Tem mistura da percussão do Pará com rock goiano no Pulsø; assista

A convivência entre músicos de gêneros e cidades diferentes é uma das coisas mais legais que vêm rolando na nossa ocupação musical Pulsø.

Abaixo, assista a um ensaio com músicos da banda de rock goiana Carne Doce e com Lê Almeida, do Rio — todos do grupo do curador Macloys Aquino — junto a Douglas Dias (Dona Onete) e Adriano Sousa (Gaby Amarantos), artistas paraenses ligados ao carimbó e ao tecnobrega, do time de Félix Robatto.

 

Neste sábado, eles se apresentam no primeiro show do Pulsø, veja a agenda detalhada e não perca: http://bit.ly/1V78FPJ.

Dupla Dois Africanos grava com Kamau no Pulsø; assista

Está bem agitado o estúdio do Kamau, um dos curadores da ocupação musical Pulsø neste ano, reunindo no seu time Nyack, Jota Ghetto, Jhow Produz, Mestre Xim e Daniel Raillow.

Desde o começo do projeto, na semana passada, já passaram por aqui Tássia Reis, Erica Dee e, nesta quarta, a dupla Dois Africanos gravou um pouquinho com o rapper paulistano. Formado por Opai Bigbig, do Benin, e Izy Mistura, de Togo, o duo teve início no Brasil — onde os músicos vivem desde 2012 — e ficou bem conhecido após participar de um programa musical na TV. A ideia deles é mostrar a presença de ritmos africanos no som de outras partes do mundo.

Vem ver a parceria, que deve resultar na música “Três Africanos”, com o Izy rimando sobre base de Mestre Xim:

 

O Pulsø é um projeto que ocupa o Red Bull Station entre 4 e 30 de abril no qual músicos e produtores independentes se juntam para discutir o mercado da música e criar novos sons.

Acompanhe nossa programação: http://redbullstation.com.br/pulso

Três curiosidades sobre a Vinil Brasil, a nova fábrica de discos brasileira

Imagine a situação: 18 toneladas de prensas de discos de uma antiga gravadora são encontradas em um ferro-velho em São Paulo. Deterioradas, elas têm de ser reformadas em um processo longo. O trabalho é pesado, mas quem tomou a iniciativa de resgatá-las é gente aficionada por discos, interessada em produzir vinis e fazer a música de toda uma cena circular.

Essa é, por alto, a trama que dá origem à Vinil Brasil, nova fábrica de discos brasileira, uma das duas a operar no momento no país (até seu surgimento, apenas a Polysom estava em atividade), instalada em um galpão no bairro paulistano da Barra Funda.

Para saber mais detalhes desta história, batemos um papo com Michel Nath, músico e produtor que encabeça o projeto. Michel participa nesta terça-feira de palestra no Pulsø, junto ao mestre dos sintetizadores Arhur Joly, para falar sobre a cultura do faça-você-mesmo na música. Abaixo, já dá para perceber o quanto essa ideologia foi importante na criação da Vinil Brasil.

As prensas da Vinil Brasil | Foto: Divulgação
As prensas da Vinil Brasil | Foto: Divulgação

1.A ORIGEM: Michel queria prensar seu próprio disco
“O lance da fábrica surgiu de uma necessidade que eu e toda uma cena tem de materializar nossos trabalhos musicais com qualidade, eficiência, de uma maneira mais justa e acessível. Meu disco ‘SolarSoul’ foi um processo muito longo. Fazer um vinil não é algo fácil nem barato, e eu ainda tive que esperar um ano por ele. Nesse processo de espera conversei com várias pessoas, e cada uma me deu uma justificativa de que não era viável montar uma fábrica — e as justificativas eram plausíveis: as prensas não existiam, comprar de fora é uma grana absurda. Daí, quando meus discos estavam começando a chegar aqui [eles foram prensados fora], o importador encontrou essas máquinas num ferro-velho, as adquiriu e não tinha a grana para comprar todas, e eu acabei entrando nessa história. O trato que fiz com ele era que quem segurasse a onda de reformar as máquinas tinha prioridade, e eu toquei isso junto com o Luís [Luís Carlos Bueno, técnico que trabalhou em manutenção geral por 20 anos na gravadora RCA], que é a pessoa que tem o conhecimento mesmo de montar”, explica Michel.

2.AS PRENSAS: do ferro-velho para um processo longo de reforma
“As máquinas eram da Continental e ficaram 20 anos paradas — quando o prédio da gravadora teve que ser demolido, elas foram enviadas para um ferro-velho, onde ficaram por um ano. Nesse período as encontramos”, diz Michel. “Elas chegaram aqui totalmente detonadas. O Luís tinha trabalhado com outro modelo de máquina na RCA e precisamos de sete meses até conseguir entender o ciclo da prensa, reformar a primeira, planejar um novo controle. Criamos uma placa que controla todas as funções. Com esse painel digital a gente vai poder mensurar tudo, ter um boletim diário, uma ciência mesmo da prensagem, saber os parâmetros que funcionam. E isso a gente criou do zero. A cortadeira que refila os discos a gente criou do zero. A parte da prensagem funciona tão bem que não tem o que fazer, só reformar”, explica.

Michel Nath e a capa de seu disco "SolarSoul", que o incentivou a montar a fábrica
Michel Nath e a capa de seu disco “SolarSoul”, que o incentivou a montar a fábrica

3.A IDEIA: uma fábrica além do hype, de músicos para músicos
“A gente prioriza antes de mais nada a música. É uma fábrica de músicos e amantes da música para músicos e amantes da música. Queremos deixar um legado musical. A gente já tem uma demanda grande de pedidos, mas estamos primando por uma qualidade, uma excelência, pra que discos bem feitos saíam daqui. A gente não vai abrir pro público enquanto não tiver com essa qualidade. Não somos oportunistas de mercado que pescamos uma tendência — a cultura tem que ser mais longeva, porque quando a moda do vinil passar a gente vai ter a cultura do disco em São Paulo, a produção crescendo”, finaliza Michel.

(Por Adriana Terra)

Veja como foi a primeira semana do Pulsø em gifs

Desde a última segunda (4) está acontecendo a ocupação musical #PULSØ2016 no Red Bull Station, com palestras sobre música abertas ao público (veja aqui a programação) e uma residência com músicos e produtores de diversas partes do país trocando informações e criando novos sons durante todo o mês de abril.

Logo nessa primeira semana, a mistura de ritmos nos corredores foi forte e rolou bastante produção nos estúdios. A gente resumiu um pouquinho da movimentação dos últimos dias nos gifs abaixo.

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São seis grupos, escolhidos por curadores de cidades variadas. Tem gente envolvida em bandas como BaianaSystem, Gang do Eletro, Carne Doce, Rakta, gente do rap, da eletrônica experimental. Dá uma sacada.

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A galera já chegou no pique e rolou um almoço de confraternização animado na nossa laje.

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O intercâmbio entre os grupos começou com o Zudizilla, que é da galera da Juli Baldi, do RS, indo dar um salve nos amigos no estúdio do Kamau.

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Estúdio que, aliás, já está numa produção louca. Várias músicas, vários beats. Pudera, com o bonequinho do J. Dilla (repare à esquerda) ‘abençoando’ o povo…

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Uma coisa já notamos nas primeiras horas de Pulsø: a voz e a animação da Keila Gentil (Gang do Eletro) são um fato, assim como o flow do Will Love.

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Ai, que falta faz música em gif nessa hora…

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No estúdio gaúcho, o Zudizilla se empolgou com a percussão paraense e estava pensando em incluir um pandeiro nos seus beats, enquanto o Tiago Abrahão se concentrava em trabalhar em cima do que eles produziram nos dias anteriores.

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No estúdio do Chico Dub, a Paula Rebellato e o Haley têm produzido bastante juntos.

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Na ala baiana, o experimentalismo está forte e a Lívia Nery cantando é coisa linda de se ver.

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No grupo do Macloys, a Bruna também vem fazendo uns vocais belos junto aos outros residentes.

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Já teve também palestra: o encontro sobre rádios online lotou, com um monte de gente interessada em discutir as possibilidades de circulação da música independente hoje em dia.

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Todo dia de Pulsø começa focado, mas é meio impossível terminar sem zoeira. No estúdio do Kamau, na quinta à noite o clima estava assim (imagine “Se ela Dança, eu Danço” para o passinho do Daniel Raillow — e que falta faz música em gif, parte 2).

É isso! Até semana que vem.

12ª Residência Artística anuncia selecionados no dia 18

A 12ª Residência Artística do Red Bull Station divulgará os nomes dos artistas selecionados para esta edição no dia 18 de abril. O anúncio, que aconteceria no dia 12 do mesmo mês, foi adiado devido a uma questão de saúde de um dos membros do júri. Os seis novos residentes estarão prontos para ocupar os ateliês do Red Bull Station a partir do dia 11 de maio.

Foto: Lost Art/Red Bull Content Pool
Martin Reiche trabalha em seu ateliê na 11ª Residência Artística. Foto: Lost Art/Red Bull Content Pool

As inscrições para fazer parte do projeto foram finalizadas no dia 03 de abril. A Residência Artística do Red Bull Station é uma plataforma permanente que incentiva e apoia a formação e produção de arte contemporânea. Com duração de nove semanas, o projeto de imersão também oferece uma programação paralela à residência, com workshops, oficinas e palestras. Neste ano, além de Velázquez, ainda participam da curadoria os artistas Divino Sobral de Souza e Marta Mestre.

 

Kamau indica onde comprar discos e ouvir rap em São Paulo

O rapper Kamau é mais um dos curadores do Pulsø 2016 (veja aqui os músicos que ele selecionou). Pedimos que ele montasse um pequeno guia de lugares para comprar discos e ouvir rap em São Paulo.

Kamau

Eis o itinerário:

::DISCOS
“Costumo comprar vinis toda semana na região central de São Paulo. Mais precisamente na região da rua 24 de maio/Barão de Itapetininga/7 de Abril. Nas Grandes Galerias os CDs de rap que fazemos e os que gostamos podem ser encontrados nas lojas Beatz (av. São João, 439 – lj 16) e Canal Black (Galeria do Rock, lj 38).

Na Galeria Presidente (r. 24 de Maio, 116), pode perguntar pro pessoal da Colex e da Mágica do Hip Hop. Os vinis de rap e afins estão na mesma galeria nas lojas Promo Only, Gringo’s e Florida.

Os vinis onde garimpo matéria prima e material de estudo podem ser encontrados na Galeria Nova Barão (r. 7 de Abril, 154), nas lojas Disco 7, Lado C e Big Papa”.

Foto: facebook.com/GaleriaNovaBarao
Foto: facebook.com/GaleriaNovaBarao

::FESTAS
“Toda terça feira rola a Discopédia na Trackers (r. Dom José de Barros, 337) e, sempre que posso, estou presente. Os residentes Nyack, Marco e Dan Dan levam peças selecionadas do seu vasto acervo de vinil pra girar nos toca-discos da festa. Começa e acaba cedo, antes do metrô acabar — isso se os DJs e o público não se empolgarem, o que de vez em quando acontece.

Outra festa que já é tradição na noite de SP é o Sintonia (no DJ Club – Al. Franca, 241), onde KL Jay, Ajamu, Marco e Will revezam no comando da pista. Sempre garantia de bons momentos musicais pela madrugada”.

Flyer da festa Discopédia.
Flyer da festa Discopédia.

::BATALHAS
“Rola todo sábado a mais tradicional das batalhas de SP atualmente: a Batalha da Santa Cruz. Como o próprio nome diz, ela acontece na estação Santa Cruz do Metrô, na calçada ao lado do Colégio Arquidiocesano. Mas há várias outras batalhas ao longo da semana em vários locais de SP.

E se quiser me encontrar pelo centro de SP, estarei no Rei do Mate (largo do Paissandu) bebendo um mate suíço de açaí, em alguma dessas lojas de vinil ou CD, ou andando de skate no Vale do Anhangabau ou praça Roosevelt. Nos vemos, pessoal! Música pra gente. Pra mente. Pra sempre”.

Para saber a programação completa do Pulsø, acesse: redbullstation.com.br/pulso

A nova música eletrônica experimental brasileira, por Chico Dub

Um dos curadores do Pulsø, Chico Dub é produtor cultural e diretor artístico. É idealizador do Festival Novas Frequências, realizado desde 2011 no Rio de Janeiro com a ideia de explorar as novas linguagens da música contemporânea.

Chico

Pedimos a ele uma seleção de sons de artistas da atual música experimental brasileira — alguns fazem parte do time que Chico montou pro Pulsø. Eis abaixo:

1. Abdala – “Resolução”

Começo este playlist apresentando os 5 artistas que escolhi para fazerem parte do meu coletivo no Pulso, do Abdala ao Thingamajicks. O Abdala é do interior de Goiás. Faz um som bem difícil de rotular – pode ser muita coisa ao mesmo tempo. No geral, muitas texturas, sobreposições de camadas, gravações de campo, climão lo-fi e uma certa dose de misticismo.

2. Arthur III – “Mellotrama”

De João Pessoa, na Paraíba, vem o Arthur III, novo projeto do Haley Guimarães (ex-Burro Morto). A “Mellotrama” é a faixa que mais gosto do seu recém lançado disco homônimo. Groovezeira cheia de synths, bateria eletrônica e grave sintético.

3. Daniel Nunes – “Por um Mundo Mais Lindo em que o Silêncio Não Reina”

O Daniel é batera da banda de pós-rock instrumental de BH Constantina, grupo com mais de 10 anos de história. Saca bastante de sound art e também faz parte do Lise, um projeto de colaborações audiovisuais.

4. Acavernus – “Afrodite”

Acavernus é a Paula Rebellato solo (também integrante da Rakta e de vários outros projetos e colaborações). Dark ambient, paisagens sonoras e drones cinematográficos.

5. Thingamajicks – “duplicate/consume

O Thinga é um dos novos produtores de música eletrônica mais talentosos do Brasil. Flerta com o techno e com a ambient music, sempre de forma torta e estranha.

6. Cadu Tenório – “Planetário de Deus”

O Cadu tem um montão de projetos: faz coisas usando o seu próprio nome, outras com a alcunha Victim!, é metade do Ceticências e dupla da Juçara Marçal no Anganga.

7. bemônio – “Inferior”

Música de filme de terror. Dark ambient, drone e doom num power trio que só toca ao vivo de forma improvisada. Ou seja, a cada show, um novo arrepio.

8. Innsyter “Cut Eleven [Lacro19]”

Innsyter é o lado mais pesado do (Fernando) seixlacK, trazendo uma sonoridade mais próxima do noise/industrial.

9. Ricardo Donoso – “A Song for Echo”

O Donoso é um carioca radicado em Boston. Lançando seus trabalhos pelo selo alemão Denovali, tem se destacado ainda mais na cena. Faz uma ambient classuda, bem trilha sonora, como no caso dessa “A Song for Echo”. Em outros lançamentos, pode soar como Alva Noto e Emptyset.

10. Paulo Dandrea – “One Man Wrecked Spaceship

O Dandrea é um dos produtores de música eletrônica mais (no bom sentido) freak do país. O rótulo que mais chega perto de descrever o que ele faz é o IDM.

11. Negro Leo – “Onda de Assalto

Um figuraça esse Negro Leo. Poeta-punk-marginal-tropical de marca maior.

12. God Pussy – “Fossil Animals part 4”

God Pussy é o mais punk dos “noiseiros” cariocas.

Dez coisas que aprendemos com o Pulsø em 2015

Do dia 4 ao 27 deste mês, o Red Bull Station recebe a segunda edição do Pulsø, evento que coloca em foco a cena independente brasileira atual por meio de uma série de conversas, shows e de uma ocupação musical. Durante um mês, músicos de estilos e cantos variados do país convivem, trocam informações e, claro, produzem som.

foto: Leandro Godoi

No esquenta para a edição deste ano, resolvemos lembrar os melhores momentos de 2015, que teve parcerias inusitadas, palestras lotadas, shows, lives e DJ sets bem animados. Abaixo, veja 10 coisas que aprendemos com a primeira edição do Pulsø.

Arthur Joly e seu sintetizador analógico no Red Bull Studio São Paulo.

1. Workshops com mestres nunca decepcionam: dá uma olhada no sintetizador modular construído por Arthur Joly, que ensinou a operar a máquina no Pulsø.

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2. Residente bom é residente prolífico! O rapper cearense Don L foi o rei das parcerias durante a ocupação. Colou com Kiko Dinucci…

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Com a Irina, do Garotas Suecas, que gravou teclado pra ele…

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E com Rodrigo Coelho.

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3. A interação é a chave do negócio. Se liga na bandinha formada por Jessie Evans e o marido Pitschú, Lei di Dai e Maurício Fleury.

Showcase Pulso
Showcase Pulso

4. Colocar artistas pra tocarem em um ambiente de produção intensa funciona: o Pulsø teve shows memoráveis em 2015, tipo do Ogi…

Foto: Leandro Godoi

Da maravilhosa Juçara Marçal…

Foto: Leandro Godoi

E de mais uma diva, Lei di Dai (com participação da Marietta).

5. Mulheres arrasam (não que não soubéssemos). As minas comandaram o Pulsø, e não só nos palcos e estúdios. Lotada, a palestra com Eliane Dias, empresária do Racionais MCs, foi um dos ponto altos do evento, debatendo como funciona o maior grupo de rap do Brasil. Dá o play!

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Tá pouco de mulher poderosa? Peraí que tem mais. Claudia Assef, Karen Cunha, Amanda Mussi, Érica Alves, Raissa Fumagalli, Jessie Evans, Lei Di Dai, Monique Dardenne, Lourene Nicola e Juçara Marçal debateram a participação feminina na música e problematizaram a cena.

Foto: Leandro Godoi

6. Festa com produtor bom não tem como dar errado. Foram ótimos os lives e DJ sets do paulista Sants…

Foto: Leandro Godoi

Da dupla formada por Mussi e Érica Alves…

Foto: Leandro Godoi

E de André Paste.

7. Podcast é legal, e a prova disso é o programa acima com Lei de Dai e o Sants falando sobre a residência.

8. Juntar um monte de artista bacana só pode dar certo: entre as parcerias que o Pulsø rendeu, Ogi se uniu a uma banda formada por Kiko Dinucci (Metá Metá), Tim Bernardes e Biel Basile (O Terno) e Mauricio Fleury (Bixiga 70) para gravar duas músicas registradas na série Stripped Sessions. Acima, veja eles tocando um desses sons, “Uma Mulher”.

9. É fundamental debater os anseios e a realidade do músico independente no Brasil hoje, colocando na balança todas as mudanças que rolaram na última década. Outro fruto do evento foi uma websérie abordando uma série de questões dentro deste universo. Aqui, você pode ver os quatro programas produzidos durante a ocupação e, acima, o último deles, debatendo o futuro da cena.

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10. A décima lição vem em formato de dancinha com a residente Lei Di Dai, e a mensagem é: quem tem groove tem tudo.

É isso! A partir desta terça-feira, o Pulsø está de volta com a sua segunda edição.

Explorando a cena musical goiana com as dicas de Macloys, do Carne Doce

“A cena de música independente é forte em Goiânia provavelmente graças a consolidação dos festivais nos últimos 20 anos. Durante este tempo, os principais e maiores festivais da cidade promovem uma cultura que se expressa por meio de bandas, rappers, DJs, coletivos do design e das artes plásticas, e também por meio de casas”, conta Macloys Aquino, guitarrista da banda Carne Doce e um dos curadores desta edição do Pulsø (veja aqui os artistas que ele selecionou).

Macloys Aquino (de camisa branca) e a banda Carne Doce
Macloys Aquino (de camisa branca) e a banda Carne Doce

Para ter uma ideia da variedade de lugares, estilos e festivais que a cidade do centro-oeste brasileiro abriga, pedimos a ele um pequeno guia para sacar a cena goiana.

Vai lá:

::FESTIVAIS

Bananada (facebook.com/festivalbananada) – “Tocado pela Construtora Música e Cultura, é o maior e mais importante festival de música de Goiânia. Existe desde 1999. Grandes artistas brasileiros, além de importantes atrações internacionais, apresentaram-se aqui. É o mais disputado, talvez por ser o mais restrito, entre as bandas da cidade. Ocorre em maio e agrega várias expressões musicais. Durante uma semana ocupa casas de show e pubs, com programação também de artes plásticas e gastronomia, fechada com três dias de shows, geralmente no Centro Cultural Oscar Niemeyer. Dá gente pra caralho. É o ponto alto do ano. O cara aqui é o Fabrício Nobre [que participou da primeira edição do Pulso]”, conta Macloys.

Emicida no Festival Vaca Amarela 2015
Emicida no Festival Vaca Amarela 2015

Vaca Amarela (facebook.com/festivalvacaamarela) – “Realizado pela Fósforo Cultural, é um grande festival mais voltado para atrações brasileiras, do rock ao rap, funk ao glam, e que incentiva muitas bandas novas da cidade e do país. Em 2016 completa 15 anos. Dura três dias, ocorre em setembro e já ocupou espaços com públicos multitudinários em Goiânia. É um delícia. Os caras: João Lucas e Camilo Rodovalho”, indica o guitarrista do Carne Doce.

Goiânia Noise Festival (facebook.com/GoianiaNoise) – “O mais tradicional da história do rock independente de Goiânia é feito há 21 anos pela Monstro Discos, também o selo mais tradicional da cidade. Dura três dias, ocorre em novembro ou dezembro e é uma porrada, é o que mais agrega as várias vertentes do rock e do peso, com muitas atrações nacionais e internacionais. Camisa preta, catuaba e fuzz. Os caras são Leo Razuk e Leo Bigode”.

::ESPAÇOS CULTURAIS

Diablo Pub (facebook.com/DiabloPub) – “É a maior e mais bem estruturada casa de Goiânia, onde várias vertentes da música independente tem espaço. Dois ambientes, um aberto, cabem por volta de 400 pessoas. Ali também ocorrem festas temáticas e a casa se lançou a promover seu próprio festival. O Diablo Fest teve a primeira edição no fim do ano passado. Cristiano Prado e Marlos Japão comandam”, explica Macloys.

Complexo Estúdio & Pub (facebook.com/complexoestudioepub) “Uma das casas mais importantes para a cultura da música independente de Goiânia. Tocado por integrantes dos Hellbenders e Black Drawing Chalks (BDC), ali bandas ensaiam, produzem e gravam música e vídeo, e se apresentam. Lugar para cem pessoas, é onde funcionou o Rock Lab, estúdio que produziu as mais importantes bandas de stoner de Goiânia, e o antigo escritório da Construtora. Renato Cunha (BDC), os Hellbenders e o coletivo de produção visual Moment tocam o lugar”.

Centro Cultural Martim Cererê (facebook.com/CentroCulturalMartimCerere) – “Espaço na região central da cidade, é como uma praça, rodeada por outras praças, com dois teatros pequenos e um teatro de arena no meio. É o lugar mais importante da história da música independente de Goiânia, onde já ocorreram edições de todos os festivais e por isso ocupado por praticamente todas as bandas da cidade. Carlos Brandão, jornalista, poeta, cantor, compositor e agente cultural é o responsável por essa história de o centro ser a casa da música independente goianiense”, conta o curador do Pulso 2016.

O espaço em Goiânia Evoé
O espaço em Goiânia Evoé

Evoé Café com Livros (facebook.com/evoelivros) – “Uma casa super gostosa na região central da cidade, que serve cafés, vinhos, pratos especiais e música independente, mais para cancionistas e projetos acústicos. Pequeno e aconchegante, com jardim e rede. Giovana Ogando é a dona da festa”.

Old Studio – “Estúdio de ensaio, produção e gravação, funciona como pub de bandas punk, hard core, metal, black metal e outras vertentes pesadas, da cidade e de fora. O cara aqui é o Karnillo Kozlowski, vulgo Marcelo”, diz o músico.

Cafofo Estúdio (facebook.com/cafofoestudiogoiania) – “Uma casa deliciosa que é um estúdio, mas onde bandas também se apresentam em esquemas íntimos, com céu aberto e piscina. O músico Fernando Manso é quem faz acontecer ali”, explica o integrante do Carne Doce.

Sete artistas baianos para acompanhar, por Filipe Cartaxo, do BaianaSystem

Um dos curadores desta edição do Pulsø, Filipe Cartaxo é o artista responsável pela concepção visual do BaianaSystem — quem acompanha o grupo sabe o quanto essa parte é importante dentro do coletivo. “A gente coloca uma carga de criação não só musical, mas de imagem”, conta ele.

Por meio do resgate de símbolos da cultura baiana, Cartaxo criou nos últimos anos a identidade do grupo, notória pelo uso de máscaras (inspiradas pelos caretas, personagens tradicionais do carnaval local) e das cores azul e branco, oriundas tanto das pinturas de casas no interior baiano quanto da força do Dia de Iemanjá no Estado.

Projetada em show do BaianaSystem, a máscara azul tão presente na identidade visual do grupo, desenvolvida por Cartaxo
Projetada em show do BaianaSystem, a máscara azul tão presente na identidade visual do grupo, desenvolvida por Cartaxo

“Tinha a sensação de que os símbolos [de Salvador] estavam há 30 anos a mesma coisa — a baiana do acarajé, a fita do Bonfim, isso tudo é muito estereotipado. E aí você deixava de ver essa representação da cidade, uma representação visual que existia até do próprio carnaval, porque a indústria começou a tomar conta dessa cara popular que ele tinha — dos bonecos que iam pra rua até a própria decoração que era feita por artistas plásticos, isso foi acabando. Eu peguei esses símbolos e é como se estivesse recolocando, reconstruindo isso. Eu coloco futurista para as pessoas entenderem isso como se fosse a Bahia daqui pra frente”, explica.

Capa do segundo disco do BaianaSystem, "Duas Cidades"
Capa do recém-lançado segundo disco do BaianaSystem, “Duas Cidades”

Para além do grupo, mas ainda no campo da representação visual de uma Salvador atual, o designer fala abaixo sobre a cena contemporânea de artes na capital e indica sete nomes locais para acompanhar. Fique atento.

“Sinto cada vez mais presente, principalmente nas ruas, o trabalho dos artistas visuais. Em algum momento isso necessariamente teria que passar por uma galeria para validá-lo, mas hoje sinto que não. Sinto a música também muito presente enquanto estética. Isso nos trará novos símbolos e referências. Enquanto os museus estão em reforma e as galerias aguardando editais, a rua vive!”.

Conheça:

CORE – www.facebook.com/corexplosion

Trabalho do artista baiano Core.

Grafiteiro baiano conhecido pela profusão de cores e personagens que remetem ao universo da toy art. Está em todos os cantos da cidade.

LIA CUNHA – www.instagram.com/duna.editora

Lia Cunh

Artista plástica pela Escola de Belas Artes, desenvolve projetos na fotografia, editoriais, na música e nas artes plásticas.

FILIPE BEZERRA – http://filipebezerra.com

filipebezerra
Nascido em Vitória da Conquista, sempre em contato com as artes visuais e o teatro, faz da pintura e da escrita suas formas de expressão. Desenvolve também projetos em design.

PEDRO MARIGUELLAwww.pedromarighella.com.br

pedromarighella

Nascido em Salvador, desenvolve projetos em artes visuais, design e música. Tem como principais interesses o olhar sobre processos culturais, com destaque para o potencial crítico da diversão.

FAEL PRIMEIROwww.instagram.com/faelprimeiro

fael-primeiro

Artista plástico, 30 anos, natural de Salvador. Iniciou suas intervenções visuais no ano de 2001, quando começou a realizar seus primeiros grafites no ambiente urbano, visando sempre discutir e questionar temas que estão presentes no seu cotidiano através dos seus personagens.

MFRwww.facebook.com/MarcioMfr

mfr

Natural de Salvador, iniciou-se nas artes observando sua avó paterna pintar. Na adolescência, através do skate conheceu a pichação e o graffiti. Estudou na Escola de Belas Artes da Bahia e, a partir de 2003, passou a se dedicar ao graffiti.

IGOR SOUZA – rvculturaearte.com/filter/galeria/Igor-Souza

igor-souza3

Artista plástico autodidata, Igor é arquiteto de formação, além de cenógrafo e diretor de arte. Seu interesse pela arte vai além da produção pictórica e se instala nas relações conceituais que existem entre o artista, a obra e o público.

(Por Adriana Terra)