Red Bull Basement tem série de workshops em julho; veja programação

O makerspace do Red Bull Station é o laboratório de invenções tecnológicas que abriga, anualmente, a residência hacker Red Bull Basement e também fica disponível para o uso de quem tiver interesse em saber mais sobre cultura maker, oferecendo materiais, workshops, palestras e o acompanhamento de um monitor.

Em julho, o espaço está com uma programação bem movimentada: semanalmente, às quintas, recebe um grupo de estudos sobre IoT, ou “Internet das Coisas”. Chamado “Coisas de Quinta”, o encontro é destinado tanto a desenvolvedores quanto a demais interessados em discutir o uso dessas tecnologias.

Também rolarão dois workshops bem interessantes, conectando fabricação digital e moda, neste mês: um sobre programação com Lilypad, aplicando-a na construção de roupas digitais e interativas; o outro, ensinando os participantes a montarem uma “camiseta-piano” a partir da desmontagem de um brinquedo.

Veja abaixo o calendário completo de julho:

7, 14, 21 E 28 DE JULHO | 19h30-22h30 – COISAS DE QUINTA

Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

O que você faria se pudesse conectar dispositivos eletrônicos na internet? Com o advento da Internet das Coisas, montamos um grupo de estudos para propor uma leitura crítica sobre o cenário atual da computação ubíqua e como podemos utilizar essas tecnologias a favor da cidade.

A oficina busca o encontro das novas tecnologias através de atividades práticas que envolvem desenvolvimento de softwares e hardwares abertos e construção de protótipos de dispositivos IoT. O público-alvo é multidisciplinar e quer abranger desenvolvedores e outros interessados em discutir o uso dessas tecnologias.

Mediador: Luís Leão, engenheiro de inovação, co-organizador do Google Developer Group São Paulo (GDG-SP) e membro do Garoa Hacker Clube.

>>Inscrições por email: basement.inscricoes@redbull.com.br; 15 pessoas.

16 DE JULHO | 11H-17H – PROGRAMAÇÃO COM LILYPAD

Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

Neste encontro dedicado à etapa de programação, os participantes usarão o Lilypad (placa arduíno usada em projetos vestíveis) para construir uma roupa digital e interativa por meio de sensores (acelerômetro, luz, etc) acoplados.

Facilitadoras: Lina Lopes e Giovanna Graziosi

>>Inscrições por ordem de chegada; 20 pessoas.

23 DE JULHO | 11H-17H – ELETRÔNICA VESTÍVEL E SONORA

Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

A proposta deste encontro é fabricar uma “camiseta-piano” sonora a partir da desmontagem de um brinquedo. O desafio é repensar o design de circuitos, criando uma vestimenta em que estes são remontandos e reestruturados sob uma perspectiva vestível.

Facilitadoras: Lina Lopes e Giovanna Graziosi

>>Inscrições por ordem de chegada; 20 pessoas.

Palestra na íntegra: movimento maker e IoT, com Luís Leão

O que é IoT, quais as definições do conceito e o que é possível fazer com ele?

Convidado pelo Red Bull Basement a falar sobre Internet das Coisas — termo utilizado para descrever um paradigma no qual objetos físicos estão conectados em rede e podem ser acessados online –, o engenheiro de inovação Luís Leão mostra como usar a tecnologia para otimizar a rotina.

“A grande dificuldade não é colocar as coisas na internet, mas dar sentido para elas estarem ali”, diz ele. Assista abaixo:

Em “Diário do Busão”, artista traz à tona discursos de alunos em visitas culturais

Exposição "Diários do Busão", de Diogo de Moraes | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Exposição “Diário do Busão”, de Diogo de Moraes | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

“Ao entrar no ambiente expositivo, a professora ordena ao grupo: ‘Mãos para trás!’”.

“A garota pergunta: ‘Por que tudo é branco?’”.

“Professora: ‘Lá no Instituto Tomie Ohtake não vai poder tocar em nada’. Aluna: ‘Nem no chão? E como é que a gente vai andar por lá?’”.

Essas são algumas das situações que o artista Diogo de Moraes apresenta na exposição “Diário do Busão: Visitas Escolares a Instituições Culturais”, série de registros e transcrições que busca amplificar “outros discursos” no universo da arte e da educação. A mostra fica de 11 a 25 de junho em cartaz na Galeria Transitória do Red Bull Station.

Em um projeto que é parte de seu mestrado, o artista vem acompanhando visitas de estudantes da rede pública a museus e instituições culturais. A mostra traz um recorte desse processo, com desenhos e escritos baseados em imersões feitas há cerca de um ano.

Exposição "Diários do Busão", de Diogo de Moraes | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Exposição “Diário do Busão”, de Diogo de Moraes | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

Apresentando reações de estudantes diante das falas de professores, dos códigos sociais das instituições e das próprias obras, Diogo coloca em questão a forma como se dá a política de acesso cultural.

“A ideia do projeto é criar uma certa fricção entre a perspectiva da democratização calcada na difusão — pensando num lema, a ‘distribuição para muitos do que é produzido por poucos’ — e a da democracia cultural, que aí daria para pensar nesse lema de uma forma modulada, a ‘distribuição para muitos do que é produzido por muitos’. E então entram esses códigos, essas linguagens menos veiculadas pelas instituições de arte”, diz.

O projeto tem base na própria experiência do artista, que já trabalhou com mediação e hoje lida com pesquisa e programação cultural.

Detalhe de um dos registros da mostra | Foto: Felipe Gabriel
Detalhe de um dos registros da mostra | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

“É notável ao acompanhar esses grupos de estudantes como isso acaba emergindo no momento de encontro entre essa produção tida como legítima e aquilo que esses adolescentes manifestam que faz parte do seu referencial. Minha intenção ao fazer esse trabalho, em hipótese alguma, é reorientar essas formas de comportamento pra que elas sejam enquadradas no que as instituições têm a oferecer, como se precisassem ser redirecionadas. Meu lance no trabalho é me abster disso, justamente tentar dar vazão e conferir alguma linguagem pro que aparece de menos encontrado com a expectativa institucional”, explica.

Na mostra, os locais visitados são listados, mas as escolas de origem dos alunos aparecem com nomes fictícios, a fim de não expor os professores. Os desenhos são feitos com base em fotografias aleatórias encontradas em pesquisas na Internet usando termos anotados durante as visitas. Diogo leva apenas um caderninho e vai escrevendo o que lhe chama a atenção.

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“‘Diário do Busão’ tem a pretensão de funcionar menos como uma obra e mais como um agenciamento. Tem um músico que admiro, Lívio Tragtenberg, que diz que os sambistas fazem um tráfico cultural. O trabalho pega um pouco carona nessa concepção, tenta produzir essas aberturas em que outros discursos podem aparecer. Nesse caso o dos escolares, público que — tendo em vista a forma de financiamento e de justificar socialmente a importância dos projetos — muitas vezes assume um papel chave, mesmo não estando a par disso”, coloca.

“Embora os departamentos educativos levantem a bandeira do diálogo, em que medida esses diálogos, que de fato acontecem, voltam pra instituição? Ao identificar essa lacuna, esse descuido ou esse desinteresse pelos discursos dos públicos que tento fazer essa provocação”, resume o artista.

Detalhe de um dos registros da mostra | Foto: Felipe Gabriel
Detalhe de um dos registros da mostra | Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool

Veja o serviço completo da exposição e, aqui, conheça mais sobre o trabalho de Diogo.

(Por Adriana Terra)

Pulsø 2016 lança coletânea com 14 faixas produzidas em um mês; ouça

Em abril passado, seis grupos reunindo 30 músicos de diferentes cantos do Brasil se encontraram no centro de São Paulo para criar novos sons. Um dos motes do #PULSØ2016, ocupação musical que aconteceu em sua 2ª edição no Red Bull Station, era mesmo encurtar a distância entre regiões e sonoridades.

Rappers de São Paulo que se somaram a um beatmaker de Petrópolis (RJ); artistas de Salvador reunidos pelo integrante do BaianaSystem Filipe Cartaxo; gente de Goiânia, Minas Gerais e Rio — coletivo organizado por Macloys Aquino, do Carne Doce; músicos vindos do Sul e do Norte do Brasil; artistas que trabalham sons menos convencionais dentro do eletrônico: todo mundo conviveu por um mês trocando informações, fazendo shows e produzindo as faixas abaixo.

Teve tecnobrega com vocal hip hop e pegada ragga casando muito bem, fruto de uma conexão feita na rua: os paraenses do Pulsø conheceram o MC Caiuby num papo de bar na rua Augusta. Teve rap jazz, unindo a banda formada por músicos gaúchos ao vocal do Kamau e aos scratches do Nyack. Teve parceria entre Belém, Rio e Goiânia na música “Sessão da Praia”, indie rock com forte tempero percussivo. E teve ainda colaboração entre músicos baianos e parte do grupo do curador Chico Dub. Salve, Bahia!

“Eu trouxe samples, o Xim trouxe samples e o Nyack trouxe samples. A gente chegou um dia antes de todo mundo, e nesse dia a gente já fez dois beats”, conta Kamau, que foi um dos curadores do projeto neste ano.

Mestre Xim, beatmaker de Petrópolis (RJ), veio ao Pulsø a convite de Kamau

Além de ter chamado músicos de fora para gravar, o grupo que o rapper paulistano reuniu fez participações em sons de outros coletivos: Kamau canta em “Descompassado”, do pessoal do Sul, enquanto “Mais um Dia”, da ala baiana, tem colaboração do MC Daniel Raillow (PrimeiraMente) na letra e no vocal.

“A música falava de uma coisa bem trivial, da gente descer a Augusta [os músicos de fora da capital paulista se hospedaram lá durante o projeto] e procurar um café pra tomar, e aí só tinha padoca, a padoca cheia… A gente falando sobre essas impressões de São Paulo. Depois Raillow chegou com outra letra que já era uma coisa do universo dele, e a gente sentiu que precisava harmonizar um pouco”, conta Lívia Nery sobre a faixa, que tem participação também de Pedro Dom (O.C.L.A.), do grupo gaúcho, no piano elétrico.

Apresentação de Lívia Nery, Mahal Pita, Junix e João Meirelles no Pulsø

Fora as colaborações entre diferentes grupos, rolou muito de pessoas de um mesmo coletivo produzirem juntas pela primeira vez. “A gente se encontrava, se ouvia e asssistia ao show um do outro, mas nunca tinha parado pra fazer música”, diz Macloys Aquino.

O grupo do Macloys (na ponta direita): Renato Cunha, Bruna Mendez, Lê Almeida, Vitor Brauer, João Victor, Braz Torres

Eles também fizeram parceria com outra sala, conexão que se deu ainda na primeira metade do projeto: os paraenses Adriano Sousa e Douglas Dias tocam com o grupo em uma faixa (veja o ensaio dela aqui).

Uma união que surgiu na segunda fase do Pulsø foi entre músicos do coletivo do curador Chico Dub, mais voltado para a experimentação eletrônica, e do grupo baiano. Além de terem produzido uma faixa em parceria, Abdala (GO), Haley Guimarães (PB), João Meirelles (BA) e Junix (BA) — estes dois últimos companheiros de BaianaSystem — tocaram juntos no show final.

Em 2017 o Pulsø está de volta. Enquanto isso, ouça as músicas desta edição, que o processo foi de aprendizado e o produto é fino.

Show do coletivo que reuniu músicos do Sul do país, com Pedro Dom, Gutcha Ramil, Zudizilla, Tiago Abrahão, Rafael Chaves e Erick Endres

Sonorização da obra “Zero Hidrográfico” que rolou no encerramento do Pulsø, com músicos do coletivo de Chico Dub e participação de João Meirelles

Gutcha Ramil (RS) e Lívia Nery (BA) ensaiam no porão do Red Bull Station

Jota Ghetto e Kamau em show no Pulsø

Haley Guimarães, Daniel Nunes e Paula Rebellato durante a ocupação

Keila Gentil (Gang do Eletro) na primeira apresentação que rolou no projeto

Zudizilla e Jhow Produz (ao fundo) em show no Pulsø

Os curadores: da esq. para a dir., Filipe Cartaxo, Macloys Aquino, Chico Dub e Kamau; Juliana Baldi e Félix Robatto, abaixo

Fotos: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool
Vídeo: Fernanda Ligabue

Para saber mais sobre o Pulsø: http://bit.ly/1PiYAbl
E para ver mais fotos da ocupação musical: http://bit.ly/1TXRkUp

(Por Adriana Terra)

Relação de Pierre Verger e editora brasileira é tema de documentário no Cine Performa

No Cine Performa desta quinta (2), o filme em exibição é “Os Negativos”. Dirigido pelo espanhol Angel Díez, o documentário aborda a história de amizade e as reviravoltas na relação entre a fotógrafa e editora Arlete Soares e o fotógrafo e etnólogo Pierre Verger: do encontro dos dois, na década de 70, até o descobrimento de mais de 60 mil negativos que o francês julgava perdidos. “Achei que, tematicamente, amor e traição, fotografia e palavra, dariam um bom filme”, diz o diretor.

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Para saber mais sobre o documentário, entrevistamos Angel, que, assim como Verger, também é estrangeiro e viveu na Bahia — hoje ele mora no Rio, onde dá aulas na Escola de Cinema Darcy Ribeiro e colabora com o diretor Geraldo Sarno. O espanhol revela os obstáculos, a repercussão na estreia, o processo de filmagem, curiosidades técnicas e como tomou contato com o trabalho do etnólogo.

Quando você tomou maior contato com a história de Arlete e Verger, e quando decidiu que gostaria de filmar isso?

Cheguei na Bahia no final do 2001, logo depois do ataque às Torres Gêmeas. Em Paris, onde morei por 18 anos, trabalhei com uma produtora francesa ligada às cinematografias do então chamado Terceiro Mundo. Pouco depois de me instalar no Brasil ela me chamou querendo saber se estaria interessado em realizar um filme em torno da figura de Pierre Verger. Logicamente, respondi que sim na hora. Conhecia o trabalho de Verger, tanto fotográfico como de pesquisa escrita e admirava ele. O contato em Salvador era Arlete Soares, editora de seus primeiros livros, e imediatamente fui visitá-la. A ideia de Arlete era a de editar um material filmado em formato U-MATIC anos antes da morte do fotógrafo, supostamente inédito. Depois de assistir às imagens em vídeo e de me deparar, por acidente, com um filme já existente elaborado com a mesma fonte, pensei em desistir. Mas nesse período tive a oportunidade de conversar longamente com Arlete. E a sua história de amizade com o antropólogo francês, as reviravoltas dessa relação e o tema do olhar foram me conquistando aos poucos. Achei que, tematicamente, amor e traição, fotografia e palavra, dariam um bom filme.

Como foi escolhida a estrutura narrativa do filme, de uma grande entrevista, e como foi o processo de gravação?

A estrutura do filme era outra. Um dia antes das filmagens o produtor brasileiro me ligou querendo parar tudo. As exigências de Arlete eram surreais: a câmera deveria ocupar um lugar fixo, não seriam atendidas propostas não contratadas antes (elaborei um roteiro a partir dos registros de áudio com ela meses antes, editado, e que serviriam de roteiro durante a realização do filme). Apesar das adversidades decidi ir em frente e aceitei as limitações. Na última hora consegui uma velha câmera Betacam em desuso, à qual incorporamos uma meia em poliéster dentro da objetiva, que produzia uma difusão interessante. Decidi, junto com a diretora de fotografia, instalar uma iluminação violenta e filmei durante dezoito dias com uma equipe de oito pessoas. Tudo isso em um plano só, fora os planos realizados em 35 mm (o pátio, o escritório, os objetos). Na pós-produção filmei novamente o material bruto em um monitor vídeo, provocando novos enquadramentos e produzindo movimentos de câmera que não existiam no original. Fora isso, contratei os serviços de um salão de beleza para manter o aspeto físico de Arlete durante as filmagens. A ideia era que tudo isso acontecia em uma tarde e com um equipamento amador.

“Os Negativos”, na estreia, foi acusado de tendencioso. Meu trabalho foi também questionado. Assim como minha conduta ética. Como gastar 110.000 reais em uma entrevista realizada no transcurso de uma tarde e com uma câmera amadora? Fiquei feliz com as críticas, mas triste por não ter atingido o objetivo de meu filme: a transmissão do olhar.

Assim como Verger, você também nasceu em outro país e viveu na Bahia. Qual sua relação com a obra dele?

Conheci a obra dele por estar casado na época com uma brasileira nascida em Salvador. Eu morava em Paris e as visitas da família dela eram frequentes. Ela era filha de um professor e critico de arte baiano que morreu em um acidente de aviação e que foi de alguma maneira adotada pelo artista Carybé, amigo e quase irmão do pai. Foi Carybé que me deu de presente o livro “Lendas Africanas dos Orixás”, ilustrado por ele a partir dos textos do francês. Verger estava também nas minhas leituras, “Fluxo e Refluxo”, e nas visitas às exposições, ainda tímidas naquela época, do fotógrafo.