unindo a banda formada por músicos gaúchos ao vocal do Kamau e aos scratches do Nyack. Teve parceria entre Belém, Rio e Goiânia na música “Sessão da Praia”, indie rock com forte tempero percussivo. E teve ainda colaboração entre músicos baianos e parte do grupo do curador Chico Dub. Salve, Bahia!

“Eu trouxe samples, o Xim trouxe samples e o Nyack trouxe samples. A gente chegou um dia antes de todo mundo, e nesse dia a gente já fez dois beats”, conta Kamau, que foi um dos curadores do projeto neste ano.

Mestre Xim, beatmaker de Petrópolis (RJ), veio ao Pulsø a convite de Kamau

Além de ter chamado músicos de fora para gravar, o grupo que o rapper paulistano reuniu fez participações em sons de outros coletivos: Kamau canta em “Descompassado”, do pessoal do Sul, enquanto “Mais um Dia”, da ala baiana, tem colaboração do MC Daniel Raillow (PrimeiraMente) na letra e no vocal.

“A música falava de uma coisa bem trivial, da gente descer a Augusta [os músicos de fora da capital paulista se hospedaram lá durante o projeto] e procurar um café pra tomar, e aí só tinha padoca, a padoca cheia… A gente falando sobre essas impressões de São Paulo. Depois Raillow chegou com outra letra que já era uma coisa do universo dele, e a gente sentiu que precisava harmonizar um pouco”, conta Lívia Nery sobre a faixa, que tem participação também de Pedro Dom (O.C.L.A.), do grupo gaúcho, no piano elétrico.

Apresentação de Lívia Nery, Mahal Pita, Junix e João Meirelles no Pulsø

Fora as colaborações entre diferentes grupos, rolou muito de pessoas de um mesmo coletivo produzirem juntas pela primeira vez. “A gente se encontrava, se ouvia e asssistia ao show um do outro, mas nunca tinha parado pra fazer música”, diz Macloys Aquino.

O grupo do Macloys (na ponta direita): Renato Cunha, Bruna Mendez, Lê Almeida, Vitor Brauer, João Victor, Braz Torres

Eles também fizeram parceria com outra sala, conexão que se deu ainda na primeira metade do projeto: os paraenses Adriano Sousa e Douglas Dias tocam com o grupo em uma faixa (veja o ensaio dela aqui).

Uma união que surgiu na segunda fase do Pulsø foi entre músicos do coletivo do curador Chico Dub, mais voltado para a experimentação eletrônica, e do grupo baiano. Além de terem produzido uma faixa em parceria, Abdala (GO), Haley Guimarães (PB), João Meirelles (BA) e Junix (BA) — estes dois últimos companheiros de BaianaSystem — tocaram juntos no show final.

Em 2017 o Pulsø está de volta. Enquanto isso, ouça as músicas desta edição, que o processo foi de aprendizado e o produto é fino.

Show do coletivo que reuniu músicos do Sul do país, com Pedro Dom, Gutcha Ramil, Zudizilla, Tiago Abrahão, Rafael Chaves e Erick Endres

Sonorização da obra “Zero Hidrográfico” que rolou no encerramento do Pulsø, com músicos do coletivo de Chico Dub e participação de João Meirelles

Gutcha Ramil (RS) e Lívia Nery (BA) ensaiam no porão do Red Bull Station

Jota Ghetto e Kamau em show no Pulsø

Haley Guimarães, Daniel Nunes e Paula Rebellato durante a ocupação

Keila Gentil (Gang do Eletro) na primeira apresentação que rolou no projeto

Zudizilla e Jhow Produz (ao fundo) em show no Pulsø

Os curadores: da esq. para a dir., Filipe Cartaxo, Macloys Aquino, Chico Dub e Kamau; Juliana Baldi e Félix Robatto, abaixo

Fotos: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Vídeo: Fernanda Ligabue

Para saber mais sobre o Pulsø: http://bit.ly/1PiYAbl
E para ver mais fotos da ocupação musical: http://bit.ly/1TXRkUp

(Por Adriana Terra)

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Das conexões do #PULSØ2016: ouça a mixtape do Abdala pro selo do Thingamajicks

20mai

por Red Bull Station

A ocupação musical #PULSØ2016 terminou, mas as conexões entre os artistas que participaram dela seguem rendendo. Nesta semana, o Abdala soltou uma mixtape que fez pro selo do Thingamajicks — os dois foram parte do mesmo grupo durante o projeto em abril, escolhido pelo curador Chico Dub.

Foto: Felipe Gabriel
Foto: Felipe Gabriel

“Acho que a coisa mais legal desse mês, além de tocar, foi ter conhecido pessoas e criado um vínculo com elas. Essa mix que fiz pro Thingamajicks nasceu dessa união que conseguimos criar durante o processo da residência”, conta Abdala, que de Catalão (GO) comanda o selo Propósito Records.

“Um dia no almoço ele comentou que tinha ouvido uma mix que fiz pro Afropop Worldwide, de Nova York, e perguntou se eu não tinha interesse em fazer uma pro Subsubtropics, selo dele. Escolhi umas coisas que tava ouvindo durante o próprio Pulsø e o resultado foi esse. A ideia agora é continuar com as conexões que criei aí. Em agosto devo ir pra Paraíba trabalhar com o Haley Guimarães e estou tentando ir pra Belo Horizonte trabalhar com o Daniel Nunes”, diz o artista, que também fez parcerias com a ala baiana do Pulsø — em breve as músicas produzidas nesta edição do projeto vão ser lançadas, fique ligado.

Enquanto isso, dê play na “Mix de Amigo”, seleção de sons do mundo que vai de músicas do sudeste asiático e da África a Sun Ra e Ronnie Boykins, passando por Vieira e Vieirinha:

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Synth Gênero – Mulheres na música eletrônica: cobertura em quadrinhos

05mai

por Red Bull Station

Perdeu a palestra Synth Gênero: Mulheres na Música Eletrônica? Convidamos a cartunista Chiquinha para fazer a cobertura em quadrinhos da conversa que foi parte da programação da ocupação musical #PULSØ2016 (clique na imagem para ter melhor visualização).

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Faça o download e imprima em A3 a versão pôster da HQ.

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Palestra na íntegra: 30 Anos de Rap, com KL Jay

05mai

por Red Bull Station

Como parte do Pulsø 2016, o DJ e produtor KL Jay bateu um papo com o público sobre seus 30 anos de carreira.

Da infância na zona norte de São Paulo ouvindo os discos de samba da família até a formação do Racionais MCs — passando pela primeira vez que se impressionou com um DJ, integrante da clássica equipe de som Zimbabwe, e pela influência de Eazy Lee (DJ do Kool Moe Dee, que viu ao vivo em 1987) nos scratches –, Kléber Simões relembrou sua trajetória. A noite teve ainda exibição de um minidoc e show do pioneiro grupo de rap Região Abissal, com quem KL Jay tem muita história em comum.

Kléber falou também da perseguição e do racismo sofridos pelo Racionais, da importância dos encontros na estação São Bento e contou um pouquinho das histórias de bastidores de músicas como “Fim de Semana no Parque”, “Homem na Estrada” e “Diário de um Detento”.

Em relação a novas produções, ele adiantou que seu segundo álbum solo está em fase final. “Estou masterizando o ‘Na Batida Vol. 2’, faltam três músicas e o nome do disco é ‘No Quarto Sozinho'”.

Sobre seu frescor e empolgação com o novo, KL Jay deu a dica: “o segredo pra não viver de passado é ser antigo e moderno, olhar o mundo e se identificar com ele. O rap dos anos 90 é sensacional, mas tem muito rap bom hoje”.

KL Jay durante o Pulsø 2016 | Foto: Felipe Gabriel
KL Jay durante conversa no Pulsø 2016 | Foto: Felipe Gabriel
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A última semana do #PULSØ2016 em gifs

04mai

por Red Bull Station

Teve parcerias que ganharam força, show do Região Abissal, papo com KL Jay, palestra e workshop sobre mulheres na música eletrônica, oficina com a chilena Valesuchi e um show de encerramento bonito e lotado.

Vem ver como foi, em gifs, a reta final do #PULSØ2016, ocupação que juntou 30 músicos de diferentes partes do país para criar sons e debater música em abril no Red Bull Station.

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Logo no começo, a semana teve uma aulinha básica com KL Jay falando da sua carreira, dos bailes do passado, de Racionais MCs, entre outros assuntos. Fique ligado: em breve teremos o vídeo dessa conversa.

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No mesmo dia, rolou um momento histórico na casa. Região Abissal, primeiro grupo a gravar um disco completo de rap (assista ao minidoc que te explica essa história direitinho), em 1988, se reuniu depois de quase 30 anos pra um show em que estava todo mundo emocionado — teve até um sax surpresa. “Se eu olhava na rua, um brinde a madrugaaadaaa…”

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A semana teve ainda bate-papo sobre mulheres na música eletrônica, comandado por Claudia Assef e Érica Alves. A conversa foi super produtiva e a gente chamou uma cartunista para relatar os fatos: a Chiquinha veio aqui fazer a cobertura em HQ, que sai nos próximos dias.

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Na preparação para o encerramento do #PULSØ2016, o Daniel Nunes foi flagrado algumas vezes captando sons nos arredores do prédio.

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E o resultado foi seu grupo sonorizando a instalação “Zero Hidrográfico”, que trata de questões urbanas, presença de rios e as enchentes em São Paulo.

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A reta final da ocupação teve ainda parcerias que se fortaleceram na última semana, como o trio formado pelo João Meirelles, do grupo de Filipe Cartaxo, com Haley e Abdala, do grupo de Chico Dub. Dá-lhe Bahia, Paraíba e Goiás somando no barulho e nas ideias.

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Outra parceria fortalecida foi da Livia Nery, do grupo baiano, com a Gutcha Ramil, do coletivo da Ju Baldi, do RS, que se encontraram nos tambores e fizeram uma apresentação final linda, com participações especiais.

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Por falar em participação especial, quem deu uma canja no show de sábado (30) foi Russo Passapusso. Que sorte a nossa.

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Outra sorte foi ouvir a voz da Bruna Mendez no show do grupo do Macloys Aquino, um dos curadores. Os frutos do Pulsø estão bem bonitos, aguarde pra ouvir.

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Will Love, como sempre, agitou e fez um set bem animado — perceba pela movimentação de Keilinha Gentil na pista.

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Ou então pela interação desse casal ao som do tecnomelody.

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O show final teve ainda Nyack, como sempre, tocando e fazendo maravilhosas dancinhas. Repare no Kamau filmando — a cobertura dele no Snap (planoaudio) foi das mais intensas.

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E uma apresentação digna do abril de ralação dos meninos do rap de SP, com Raillow brilhando muito junto aos parceiros Jota Ghetto, Kamau, Nyack, Jhow Produz e MestreXim.

Como diria MC Sombra, obrigado e volte sempre!

SAIBA MAIS:

::A 1ª semana do #PULSØ2016: palestra sobre rádio e as primeiras interações

::Tássia Reis na casa, vocal ragga com carimbó: a 2ª semana do Pulsø

::Liniker, Rico Dalasam e LAY + muito treme: nossa 3ª semana de ocupação

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Grupo do Kamau fala sobre parcerias e músicas criadas no #PULSØ2016

30abr

por Red Bull Station

DJ Nyack, os MCs Kamau, Daniel Raillow, Jota Ghetto, junto aos produtores MestreXim e Jhow Produz, formaram um dos grupos que passou o mês de abril criando dentro dos ateliês do Pulsø. No vídeo abaixo, eles contam um pouquinho como foi este processo:

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Músicos baianos falam sobre processo de criação no Pulsø e show final

30abr

por Red Bull Station

Uma das atrações do sábado, o grupo de curadoria do artista Filipe Cartaxo — formado pelos produtores Mahal Pita e João Meirelles, pelo guitarrista Junix (colaboradores do BaianaSystem) e pela cantora Livia Nery — conta como foi produzir uma música logo no primeiro dia de #PULSØ2016 e antecipa um pouquinho o show desta noite, no encerramento do projeto, previsto para às 20h40 e que deve contar com algumas participações especiais. Assista:

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Chilena Valesuchi fará show de encerramento do #PULSØ2016

29abr

por Red Bull Station

Foto: Dan Wilton / Red Bull Content Pool
Foto: Dan Wilton / Red Bull Content Pool

A produtora e DJ chilena Valesuchi irá fechar o sábado (30) de encerramento do Pulsø. Conhecida por suas experimentações, ela ministrou um workshop de discotecagem nesta última quinta-feira no Red Bull Station.

Esta é a terceira vez que a ex-aluna da Red Bull Music Academy vem ao Brasil: a última visita, em novembro do ano passado, foi a convite do festival Sónar.

A chilena Valesuchi durante workshop no Pulsø | Foto: Felipe Gabriel
A chilena Valesuchi durante workshop no Pulsø | Foto: Felipe Gabriel

O som de Valentina Montalvo Alé dispara em muitas direções. Com paixão pelos sintetizadores, seu sets servem tanto para pista quanto para ouvir no fone.

A apresentação da chilena está marcada para às 23h40 de domingo no showcase que fecha a nossa ocupação musical. Shows no Rio também estão no cronograma dos próximos dias da produtora no país.

Pulso – Showcase #2
Data: 30/4 (sábado)
Horário: 17h – 00h
Local: Red Bull Station (Praça da Bandeira, 137 – Centro)
Ingressos: Evento gratuito

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Os sotaques do #PULSØ2016: uma conversa entre Belém e Goiânia

28abr

por Red Bull Station

As trocas entre os 30 músicos reunidos para o #PULSØ2016 são uma das coisas mais interessantes da ocupação musical.

Entre as parcerias que rolaram durante o projeto, um grupo se formou com percussionistas do time do paraense Félix Robatto — artistas com experiência no carimbó e no tecnobrega — e do goiano Macloys Aquino (Carne Doce), mais ligados ao rock alternativo. No sábado (30), no último show da ocupação, eles vão mostrar um pouquinho do som que fizeram juntos.

Veja abaixo o ensaio.

 

Para saber mais sobre essa junção, a princípio pouco óbvia, a gente reuniu o Macloys e o Félix para um papo. Após a conversa, um questionou o outro sobre trajetória musical, a cena da cidade onde vivem, entre outras coisas que ajudam a entender a conexão de seus grupos. Confira:

Como rolou essa troca entre os grupos?

Félix Robatto – A interação começou com eles buscando Adriano e Douglas pra gravar. Eles quem tomaram a iniciativa, e eu achei bacana. E eu já tinha visto o Carne Doce em Brasília, nosso primeiro contato foi num festival.

Macloys Aquino – Nosso time não é só de goianos. E o Lê Almeida, que é carioca, tem uma característica de produção que ele grava tudo analógico. Então a gente pensou numa forma de absorvê-lo no grupo. E um dia teve um batuque muito forte na sala dos paraenses. Quando eu entrei, o Douglas falou “eu quero abrir os trabalhos”, e foi isso que ele fez. Ele começou com os tambores, a Gutcha [do grupo do RS] chegou com uma rabeca, eu e o Lê entramos e fizemos uma roda que durou uns 40 minutos. E ali começou uma conversa. Eu já tinha conhecido os meninos no festival em Brasília, conheci o Adriano e sabia que ele era um baterista incrível. Aí conheci o Douglas na abertura dos trabalhos. E, sabendo do Lê, foi só juntar.

Félix Robatto no primeiro showcase do Pulsø | Crédito: Felipe Gabriel
Félix Robatto no primeiro showcase do Pulsø | Crédito: Felipe Gabriel

O que vocês aprenderam nesse processo?

Macloys Aquino – A nossa fusão não absorveu a guitarra paraense, absorveu o rítmico. Mas eu admiro muito a guitarra de lá e escuto porque o primeiro disco de rock que ouvi na vida foi “Brothers in Arms”, do Dire Straits [Félix informa nessa hora que esse disco tocou muito lá], e ele tem umas guitarras limpas. Então eu sempre me interessei pelos timbres de guitarra limpos, e esses caras fazem isso com maestria, a guitarra sem modulação, e eu gosto. As guitarras que eu faço no Carne Doce são majoritariamente guitarras clean.

Félix Robatto – Tem umas coincidências que o que muda é o sotaque de tocar. O sotaque da música que eles fazem é diferente do nosso, a nossa guitarra é mais rítmica que a deles, eles já têm uma coisa bem melódica.

Macloys Aquino ensaiando durante o Pulsø | Crédito: Felipe Gabriel
Macloys Aquino ensaiando durante o Pulsø | Crédito: Felipe Gabriel

Macloys entrevista Félix

Como você vive de música?
Eu sempre vivi de música, desde os 13 anos eu toco e eu nunca travalhei com outra coisa. Eu cursei licenciatura em música na Universidade Estadual do Pará e nessa época me empolguei em dar aula, mas quando eu vi que isso estava me atrapalhando eu parei. Aí o que eu faço: toco e produzo. E é uma bola de neve no caso da produção, quanto mais você vai fazendo mais vai aparecendo [Félix produziu o disco “Treme”, de Gaby Amarantos, com quem tocou por anos, e tem diversos projetos com artistas no Pará]. Aí também montei uma festa, a Quintarrada, e é a festa que é o certo que paga minhas contas.

Tocar fora do Pará é muito diferente?
Em Belém é mais responsa, porque aqui as pessoas já estão mais acostumadas a ir pra um show que não conhecem e ver se gosta, porque ouviram falar que era bacana e foram lá. E em Belém as pessoas vão porque já conhecem.

Félix entrevista Macloys

Você falou que no seu grupo a maioria tem uma outra profissão [além de músico]. Como é lidar com isso quando pintam projetos como esse?
Eu comecei a encaminhar minha vida pra ficar mais livre na música, eu sou jornalista de profissão, mas tenho me organizado. Saí do jornal que eu trabalhava porque o envolvimento era muito pesado. Eu sempre mexi com banda, mas de uma forma muito amadora e recreativa, mas quando eu conheci a Salma e a gente lançou a banda surgiram propostas irrecusáveis, então a gente está fazendo e aprendendo. Você é um profissional da música, eu não sou mas gostaria muito de ser, e o que eu puder fazer na música hoje me é mais interessante que ser jornalista.

Qual o público que vocês querem atingir com a música de vocês [no Carne Doce], vocês pensam nisso?
Acho que o caminho que a gente faz é o inverso, a gente não tem público-alvo. A gente tem duas frentes no Carne Doce: a letra que provoca e a sonoridade que faz as pessoas se envolverem. Nosso show tem sido cada vez mais pesado, no sentido rock mesmo. A Salma, letrista, se sente provocada por muitas questões da vida cotidiana, e as pessoas se identificam com as perguntas feitas nas letras, a gente faz poucas afirmações.

 

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Artistas do Pulsø vão sonorizar obra que aborda tema dos rios em SP

27abr

por Red Bull Station

Músicos do coletivo de Chico Dub no estúdio durante o Pulsø 2016 | Foto: Felipe Gabriel
Músicos do coletivo de Chico Dub no estúdio durante o Pulsø 2016 | Foto: Felipe Gabriel

Neste sábado, abrindo o showcase de encerramento do Pulsø 2016, o grupo de músicos selecionado pelo produtor Chico Dub para o projeto (formado por Thingamajicks, Paula Rebellato, Abdala, Daniel Nunes e Haley Guimarães) irá sonorizar a obra “Fronteiras_Zero Hidrográfico”, no último dia de exposição do trabalho que ocupa a galeria do Red Bull Station desde 20 de fevereiro.

A instalação da dupla Gisela Motta e Leandro Lima traz à tona o embate dos habitantes de São Paulo com as enchentes, dialogando com o edifício que a recebe — construído na confluência dos rios Saracura, Japurá-Bixiga e Itororó, o prédio foi uma das principais usinas de energia da capital no começo do século XX.

Obra "Zero Hidrográfico" | Foto: Lucas Lima
Obra “Zero Hidrográfico” | Foto: Lucas Lima

“Quando fui convidado para co-curar o Pulsø‬, quis imediatamente proporcionar como projeto final algo que fosse muito além de uma apresentação musical. Ao ‘tocar’ com a ‘Zero Hidrográfico’, meu coletivo não só irá conversar com a obra, ajudando assim a quebrar a barreira imposta no Brasil entre a música experimental e a arte contemporânea, como também com o prédio”, diz Chico, que é idealizador do festival Novas Frequências.

Os músicos que irão sonorizar a instalação têm trabalhos ligados ao eletrônico experimental e a apresentação deve durar em torno de 40 minutos.

Abdala, um dos músicos do coletivo de Chico Dub, no ateliê durante o Pulsø | Felipe Gabriel

Quem participa também é João Meirelles, DJ do BaianaSystem e criador do projeto Infusão, que integra o grupo de Filipe Cartaxo no Pulsø. “Desde o começo da ocupação a gente passa pela obra todo dia, se relaciona com ela, então quando eu soube que isso ia acontecer fiquei muito interessado e quis estar junto”, conta João.

“Os artistas estarão espalhados pela obra: serão três duplas posicionadas em três mesas de apoio, tudo centralizado e mixado ao vivo pelo Daniel Nunes, artista sonoro e músico do Constantina, de Belo Horizonte. Falar mais do que isso é estragar a surpresa, mas posso dizer que realmente entramos a fundo no conceito da obra, passeando por referências explícitas e outras mais subjetivas. Vamos tratar de meio ambiente, caos urbano, aquecimento global e enchentes”, adianta Chico.

Daniel Nunes captando sons para a apresentação no Pulsø | Foto: Felipe Gabriel
Daniel Nunes captando sons para a apresentação no Pulsø | Foto: Felipe Gabriel

Ao longo desta semana, Daniel Nunes vem circulando pelos arredores do prédio captando sons. “A ideia é realizar várias gravações de campo de forma a constituir o desenho que a gente já pré-moldou, de como a gente interage e desenha sonoramente essa obra”, explica.