Residência Artística

Diferentes trajetórias se encontram na mostra da 12ª Residência Artística

12jul

por Red Bull Station

Desde o último dia 2 de julho está em cartaz a exposição da 12ª Residência Artística do Red Bull Station, apresentando os trabalhos desenvolvidos pelos seis residentes durante o período em que ocuparam os ateliês do prédio, entre maio e junho passados.

Abaixo, eles falam um pouco sobre o processo e as obras criadas, assista:

Vídeo: Filmes para Bailar | Trilha original: Aeromoças e Tenistas Russas e Jovem Palerosi

***Mostra prorrogada até 13/8.

Para o curador Fernando Velázquez, a proposta é falar das artes visuais de uma forma ampla. “O encontro de artistas de diferentes trajetórias causa uma discussão interessante e levanta o debate sobre o que é arte”, diz ele.

Diferente de edições anteriores, nas quais os artistas permaneciam quatro meses no espaço, nesta edição a estadia foi de 50 dias. “Esta restrição espaço-temporal conforma o primeiro índice para o diálogo com as obras e os processos apresentados”, explica Velázquez.

Giuliano Obici com seu fone de concreto diante da "enchente" de monitores | Foto: Lost Art / Red Bull Content Pool
Giuliano Obici diante da “enchente” de monitores | Foto: Lost Art / Red Bull Content Pool

Dois dos residentes trabalharam com a ideia dos rios que passam sob o prédio: o paranaense Giuliano Obici construiu uma instalação provocando uma “enchente” audiovisual com monitores, parte do projeto que ele chamou de “Intensidades Brutalistas”, influenciado pelo seu reencontro com o centro de São Paulo. Já a mineira Carolina Cordeiro aproximou sua experiência com rios no Norte do Brasil com os soterrados córregos paulistanos, pensando em processos de cura — a obra foi desenvolvida após a artista ter criado uma série inspirada na atual conjuntura política do país, misturando fotografias jornalísticas e espelhos, em exposição em um dos ateliês.

Detail view of artist Carolina Cordeiro's "Untitled" artwork in the Main Gallery at Red Bull Station’s 12th Artistic Residency Exhibit in Sao Paulo (Brazil) on july 2, 2016.
Os vidrinhos de ‘líquidos de cura’ do PA inspiraram obra de Carolina Cordeiro | Foto: Lost Art / Red Bull Content Pool

O alemão Anton Steenbock exibe, na Galeria Transitória (2º andar do prédio), uma intervenção que é parte de seu projeto Da Silva Brokers, criando uma exposição de artistas fictícios. Além deste trabalho, ele mostra uma instalação na qual as tensões do mercado financeiro são evidenciadas, exposta na Galeria Principal, no térreo. Enquanto isso, Janaína Miranda (DF) desenvolveu um trabalho partindo da relação entre nomes e objetos, catalogando frutas e suas curiosas etiquetas, e reunindo em uma publicação fotografias de galerias de presidentes descobertas em pesquisas online.

O suíço Luca Forcucci mostra um manifesto que se conecta com sua pesquisa acerca do trabalho do poeta Blaise Cendrars, seu conterrâneo que fez um percurso pelo interior do Brasil ao lado de modernistas na década de 1920 (trajeto que Luca refez, em partes, nos últimos anos). Além desta obra, ele apresenta um site-specific em um dos ateliês que procura traduzir a paisagem sonora do entorno em imagens — o som costuma ser o ponto de partida do processo criativo do artista.

Artist Luca Forcucci's installation "Utopialand" in the Main Gallery at Red Bull Station’s 12th Artistic Residency Exhibit in Sao Paulo (Brazil) on july 2, 2016.
“Utopialand”, de Luca Forcucci, colagem com textos de Oswald de Andrade baseada nas inspirações de Cendrars | Foto: Lost Art / Red Bull Content Pool

Já o paulistano Raphael Escobar investigou, ao longo da residência, como fabricar cachaça ao estilo da Maria-Louca, bebida criada nas penitenciárias com processos elaborados de fermentação e destilação. Ele construiu, então, um alambique caseiro e disponibiliza a pinga criada ali, divulgando entre populações de rua onde conseguir a bebida de graça. O trabalho se conecta com pesquisa na qual o artista procura destacar situações do cotidiano que evidenciam as estruturas de poder na cidade — arte-educador, ele investiga como a criação de redes de solidariedade e afeto, sobretudo em torno de grupos em estado de vulnerabilidade social, pode ajudar na inclusão.

A exposição tem entrada gratuita, como toda a programação do Red Bull Station, e ocupa as duas galerias (Principal e Transitória) e alguns dos ateliês do prédio. A visitação pode ser feita de terça a sexta, das 11h às 20h, e aos sábados, das 11h às 19h, até 13 de agosto (a mostra, que iria até dia 30/7, foi prorrogada).