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Artistas do Pulsø vão sonorizar obra que aborda tema dos rios em SP

27abr

por Red Bull Station

Músicos do coletivo de Chico Dub no estúdio durante o Pulsø 2016 | Foto: Felipe Gabriel
Músicos do coletivo de Chico Dub no estúdio durante o Pulsø 2016 | Foto: Felipe Gabriel

Neste sábado, abrindo o showcase de encerramento do Pulsø 2016, o grupo de músicos selecionado pelo produtor Chico Dub para o projeto (formado por Thingamajicks, Paula Rebellato, Abdala, Daniel Nunes e Haley Guimarães) irá sonorizar a obra “Fronteiras_Zero Hidrográfico”, no último dia de exposição do trabalho que ocupa a galeria do Red Bull Station desde 20 de fevereiro.

A instalação da dupla Gisela Motta e Leandro Lima traz à tona o embate dos habitantes de São Paulo com as enchentes, dialogando com o edifício que a recebe — construído na confluência dos rios Saracura, Japurá-Bixiga e Itororó, o prédio foi uma das principais usinas de energia da capital no começo do século XX.

Obra "Zero Hidrográfico" | Foto: Lucas Lima
Obra “Zero Hidrográfico” | Foto: Lucas Lima

“Quando fui convidado para co-curar o Pulsø‬, quis imediatamente proporcionar como projeto final algo que fosse muito além de uma apresentação musical. Ao ‘tocar’ com a ‘Zero Hidrográfico’, meu coletivo não só irá conversar com a obra, ajudando assim a quebrar a barreira imposta no Brasil entre a música experimental e a arte contemporânea, como também com o prédio”, diz Chico, que é idealizador do festival Novas Frequências.

Os músicos que irão sonorizar a instalação têm trabalhos ligados ao eletrônico experimental e a apresentação deve durar em torno de 40 minutos.

Abdala, um dos músicos do coletivo de Chico Dub, no ateliê durante o Pulsø | Felipe Gabriel

Quem participa também é João Meirelles, DJ do BaianaSystem e criador do projeto Infusão, que integra o grupo de Filipe Cartaxo no Pulsø. “Desde o começo da ocupação a gente passa pela obra todo dia, se relaciona com ela, então quando eu soube que isso ia acontecer fiquei muito interessado e quis estar junto”, conta João.

“Os artistas estarão espalhados pela obra: serão três duplas posicionadas em três mesas de apoio, tudo centralizado e mixado ao vivo pelo Daniel Nunes, artista sonoro e músico do Constantina, de Belo Horizonte. Falar mais do que isso é estragar a surpresa, mas posso dizer que realmente entramos a fundo no conceito da obra, passeando por referências explícitas e outras mais subjetivas. Vamos tratar de meio ambiente, caos urbano, aquecimento global e enchentes”, adianta Chico.

Daniel Nunes captando sons para a apresentação no Pulsø | Foto: Felipe Gabriel
Daniel Nunes captando sons para a apresentação no Pulsø | Foto: Felipe Gabriel

Ao longo desta semana, Daniel Nunes vem circulando pelos arredores do prédio captando sons. “A ideia é realizar várias gravações de campo de forma a constituir o desenho que a gente já pré-moldou, de como a gente interage e desenha sonoramente essa obra”, explica.