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Conheça o Instituto Rugby para Todos, tema do doc “Os Leões de Paraisópolis”

12jul

por Red Bull Station

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Por Patrícia Colombo

Nesta quarta-feira (12), o Red Bull Station recebe a exibição em duas sessões do documentário “Os Leões de Paraisópolis”, dirigido por Danilo Mantovani e Guga Ferri. O projeto audiovisual conta a história do Instituto Rugby para Todos, que ajudou e segue ajudando diversos jovens carentes a encontrarem, no esporte, o estímulo para a superação das adversidades do cotidiano.

Criado em 2004 por Fabricio Kobashi e Mauricio Draghi, o projeto já atuou na formação de mais de 5 mil crianças e adolescentes em São Paulo e no Rio de Janeiro. O início se deu na comunidade de Paraisópolis, na zona sul da capital paulista. “Eu e o Maurício éramos vizinhos de bairro, no Morumbi, e jogávamos juntos no Pasteur A.C, clube de rugby da primeira divisão de São Paulo”, conta Fabricio. “Depois de dois anos morando na Austrália, aquele contraste entre pobreza e riqueza da região foi algo que passou a me incomodar bastante.”

Em uma conversa quase que despretensiosa sobre a realidade urbana, a dupla acabou pensando em produzir algo voltado para a inclusão a partir do esporte. Foi quando decidiram de vez entrar em Paraisópolis. “Procuramos o campo do Palmeirinha e as escolas locais para divulgar as aulas de rugby”, relembra. “Na primeira aula, já tínhamos quase 100 alunos, e muitos pais e mães curiosos para saber o que era esse esporte diferente que estava chegando lá. Desde então, nunca mais paramos, contando sempre com o apoio de voluntários e parceiros que acreditaram no projeto.”

Hoje em dia, só em Paraisópolis, o projeto atende mais de 200 alunos no local, com idades entre 6 e 18 anos — o time feminino de Leoas inclui garotas entre 14 e 18 anos. Em 2013, nasceu a Escolinha Social Rugby Rio, com aulas duas vezes por semana em alguns pólos da cidade — localizados, atualmente, nas praias de Copacabana e Flamengo, atendendo, ao todo, 150 crianças. Leia abaixo a conversa com o cofundador do Instituto Rugby para Todos.

Como surgiu a parceria para a elaboração do documentário?
Em 2012, quando o Gustavo Ferri nos procurou contando do seu sonho de fazer um filme sobre rugby e sobre os Leões, como uma forma de retribuir ao esporte. O Guga foi o cara que me convidou para jogar rugby. Na época eu tinha 14 anos e a gente estudava no mesmo colégio. Ele já jogava desde os nove por influência do seu irmão, o Felipe Ferri, que jogou junto com o Maurício na seleção brasileira. Quando fiz os primeiros treinos em 1996 e conheci aquele esporte de contato intenso, me identifiquei muito e mergulhei de cabeça principalmente por seus valores de união e camaradagem. Ele parou de jogar na transição para o adulto, e eu joguei até os 34 anos. Agora estou voltando a jogar com os Leões e está sendo divertido. Quando ele nos contou de sua ideia, topamos na hora e começamos a captar imagens. O projeto aguardava financiamento para poder ser finalizado, e isso aconteceu em 2016, quando a Spanda Produtora viabilizou o filme em co produção com a ESPN. A partir disso passamos a focar em alguns personagens e eventos importantes que aconteceriam. Após o final das filmagens, ficamos naquela expectativa das primeiras edições e quando vimos as imagens ficamos emocionados e com a certeza que o filme ficaria lindo.

No Instituto, o time de voluntários inclui psicólogos, educadores, atletas… Como chegaram a esse formato de equipe?
Atualmente, temos profissionais contratados nas áreas de Educação Física, Rugby, Psicologia, Nutrição, Fisioterapia e Assistência Social. Desde o início, eu e o Maurício percebemos a importância de unir forças e conhecimentos diferentes, que é exatamente como funciona um time de Rugby — vários biotipos e habilidades, envolvendo personalidades diversas e condição física e técnica, mas todos com o mesmo objetivo e se comunicando constantemente para chegar, sempre que possível, nas melhores soluções. Ou seja, nosso intuito é o de permanecer em união para resolver os problemas e orientar os alunos da melhor maneira. Isto tem funcionado constantemente no Instituto, que tem uma metodologia que está em constante desenvolvimento, sempre acompanhando as demandas.

Quais as dificuldades de manter na ativa um projeto grande como esse?
A maior dificuldade é sempre a financeira, de ter que correr atrás do budget para o próximo ano até os 47 do segundo tempo, para manter e melhorar a qualidade do atendimento no ano seguinte. Mas, mesmo neste cenário de crise, com os parceiros fiéis que temos, foi possível manter o projeto rodando com atendimento padrão, que envolve desde do uniforme e alimentação até profissionais da área esportiva, educacional e de saúde. Outro gasto grande que tem surgido cada vez mais é com a participação de campeonatos e torneios, fruto do amadurecimento das turmas em times juvenis e adultos, masculinos e femininos, que disputam as principais competições nacionais. Outra dificuldade é manter uma equipe de ponta. Os profissionais que trabalham no Instituto tem um perfil bastante específico, que são raros no mercado. Então, valorizamos muito nossa equipe de colaboradores, que fazem os resultados acontecerem dentro e fora de campo. Todo o esforço e envolvimento tem sido recompensador, na medida que  temos tido resultados mais do que positivos com os alunos sempre respondendo à altura, mostrando desenvolvimento pessoal e social a cada dia, e evoluindo como atletas de Rugby.

Qual o acompanhamento que vocês têm com relação aos atletas que saem do programa?
Atualmente, estamos com times adultos feminino e masculino. Isto tem sido uma nova fase, em que estes atletas têm a oportunidade de jogar no clube que os formou, e no bairro onde moram. Ainda mantemos parceria que temos de longa data com o Pasteur Athlétique Club nas categorias M15, M17, M19 e adulto masculino, com a intenção de ter times independentes gradualmente, para, em um médio prazo, estar disputando as principais divisões do Rugby Paulista e Nacional. Já as Leoas adultas estão jogando todas com a camisa amarela e preta, com resultados surpreendentes para o primeiro ano que disputam pra valer nesta categoria. Logo no início deste ano jogaram o qualificatório para o circuito nacional e terminaram em segunda colocação, conseguindo a vaga. Agora já estão indo pra terceira etapa do circuito, com resultados bastante expressivos. Mas a principal função do Instituto com os alunos mais velhos é justamente promover e estimular a autonomia dos mesmos, em um trabalho voltado para a identificação de habilidades e afinidades, além do foco na gestão da rotina para que possam fazer esta transição para a vida adulta e planejar sua entrada no mercado de trabalho e no mundo acadêmico, além de continuar praticando esportes e jogando rugby.

Vocês lidam com trajetórias de vida complexas que encontraram no esporte uma saída…
A maioria de nossos alunos tem histórias de superação. Vivem em uma comunidade pobre, onde ter poucas oportunidades e ser atraído pra outras não tão benéficas é normal. Só o fato de estarem praticando rugby e vestirem esta camisa com tanto amor já é uma grande superação. No próprio filme temos a Gabrielle, que teve um filho com 17 anos e, após um período conturbado, conseguiu voltar a jogar e hoje faz parte novamente do time das Leoas. Temos várias outras histórias. Algumas são retratadas no filme e quem ver vai ficar orgulhoso de quem são os Leões, e os valores que carregam e difundem dentro e fora de Paraisópolis.

Quais os pontos positivos para elas, no sentido de empoderamento?
As meninas sempre estiveram presentes nas turmas do Instituto Rugby Para Todos desde o início. Em 2011, uma das primeiras voluntárias do Instituto em 2004, Marcia Muller, voltou a dar aulas no projeto, cuidando das turmas das meninas, o que vêm fazendo até hoje com muita entrega. Discutindo com a Marcia e a equipe educacional, identificamos que era importante ter um programa específico voltado para as alunas, tanto esportivo quando educacional, focado em saúde e empoderamento feminino. Começou assim o que chamamos aqui de Programa da Mulher, que tem um planejamento específico, principalmente a partir dos 14 anos, quando são separadas dos meninos nas turmas de rugby. Com este programa foi possível identificar de forma mais clara as demandas de gênero, principalmente em relação à saúde e direitos. Isto é totalmente feito de forma integrada com os valores e a própria prática do rugby, mas com atividades transversais que possibilitaram abordar temas variados que fazem parte deste universo. Os resultados mostram muitos pontos positivos: as meninas são ultra organizadas dentro e fora de campo. E elas jogam em um nível altíssimo, enfrentando de igual para igual todos os times do Brasil. E se mobilizam fora de campo para que a participação do time das Leoas seja possível cuidando dos uniformes, fazendo rifas, trufas e bolos para vender e arrecadar verba pra inscrição e transporte. E isto mostra como vale a pena dar a elas esta oportunidade, em um cenário onde a mulher é sempre desvalorizada no esporte.

Qual o seu maior aprendizado de vida nessa experiência?
O maior aprendizado é que sozinho não fazemos nada. Muitas vezes podemos tomar decisões que depois descobrimos que não eram as melhores, ou não termos os recursos como gostaríamos. Mas se estivermos juntos para resolver os problemas e buscar chegar onde queremos, focados na mesma missão, tudo é possível. Ao iniciarmos o projeto em 2004, logo percebemos que as pessoas, de um modo geral, têm a vontade de fazer algo pelo outro, algo que deixe um legado para o mundo onde vivem. A base do Instituto Rugby Para Todos sempre foi a do voluntariado. Mesmo hoje, que temos profissionais contratados, todos, sem exceção, se voluntariam para fazer sempre mais, pensar sempre além, para que os alunos consigam os resultados possível. E isso é o que aprendemos no rugby. Nos doarmos por algo em que acreditamos. Neste sentido, gostaria de registrar meu agradecimento infinito a todos os meus treinadores e parceiros de time, que me ensinaram, através de palavras e de atitudes, os valores do rugby e que com trabalho duro e união se consegue resultados incríveis.

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Red Bull Amaphiko Academy: o que rolou durante 10 dias

05jul

por Red Bull Station

De 23 de junho a 2 de julho, o Red Bull Station foi ocupado por projetos e empreendedores sociais inspiradores, que fazem parte da nova edição do Red Bull Amaphiko Academy. Palestras com nomes referência na área, bate-papo com mentores, atividades para movimentar o corpo e muitos momentos de interação fizeram parte dessa imersão que apenas começou.

Durante os próximos 18 meses, eles serão instigados a refletirem e agirem sobre o próximo passo para seus projetos. Veja abaixo na galeria de fotos como foi o começo dessa jornada, que foi finalizada com o Red Bull Amaphiko Festival, no domingo (2).

 

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Red Bull Amaphiko Festival: shows, oficinas, debates e mostras

22jun

por Red Bull Station

O Red Bull Station e seu entorno, no centro de São Paulo, recebem no dia 2 de julho, das 11h às 21h, o Red Bull Amaphiko Festival, com shows e intervenções, painéis, feira de projetos e oficinas. O evento gratuito marcará o encerramento do Red Bull Amaphiko Academy, que, a partir desta sexta (23), vai reunir durante dez dias 15 inovadores sociais para uma imersão.

Ao todo, 50 projetos criativos e transformadores de diferentes lugares do Brasil vão ocupar a região no domingo (2). Na rua em frente ao Red Bull Station um palco-móvel será um dos destaques, trazendo a cantora, bailarina e compositora da Guiné, Fanta Konate, para abrir a programação, seguida pelos Batuqueiros do Silêncio, grupo de percussão formado por pessoas com deficiência auditiva, que se apresentarão junto aos bailarinos do Instituto Movimentarte.

Também haverá dança com o grupo Gumboot Dance Brasil, que vai apresentar o espetáculo Yebo, e uma aula de funk e hip-hop com os cariocas do Favela em Dança. Uma edição especial do Sófálá: Slam de Poesia, que acontece mensalmente no Red Bull Station com apresentação de Emerson Alcalde e participação do DJ Erick Jay e diversos poetas, também está programado.

Para encerrar, um show da cantora e compositora Lei Di Dai, rainha do dancehall e idealizadora do projeto Gueto pro Gueto – Sistema de Som, com participações especiais de Slim Rimografia e Lurdez da Luz. A mestre de cerimônias do palco será Raquel, do grupo As Bahias e a Cozinha Mineira.

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Conheça a programação que abre 2017 no Red Bull Station

31jan

por Red Bull Station

Após um período de recesso, reabrimos nesta terça-feira (31) as portas, com duas exposições em cartaz (a abertura oficial delas é no sábado, dia 4), novo cardápio na Cafeteria, além de — como sempre — wi-fi e espaços de convívio e leitura pelo prédio, uma pequena biblioteca e a vista panorâmica da praça da Bandeira e do centro da cidade a partir da laje.

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Na Galeria Principal, a instalação “Construção de Valores”, de André Komatsu, apresenta um conjunto de mais de 700 mil cópias, entre imagens e verbetes de dicionário, empilhadas em 62 torres rigorosamente organizadas no espaço. As imagens foram extraídas de meios de comunicação, e dentre os verbetes se encontram palavras como ordem, poder, estrutura, sistema, território e estado. Ligados ao redor das pilhas, ventiladores desestabilizam as torres, rearticulando imagens e verbetes em novos conjuntos, nos convocando a refletir sobre as estruturas que moldam a sociedade e a intensidade das dinâmicas que operam no intervalo entre projeto e realidade.

“Aceita?”, exposição que ocupa a Galeria Transitória, no 2º andar do prédio, é uma série de fotos exibida na íntegra pela primeira vez, de autoria do paulistano Moisés Patrício. A ideia desta coleção, que teve início em 2013, é acompanhar e refletir sobre o trânsito social do artista, negro e morador da periferia, pela cidade de São Paulo. As imagens têm a mão aberta de Patrício — adepto do candomblé — como oferenda principal, sempre relacionada a frases que Patrício ouve ou a objetos que encontra em seu trajeto pela cidade.

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Ambos os trabalhos já podem ser conferidos por aqui, mas a abertura oficial é no sábado, a partir das 14h, com performance de Patrício ao longo do dia e uma apresentação do bloco afro feminino Ilú Obá de Min às 17h30. Tudo, como sempre, gratuito.

Na próxima semana (7), o Auditório vai receber uma palestra sobre música nos tempos atuais com dois artistas prolíficos que vão repassar um pouco da sua trajetória por aqui: o pianista Benjamim Taubkin e o compositor Mauricio Pereira.

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Também na próxima semana, no sábado dia 11, a UP[W]IT (organização que estimula o protagonismo feminino na área de tecnologia) realiza por aqui um encontro para debater cidade e diversidade de gênero. O evento é fechado para inscritos, saiba mais.

Já no dia 18, o Sófálá retorna juntando, mais uma vez, batalha de MCs e slam de poesia. Além das disputas, vai rolar apresentação da dupla feminina As Lavadeiras, que mistura rap e cultura popular, DJ Gilmar (SNJ), além de lançamento de livros de poesia.

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Encerrando o mês, o Cine Performa vai trazer quatro mini documentários sobre música, parte da série “The Note” (foto acima), parceria da Red Bull Music Academy com a Red Bull TV. Os filmes mostram momentos e personagens que mudaram a história da música: tem Eddie Palmieri com o álbum “Harlem River Drive”, tem filme sobre a colaboração entre engenheiros e artistas pelo E.A.T., entre outras coisas. A noite é encerrada com performance de Craca e Dani Nega, que mostram seu mais recente álbum, “Dispositivo Tralha”.

Funcionamos de terça a sexta, entre 11h e 20h, e aos sábados, das 11h às 19h. Nossa Cafeteria também traz um cardápio novo, com opções de almoço (já tem até receita online do risoto de parmesão com ragu de linguiça do menu) para diversos gostos, além de comidinhas para um lanche da tarde ou happy hour. Vem pro centro visitar a gente.

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Pulsø, FAZ, Foto_Invasão, AfroT: compilamos o que rolou em 2016 por aqui

21dez

por Red Bull Station

Foram diversas palestras, workshops, shows, exibições de filmes e residências, parte de uma programação que envolveu arte, tecnologia, música, cultura do fazer, história, urbanismo, fotografia, etnografia, mudanças de comportamento e de paradigmas.

>>Acesse também o especial do Red Bull Studios São Paulo 2016<<

Pra lembrar um pouco do que foi 2016 por aqui, reunimos abaixo dez momentos importantes do ano. Aproveite para rever — ou assistir pela primeira vez — aos registros desses encontros.

PULSØ

Foto: Felipe Gabriel

Uma residência de músicos que reuniu gente de diversos cantos do país experimentando sonoridades e parcerias: essa foi a proposta do Pulsø 2016.

O encontro de quase 30 músicos rendeu uma coletânea de 14 faixas bem diversa, que você pode ouvir abaixo.

12ª RESIDÊNCIA ARTÍSTICA

Instalação de Giuliano Obici | Foto: Lost Art / Red Bull Content Pool
Instalação de Giuliano Obici | Foto: Lost Art / Red Bull Content Pool

Em julho, a exposição da 12ª Residência Artística do Red Bull Station mostrou trabalhos de seis artistas que ocuparam os ateliês do prédio por cerca de um mês e meio. O curador Fernando Velázquez destacou a proposta de falar das artes visuais de forma ampla: “O encontro de artistas de diferentes trajetórias causa uma discussão interessante e levanta o debate sobre o que é arte”. Questionamentos políticos, debate sobre ocupação de espaços na cidade, vida urbana e processos de cura aparecem nas obras de Janaína Miranda, Raphael Escobar, Luca Forcucci, Carolina Cordeiro, Anton Steenbock e Giuliano Obici, que no vídeo abaixo comentam seus trabalhos. Leia mais sobre aqui.

FESTIVAL RED BULL BASEMENT
Com enfoque em cidades e tecnologia, o festival teve como destaque a palestra de abertura do evento com o holandês Frank Kresin, diretor do instituto Waag Society, que cravou: “Existem muitas falhas e problemas com essas cidades inteligentes como estão sendo propostas atualmente. Primeiramente, elas começam pela tecnologia e não pelos humanos e seus desafios. Não olham para o que os humanos querem ou precisam, e tentam apenas empurrar tecnologias caras para dentro das cidades, desumanizando-as em vez de humanizá-las“. Assista ao discurso inteiro abaixo.

RESIDÊNCIA HACKER

A residente Sara Lana e seu capacete com sensores | Foto: Felipe Gabriel
A residente Sara Lana e seu capacete com sensores | Foto: Felipe Gabriel

Discutindo questões urbanas como ocupação do espaço público, afeto, noções de segurança e prevenção de enchentes, os residentes do programa Red Bull Basement criaram quatro projetos bem diversos neste ano. Aqui é possível ler mais sobre cada um e, abaixo, conhecê-los por meio de vídeo que registra um pouco do processo.

FAZ
Em sua primeira edição, o Festival de Cultura Maker teve como objetivo difundir a ideia de que todos podem criar tudo (ou quase tudo) o que quiserem, com dezenas de workshops gratuitos que foram de jardinagem a impressão 3D, passando por palestra com Guto Lacaz, artista e inventor, show com o multiartista argentino Jorge Crowe e apresentações de projetos com pegada “faça você mesmo”.

AFROT
Em outubro, o Red Bull Station sediou pela segunda vez a residência e festival AfroTranscendence. Produzido pela NoBrasil, com apoio da Red Bull Amaphiko, o evento recebeu artistas e pesquisadores de diversas áreas envolvidos com a cultura afro-brasileira.

Nega Duda durante performance no AfroT 2016 | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Nega Duda durante performance no AfroT 2016 | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

A programação de quatro dias contou com palestras debatendo temas como descolonização do conhecimento, ancestralidade e estética negra, além de atividades para selecionados via convocatória aberta, exibição de filmes de realizadores africanos e performances.

FOTO_INVASÃO
Foram oito coletivos criando instalações especialmente para os ateliês e porão do prédio, cada um com uma proposta — lembrar o crime ambiental em Mariana (MG), como na imagem abaixo, pensar a efemeridade e o medo, falar sobre violência policial, prostituição e sobre a vida urbana. Além da exposição, performance, feira e palestra fizeram parte da programação intensa de três dias do Foto_Invasão, evento organizado pelo coletivo Lost Art junto a outros grupos que fazem parte do universo da fotografia contemporânea em São Paulo.

Instalação do R.U.A. Foto Coletivo | Foto: Lost Art
Instalação do R.U.A. Foto Coletivo | Foto: Lost Art

OS BRASIS EM SP
Realizado como um festival, em junho, e como uma residência artística que ocorreu ao longo do segundo semestre, Os Brasis em São Paulo buscou revelar as histórias de quatro mestres de cultura que vivem na capital paulista, resultando em uma exposição no nosso espaço e em intervenções urbanas que ocorreram na cidade celebrando a cantora Nega Duda, o sambista Carlão do Peruche, o educador indígena Pedro Macena e a festeira Graça Reis.

“A intenção é celebrar essas pessoas como importantes agentes de cultura brasileira e aproximar espaços da cidade que pouco as conhecem”, contou Mayra Fonseca, idealizadora do projeto. Conheça melhor esses nomes e saiba mais sobre a iniciativa aqui.

Lambe do projeto Os Brasis em São Paulo | Foto: Brasis
Mestre Carlão do Peruche em lambe do projeto Os Brasis em São Paulo | Foto: Brasis

LAMBES NA LAJE
Foram duas edições e mais de 100 artistas expondo e vendendo seus trabalhos em arte gráfica neste ano. No vídeo abaixo, um pouquinho da última edição da feira de lambe-lambes que existe desde 2012.

SÓFÁLÁ
Encerramos o ano com o Sófálá, projeto da casa, organizado por Emerson Alcade e Majda Asad, que reuniu em 2016 slammers e MCs em diversas batalhas. Ao fim, os vencedores de cada uma garantiram a participação numa coletânea em livro e musical que serão lançadas no começo de 2017.

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Veja também, em vídeo transmitido ao vivo, como foi a disputa final por aqui.

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E 2016 teve ainda instalações como “Habitar” e a obra de Rodrigo Sassi, as exposições “Diários do Busão” e “Fronteiras”, muitas edições do Cine Performa, que mistura documentário e performance, palestra com Djamila Ribeiro (assista), debate sobre música e gênero, papo com KL Jay, além do evento Sincronicidade. Voltamos com mais em 2017, até já.

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Veja como foi a final do Sófálá 2016

13dez

por Red Bull Station

A última edição do Sófálá, evento que alterna batalhas de MCs e slam de poesia, aconteceu no último sábado (10/dez) por aqui, escolhendo o grande vencedor do ano — Felipe Nikito venceu no slam, com Tauane em 2º lugar, e Gabriela de Brito (Gabi Nyarai) na batalha, com Lucas Kóka como vice. Todos os ganhadores das edições de 2016 estarão num livro (os slammers) e coletânea musical (os MCs) a serem lançados no início de 2017 no Red Bull Studio São Paulo. Fique de olho por aqui para saber mais sobre.

Abaixo, confira as fotos da final e assista acima ao vídeo da transmissão ao vivo que rolou pelo Facebook.

Fotos: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

 

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Artistas apresentam no RJ peças sonoras desenvolvidas em residência no Red Bull Station

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por Red Bull Station

Neste sábado (3) e domingo (4), o festival Novas Frequências, que acontece no Rio de Janeiro, apresenta dois projetos sonoros desenvolvidos pelos artistas Luisa Puterman e Daniel Limaverde durante uma residência feita no último mês no Red Bull Station.

Participante em 2015 da Red Bull Music Academy em Paris, a paulistana Luisa Puterman irá apresentar a obra “Moto Perpetuo” neste sábado (3), criando uma experiência extrapalco de um dia no contexto do festival. A instalação busca criar um ambiente imersivo de reflexão por meio de materiais sonoros ligados à práticas de construção, aproveitando-se da reestruturação em que o Rio se encontra para explorar fronteiras entre começos e fins.

“Quero criar um lugar que dê a uma sensação de que as coisas mudam, mas, de alguma maneira, continuam iguais. Isso traduzido num contexto de construção civil”, diz a artista. “A ideia é questionar a especulação imobiliária no Rio de Janeiro, o custo das Olimpíadas”.

Foto: Sarah Bastin / Red Bull Content Pool
Foto: Sarah Bastin / Red Bull Content Pool

Esta questão “extrapalco” também se faz presente no trabalho de Daniel Limaverde, aluno da RBMA em Tóquio 2014. O artista apresenta peças para serem ouvidas em locais específicos da cidade, como em Copacabana e no Valongo, acessadas via internet, unindo narrativas sonoras, vestígios de memória e novas perspectivas para a ocupação da cidade.

“Sweet Spot” é uma série que será disponibilizada gratuitamente para download e streaming pelo site www.novasfrequencias.com a partir de sábado (3) e pode ser escutada em qualquer smartphone e fones de ouvidos. No domingo (4), vans levarão o público gratuitamente aos locais com saída da Red Bull House.

Imagens adicionais (cidade): Ricardo Lisboa

O trabalho cria um circuito de espaços urbanos do Rio de Janeiro que são reconstruídos por meio da virtualidade sonora. O ouvinte pode descobrir a quais locais as faixas são associadas por meio de seus respectivos títulos: os nomes das peças são números de coordenadas geográficas de GPS, latitude e longitude. Cada faixa desenvolve uma construção narrativa relacionada diretamente ao espaço que a intitula.

Quando o nome de uma faixa for inserido em um mapa online como o Google Maps, este apresentará o ponto preciso onde é possível experienciar a realidade virtual sonora. Todas as faixas do “Sweet Spot” estão em áudio binaural – ou áudio 3D – um método de reprodução que simula espacialização, dando a impressão de que os eventos retratados em cada peça estejam de fato ocorrendo no espaço ao redor do ouvinte, causando com que os sons escutados nos fones de ouvido se confundam com os sons do ambiente e vice versa. No vídeo acima, o artista fala mais sobre o trabalho.

Saiba mais sobre o Novas Frequências.


Luisa Puterman apresenta: Moto Perpetuo
Dia 3 de dezembro, sábado, às 16h
Galpão Gamboa: R. da Gamboa, 279 – Gamboa, Rio de Janeiro, tel. (21) 98460-1350 / 98460-1351. Grátis.

Caminhada Sonora – “Sweet Spot”, de Daniel Limaverde
Dia 4 de dezembro, a partir das 15h
Red Bull House: R. J. Carlos, 101.
Saída de vans a partir das 15h. 30 pessoas por grupo. Grátis

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Veja como foi o slam de poesias do Sófálá de julho

02ago

por Red Bull Station

Vencida pelo poeta Daniel GTR, a última edição do slam de poesias do Sófálá rolou no último sábado (30) e foi bem bonita. Veja abaixo algumas imagens do encontro e programe-se: em agosto tem MCs na disputa, com pocket shows das rappers Bárbara Bivolt e Souto MC.

O Sófálá é um evento que existe desde o início de 2015 no Red Bull Station e, neste ano, vem alternando batalhas de poesias e de MCs. Ao fim de 2016, os slammers vencedores terão sua poesia publicada em uma coletânea.

Fotos: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

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Minas na rima: o Sófálá das MCs em 10 imagens

01jul

por Red Bull Station

Teve muita rima afiada na última edição do Sófálá, evento que alterna batalha de MCs e slams de poesia mensalmente no auditório do Red Bull Station.

Política, educação, homofobia, questões raciais, estéticas e de direitos da mulher estiveram na pauta do dia, principalmente da dupla Rap Plus Size, que fez um show curtinho, e de Gabriela De Brito, a vencedora da batalha, rapper de 22 anos de idade e flow maduro.

Abaixo, a gente selecionou 10 fotos para mostrar um pouco do que rolou no sábado passado:

Issa Paz e Sara Donato mandando as rimas do Rap Plus Size

Issa Paz e Sara Donato mandando as rimas do Rap Plus Size.

Teve recado pesado, mas teve também muita risada: Issa Paz e Pauê antes de batalha

Teve recado sério, mas teve também muita risada: Issa Paz e Pauê antes de batalha.

O DK Kokay rodou vários clássicos do rap nos toca-discos

DJ das batalhas, Kokay foi de Mos Def a De La Soul na seleção.

A duas campeãs do dia: Issa Paz e Gabriela De Brito

Vice e campeã do dia, Issa Paz e Gabriela De Brito: não dê bobeira e vá atrás do trabalho delas.

O MC Pedro Andrade mandou rimas sobre homofobia em batalha com Issa Paz

O MC Pedro Andrade mandou rimas sobre homofobia em batalha acirrada com Issa Paz.

Sara Donato e Issa Paz ainda não tem disco, mas o público já conhece bem o refrão dos seus sons. Ouça um deles no recém-lançado clipe da dupla

Sara e Issa ainda não têm disco, mas o público já conhece bem seus sons. Ouça um deles no recém-lançado clipe da dupla.

Caiuby, MC que fez participação especial em um dos trabalhos do Pulsø, mandou um ragga pra fechar bem o evento

Caiuby, MC que fez participação especial em um dos trabalhos do Pulsø (ouça “Tecnobrega Jamaica Style”), mandou um ragga pra fechar bem o evento.

Imagine três MCs talentosas dividindo o palco

“Quem quiser falar vai ter que gritar mais alto! Se tentar me derrubar vai encontrar o asfalto. Resiste e não recua, insista até que evolua, enquanto houver loucura, a luta continua!”.

Pra fechar, público e MCs em sintonia

Foi mais ou menos assim. O próximo Sófálá Batalha de MCs é em agosto, não perca.

Fotos: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

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Relação de Pierre Verger e editora brasileira é tema de documentário no Cine Performa

02jun

por Red Bull Station

No Cine Performa desta quinta (2), o filme em exibição é “Os Negativos”. Dirigido pelo espanhol Angel Díez, o documentário aborda a história de amizade e as reviravoltas na relação entre a fotógrafa e editora Arlete Soares e o fotógrafo e etnólogo Pierre Verger: do encontro dos dois, na década de 70, até o descobrimento de mais de 60 mil negativos que o francês julgava perdidos. “Achei que, tematicamente, amor e traição, fotografia e palavra, dariam um bom filme”, diz o diretor.

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Para saber mais sobre o documentário, entrevistamos Angel, que, assim como Verger, também é estrangeiro e viveu na Bahia — hoje ele mora no Rio, onde dá aulas na Escola de Cinema Darcy Ribeiro e colabora com o diretor Geraldo Sarno. O espanhol revela os obstáculos, a repercussão na estreia, o processo de filmagem, curiosidades técnicas e como tomou contato com o trabalho do etnólogo.

Quando você tomou maior contato com a história de Arlete e Verger, e quando decidiu que gostaria de filmar isso?

Cheguei na Bahia no final do 2001, logo depois do ataque às Torres Gêmeas. Em Paris, onde morei por 18 anos, trabalhei com uma produtora francesa ligada às cinematografias do então chamado Terceiro Mundo. Pouco depois de me instalar no Brasil ela me chamou querendo saber se estaria interessado em realizar um filme em torno da figura de Pierre Verger. Logicamente, respondi que sim na hora. Conhecia o trabalho de Verger, tanto fotográfico como de pesquisa escrita e admirava ele. O contato em Salvador era Arlete Soares, editora de seus primeiros livros, e imediatamente fui visitá-la. A ideia de Arlete era a de editar um material filmado em formato U-MATIC anos antes da morte do fotógrafo, supostamente inédito. Depois de assistir às imagens em vídeo e de me deparar, por acidente, com um filme já existente elaborado com a mesma fonte, pensei em desistir. Mas nesse período tive a oportunidade de conversar longamente com Arlete. E a sua história de amizade com o antropólogo francês, as reviravoltas dessa relação e o tema do olhar foram me conquistando aos poucos. Achei que, tematicamente, amor e traição, fotografia e palavra, dariam um bom filme.

Como foi escolhida a estrutura narrativa do filme, de uma grande entrevista, e como foi o processo de gravação?

A estrutura do filme era outra. Um dia antes das filmagens o produtor brasileiro me ligou querendo parar tudo. As exigências de Arlete eram surreais: a câmera deveria ocupar um lugar fixo, não seriam atendidas propostas não contratadas antes (elaborei um roteiro a partir dos registros de áudio com ela meses antes, editado, e que serviriam de roteiro durante a realização do filme). Apesar das adversidades decidi ir em frente e aceitei as limitações. Na última hora consegui uma velha câmera Betacam em desuso, à qual incorporamos uma meia em poliéster dentro da objetiva, que produzia uma difusão interessante. Decidi, junto com a diretora de fotografia, instalar uma iluminação violenta e filmei durante dezoito dias com uma equipe de oito pessoas. Tudo isso em um plano só, fora os planos realizados em 35 mm (o pátio, o escritório, os objetos). Na pós-produção filmei novamente o material bruto em um monitor vídeo, provocando novos enquadramentos e produzindo movimentos de câmera que não existiam no original. Fora isso, contratei os serviços de um salão de beleza para manter o aspeto físico de Arlete durante as filmagens. A ideia era que tudo isso acontecia em uma tarde e com um equipamento amador.

“Os Negativos”, na estreia, foi acusado de tendencioso. Meu trabalho foi também questionado. Assim como minha conduta ética. Como gastar 110.000 reais em uma entrevista realizada no transcurso de uma tarde e com uma câmera amadora? Fiquei feliz com as críticas, mas triste por não ter atingido o objetivo de meu filme: a transmissão do olhar.

Assim como Verger, você também nasceu em outro país e viveu na Bahia. Qual sua relação com a obra dele?

Conheci a obra dele por estar casado na época com uma brasileira nascida em Salvador. Eu morava em Paris e as visitas da família dela eram frequentes. Ela era filha de um professor e critico de arte baiano que morreu em um acidente de aviação e que foi de alguma maneira adotada pelo artista Carybé, amigo e quase irmão do pai. Foi Carybé que me deu de presente o livro “Lendas Africanas dos Orixás”, ilustrado por ele a partir dos textos do francês. Verger estava também nas minhas leituras, “Fluxo e Refluxo”, e nas visitas às exposições, ainda tímidas naquela época, do fotógrafo.