Pedal Fotográfico quer estimular olhar São Paulo de outra forma

Há 32 anos, o fotógrafo e ciclista Ivson Miranda passou um período de 14 meses fotografando São Paulo para um projeto de um banco de imagens e um livro. Nesta publicação, que acabou não saindo, havia um capítulo chamado “Autofagia”, no qual era abordada a característica de São Paulo de estar sempre em transformação — para o bem ou para o mal.

Essa ideia das modificações urbanas se conecta com o evento que ele organiza no próximo dia 17, sábado, saindo do Memorial da América Latina com direção ao Red Bull Station, parando em diversos pontos para registros, o Pedal Fotográfico.

“Esse pedal tem muito a ver com o Red Bull Station — o local estava praticamente abandonado e foi recuperado [saiba mais sobre a história do prédio aqui]. As paradas que estou programando têm a ver com isso”, conta Ivson, explicando que o itinerário deve passar por locais que ele fotografou décadas atrás, destacando as mudanças pelas quais passaram.

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Memorial da América Latina em épocas distintas fotografado por Ivson Miranda
Memorial da América Latina em épocas distintas fotografado por Ivson Miranda

“É meio pra incutir na cabeça das pessoas olhar a cidade com outro olhar, porque com a bicicleta você tem outro tempo. Esse pedal é pra mostrar: você não precisa destruir para construir”, diz Ivson.

O fotógrafo vê também a cidade em um bom momento para esse tipo de evento, no qual o uso do espaço público é estimulado.

E, dentro da proposta de ampliar a visão, a tecnologia entra como um apoio. “Eu vou dar algumas dicas de fotografia para desafiar as pessoas a terem esse olhar. Estou incentivando as pessoas a fotografarem com o celular”, conta ele. Durante o trajeto, os participantes serão convidados a postar as fotos nas redes sociais com a hashtag #pedalRBStation.

O Pedal ocorre neste próximo sábado (17), com saída do Memorial da América Latina às 12h — a concentração será na escultura “Mão” às 11h30 — e chegada ao Red Bull Station às 14h. No local, estará ocorrendo uma feirinha de comida vegana, que vai até às 18h.

Links Abertos: The New Institute mostra projetos de soluções urbanas no Red Bull Basement

Em agosto, a mostra Links Abertos, parte do festival do Red Bull Basement, apresentou vídeos de iniciativas relacionadas a urbanismo, espaços públicos e formas de habitar a cidade.

Quatro curadores de diferentes países escolheram os trabalhos para essa exibição: Gisela Domschke (Brasil), Mike Stubbs (Foundation For Art and Creative Technology – FACT, de Liverpool, Inglaterra), Floor van Spaendonck (The New Institute, de Roterdã, Holanda) e Dooeun Choi (Art Center Nabi, de Seul, Coreia do Sul).

Desde a semana passada, estamos publicando aqui os projetos selecionados por cada um deles. Começamos com a FACT e, hoje, vamos com os vídeos escolhidos por Floor van Sapendonck, do holandês The New Institute.

Os projetos selecionados pelo instituto de Roterdã — Konnektid, Play the City e If Not, Then at Least — se relacionam com a ideia de compartilhar habilidades e aprender a partir da experiência de vizinhos, identificar e solucionar problemas urbanos por meio de uma espécie de jogo e criar um festival onde todos — por meio da tecnologia — podem participar.

Abaixo, assista a seleção de Floor van Sapendonck incluída na mostra Links Abertos.

O Red Bull Basement é um espaço de produção, pesquisa e difusão de projetos que exploram formas colaborativas de experimentação com mídias digitais. O programa, com curadoria de Gisela Domschke, conta com uma residência em andamento e programação paralela.

Vincent Moon fala sobre cinema, identidades e sessão no AfroTranscendence

Nascido na França, o cineasta Vincent Moon tem viajado o mundo nos últimos anos fazendo o cinema da “não-preparação”, como ele gosta de chamar. “Minha maneira de fazer cinema é realmente não preparar, é o que gosto de fazer”, diz.

Na noite desta quinta-feira (8), após um dia de workshop, ele faz uma sessão comentada de parte desta produção no Red Bull Station. A exibição integra o AfroTranscendence, evento com palestras e cinema que ocorre entre hoje (8) e sábado (10), idealizado para promover a cultura afro-brasileira contemporânea.

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Moon foi o principal diretor do “Concerts a Emporter”, do site La Blogothèque, um projeto online de filmes musicais com diversas bandas e artistas. Entre 2009 e 2013, rodou muitos países com sua câmera na mochila, registrando cenas folclóricas, músicas sagradas e rituais religiosos. No momento, vem trabalhando em um grande projeto sobre espiritualidade.

Aproveitando a presença dele por aqui, batemos um papo sobre este assunto, sobre identidades e “olhar estrangeiro”, e o francês também antecipou um pouquinho o que haverá na exibição desta quinta-feira.

Vincent, como vai ser a sessão hoje à noite?

Eu fui convidado pela Diane [Lima, curadora do AfroTranscendence]. Vou mostrar diferentes coisas daqui, talvez do Peru, da Colômbia e da África. Eu amo improvisar, acho que vamos falar sobre várias coisas, mas não estou preparando muito.

Os filmes que você vai apresentar foram feitos nos anos mais recentes?

É uma mistura total. Já tem vários anos que estou viajando no Brasil, agora estou fazendo um grande projeto sobre o sagrado, então tem muito a ver com todas as religiões de matriz africana. Vou mostrar algumas coisas desse projeto. Ainda é um pouco cedo para mostrar coisas dele, mas todas as manifestações espirituais que têm no Maranhão, no Sul do país também, que são incríveis e não são muito famosas. Não tem muita gente que conhece o Terecô, do Maranhão, ou o Almas e Angolas, de Santa Catarina. Mas são coisas incríveis, únicas.

Essas manifestações que você falou não são muito conhecidas nem aqui. Como estrangeiro, você acha que, de certa forma, tem mais facilidade pra se conectar com elas?

Quando você é parte da coisa, não enxerga o todo. Acho que ser um estrangeiro atualmente é como ser um ‘outsider’, e eu adoro essa posição de quão ‘insider’ você se torna partindo de fora — ter outro desejo, outra visão, mais aberta… Se você é curioso de verdade, você vai de fato pesquisar coisas que as pessoas não consideram muito porque elas estão próximas demais daquilo.

Não tenho mais a mesma relação com meu próprio país, porque agora toda vez que eu volto para a França eu me impressiono…

Você virou meio estrangeiro em seu país?

Um pouco, de certa forma. O que é um sentimento muito bom, um pouco assustador às vezes, como se você pudesse perder sua identidade. Mas não sei, acho que essas questões de identidade são extremamente complexas atualmente. Eu não acredito em identidades fixas, acho que somos bem mais maleáveis. E  acho que isso é algo rico pra gente, trabalhar com todas essas identidades, acho que o Brasil é uma terra muito fértil para essas propostas. É uma nova era, claro, então estamos aqui juntos e vamos trabalhar!

Links Abertos: FACT seleciona projetos de tecnologia para o Red Bull Basement

Em agosto, a mostra Links Abertos, parte do festival do Red Bull Basement, apresentou vídeos de iniciativas relacionadas a urbanismo, espaços públicos e formas de habitar a cidade.

Quatro curadores de diferentes países escolheram os trabalhos para essa exibição: Gisela Domschke (Brasil), Mike Stubbs (Foundation For Art and Creative Technology – FACT, de Liverpool, Inglaterra), Floor van Spaendonck (The New Institute, de Roterdã, Holanda) e Dooeun Choi (Art Center Nabi, de Seul, Coreia do Sul).

Publicamos os projetos selecionados por cada um deles, começando com Stubbs, representando a FACT.

Os trabalhos escolhidos por ele foram desenvolvidos para uma exposição britânica chamada “Build Your Own: Tools For Sharing”, com foco nas conexões entre tecnologia, “faça você mesmo” e a comunidade, explorando como os pontos comuns entre estes aspectos — especialmente o ato de compartilhar e o uso de ferramentas — podem ser aplicados na prática.

Abaixo, assista a seleção de Mike Stubbs incluída na mostra Links Abertos.

O Red Bull Basement é um espaço de produção, pesquisa e difusão de projetos que exploram formas colaborativas de experimentação com mídias digitais. O programa, com curadoria de Gisela Domschke, conta com uma residência em andamento e programação paralela.

Veja também: 
Links Abertos: The New Institute mostra projetos de soluções urbanas no Red Bull Basement
Links Abertos: Maratona hacker e arquitetura em seleção sul-coreana para o Red Bull Basement
Links Abertos: Conheça quatro projetos que repensam as cidades, selecionados pelo Red Bull Basement