Pulso

Chico Cornejo fala sobre o PULSO

30jun

por Red Bull Station

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A ocupação PULSO reúne durante um mês mais de 30 produtores, músicos e agitadores culturais. Sob a batuta de seis curadores, eles estão se reunindo para criar parcerias, participar de workshops e palestras, além de aproveitarem o Red Bull Studios e a programação de encontros durante os fins de semana.

Para conhecermos mais sobre o PULSO, conversamos com um de seus curadores, o DJ e sociólogo paulistano Chico Cornejo. No seu grupo estão Claudia Assef, Mauricio Fleury, Rodrigo Coelho, Carol Schutzer, Abud, Lourene Nicola, Neguim Beats, Monique Dardenne e Pedro Zopelar. Além de Chico, André Maleronka (editor da revista Vice), Dago Donato (DJ, jornalista e empresário), Fabrício Nobre (produtor responsável pelo festival Bananada), Karen Cunha (diretora de eventos da Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo) e Kiko Dinucci (músico) completam o time de curadores. Confira nosso papo a seguir, que rolou n’A Cafeteria, no Red Bull Station.

No que você pensou quando formou seu grupo e de que maneira você quer contribuir?

Foi meio de supetão. Eu gosto de colocar um pouco de loucura no método. Quando vi quem estava participando do projeto como um todo, vi que o foco era na música propriamente tocada. Conheço muita gente deste meio, mas meu rolê é da música eletrônica. Então pensei, ‘o que eu posso contribuir aqui que não seja redundante com o que pessoal já está fazendo?’. Pensei no conceito de ‘Artist Development’, que antigamente era muito em voga e hoje em dia nem tanto. O cara que cuida do artista, cria identidade, imagem, imprensa, PR, essas coisas. Como se fosse um selo funcionando durante um mês. Essa é a contribuição que pretendo dar aqui. Tentei também dar um gás na presença feminina.

De que maneira um evento como esse pode contribuir pra cena independente?

Espero que possa trazer o público mais pra perto de todas essas questões. Aliás, acho que a gente ganha muito com essa nossa cultura do making of, do reality show. Enquanto programas como esse são honestos em como mostram todo sangue, suor e lágrimas que vai num processo desses, as pessoas se beneficiam muito. Tem muita gente que acha que é legal, mas não é só isso. É aquela velha história: se as pessoas soubessem como é feita salsicha, ninguém comeria. A música é dolorosa, você colocar ali sua arte e suas emocões, é dificil, requer coragem. Tem muita gente que não deveria estar nesse mercado, mas está. Enquanto você acha que pode mudar algo para melhor, tanto pra você, quanto para os outros, vale a pena. Acho divertida também a oportunidade de dar a chance aos participantes de estarem juntos, essa coisa mágica. A alquimia que acontece é muito legal. Eu não imaginava que ia ser assim.

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Acho que essa é a parte mais legal. E me fala de você um pouco, como você saiu da sociologia e foi parar na música.

A música sempre fez parte da minha vida. Meu pai sempre foi muito ligado à musica, foi por osmose, sempre fui apaixonado. Meu pai é pernambucano e minha mãe é chilena. Como filho único, você cultiva muito a sua vida interior, acaba tendo uma solidãozinha. Eu preenchi a minha com livros e música. E me fez muito bem. Eu vivia aqui no centro, na galeria, buscando disco. Quando cursava sociologia já tinha isso, eu tinha uma necessidade de me diferenciar das pessoas. Sempre achei esse negócio de turminha e tribo meio caricato. Eu andava de skate, ouvia música eletrônica, ia no baile de hip-hop, na festa punk, curtia ska, na sociologia a MPB dominava. Então sempre foi muito natural.

E como vc foi parar na música eletrônica?

Eu sempre convivi muito com DJs. Quando comecei a ouvir música eletrônica, não existia nada mais foda, pra mim só existia aquilo. Estava mil anos luz à frente. Acho que houve um resfriamento agora.

Porque você acha que isso aconteceu?

Gosto muito da tese do Simon Reynolds, a Retromania. A gente tá cada vez mais fixado no passado, a recorrência à referências antigas virou um dispositivo muito fundamental na producão cultural. A arte pós-moderna é baseada em referências à coisas antigas. O modernismo era o momento em que a gente achava que o futuro ia chegar. Mas o futuro é agora e a gente parou de sonhar. Estamos em 2015 e cadê meu carro voador?

Por Camila Alam